O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
As ações da Petrobras (PETR4) foram afetadas pela cautela do mercado com o início do governo Lula. Mas, agora, a tendência começa a virar
Sim, a coluna desta sexta-feira (16) é sobre a Petrobras (PETR4). Mas, antes, observe bem a figura abaixo e responda: qual das barras da direita (A, B ou C) tem o mesmo tamanho que a barra X?

Esse parece um desafio tosco — e, na verdade, ele é mesmo. E é justamente por isso que o experimento de Solomon Asch é tão impressionante.
Obviamente, a resposta correta é "C", mas Asch notou que a pressão social levava as pessoas a preferirem errar com a maioria do que serem as únicas no grupo a escolher a resposta correta.
Por exemplo: se todas ao seu redor escolhessem a letra "A", o indivíduo tinha grandes chances de fazer a mesma escolha, mesmo sabendo que essa era a resposta errada.
Esse experimento descreve o que é conhecido como "viés de conformidade" mas eu prefiro chamá-lo de "Maria vai com as outras" — e ele acontece todos os dias no mercado financeiro. Na verdade, ele está ocorrendo neste exato momento com as ações da Petrobras (PETR3; PETR4), e você pode se aproveitar dele para lucrar com os papéis.
Suponha que você é analista de uma determinada empresa e precisa dar uma recomendação para os seus clientes: comprar a ação, vendê-la ou não fazer nada com ela (neutro).
Leia Também
Depois de muita análise, você conclui que a ação está cara demais, e que neste momento a relação entre risco e retorno já não vale mais a pena. Isso faz com que você queira dar uma recomendação de venda, mas há um problema: todos os outros nove analistas que cobrem a empresa têm recomendação de compra para as ações.
Se a ação cair, você pode até ganhar um "parabéns", afinal, será o único a ter acertado. Mas, e se você errar? Será que os seus clientes vão continuar com você? Será que o seu chefe vai bancar "o único analista que errou a direção da ação"?
Ir contra o bando não é trivial e, na maioria das vezes, recorremos aos mesmos instintos de sobrevivência que nos trouxeram até aqui. Cinco mil anos atrás, quando ainda vivíamos em tribos, quem não corresse quando alguém gritava "leão" tinha grandes riscos de virar a janta.
É melhor correr junto com o bando, mesmo que seja um alarme falso, do que ser do contra e correr o risco de estar errado sozinho. Para a nossa espécie, pensar diferente era um problema, e carregamos traços dessa forma de agir em nossos genes até hoje.
A Petrobras vem entregando retornos muito interessantes aos seus acionistas há anos, mas 2023 prometia ser um período mais difícil por causa do governo PT e seu histórico de intervenções que quase destruíram a estatal na década passada.
Para se blindar desse problema, vimos uma onda de revisões negativas para as ações da Petrobras desde o fim de 2022. Os papéis até estavam baratos (muito baratos), negociando por menos de três vezes lucros, e eu tenho certeza que muitos analistas enxergavam atratividade na empresa.
Mas, nessa altura, surge o viés de conformidade: é difícil manter a recomendação de compra quando a maioria dos analistas já "subiu em cima do muro". O que é melhor: perder a alta do papel junto com todos os outros analistas ou ter que explicar para o seu chefe o motivo de você ser o único analista recomendando PETR4 caso o governo interfira na empresa?
Bom, se os analistas de banco têm o rabo preso e estão mais interessados em seus empregos do que no lucro dos clientes, você pode se aproveitar desse viés comprando ações rejeitadas por preços bastante convidativos.
Foi exatamente isso o que fizemos na série Vacas Leiteiras. Rodolfo Amstalden, Richard Camargo e eu não somos do tipo que perdemos boas oportunidades por preocupações com as nossas reputações. Para nós, o importante é que o risco valha a pena e que a ação pague ótimos dividendos — exatamente o que aconteceu com PETR4 desde que compramos o papel, em abril de 2022.

Sabe qual é a melhor parte? Depois de terem perdido mais de 40% de valorização de PETR4 no ano, alguns analistas finalmente começaram a virar a mão, passando a recomendar a compra de Petrobras nas últimas semanas. É só clicar nas imagens abaixo para ler as notícias completas:
Dados os múltiplos ainda muito baixos, o dividend yield de quase 20% e uma interferência bem menos intensa do que se esperava do governo Lula, é provável que teremos mais bancos revisando para cima suas recomendações de PETR4, o que vai ajudar a trazer ainda mais fluxo positivo para as ações.
Mas o mais interessante de tudo isso é que, em breve, o viés "Maria vai com as outras" começará a afetar quem continuou neutro nas ações — ou você acha que algum analista vai gostar de ser questionado pelo chefe por que é "o único a ter perdido a valorização e os dividendos de Petrobras"?
Em algum momento, esse viés pode levar o otimismo para um patamar exagerado onde o risco versus retorno não valerá mais a pena. E, quando isso acontecer, recomendaremos a venda dos papéis.
No entanto, esse momento ainda está distante e a Petrobras segue na carteira da série Vacas Leiteiras, que conta com outras ótimas pagadoras de dividendos.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia
Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje
Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta
O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente
Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado
Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle
A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira
Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas
Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora
Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano
Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities