O ’11 de setembro’ israelense: como proteger seus investimentos em meio a uma tragédia humanitária
Entenda como ativos como ouro, títulos indexados à inflação e posições em moedas fortes ajudam proteger os investimentos nesses momentos de cautela

Durante o fim de semana, ocorreu um evento trágico quando Israel foi alvo de um grave ataque terrorista perpetrado pelo Hamas na manhã de sábado, durante um feriado judaico importante, levando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a declarar guerra em resposta.
No ataque, os terroristas do Hamas romperam a cerca da fronteira, invadindo cidades israelenses e disparando contra civis, incluindo participantes de um festival de música ao ar livre. Centenas de pessoas perderam suas vidas e mais de 100 foram sequestradas.
O Hamas é um grupo militante islâmico que foi designado como organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia. Eles tomaram o controle da Faixa de Gaza em 2007, após a retirada de Israel, desencadeando várias guerras desde então.
A extensão desse conflito ainda não foi determinada, dada a constante inundação de informações em tempo real e a complexidade da situação.
Pior ataque a Israel desde a Guerra do Yom Kippur
No entanto, é evidente que a atmosfera na comunidade internacional é extremamente preocupante, considerando que este foi o pior ataque a Israel desde a Guerra do Yom Kippur em 1973.
Naturalmente, o mundo reagiu. O Presidente Biden e outros líderes ocidentais condenaram o ataque terrorista do Hamas e reafirmaram o direito de Israel de se defender. Os EUA deslocaram um grupo de ataque de porta-aviões para o Mediterrâneo Oriental para apoiar a contraofensiva de Israel, se necessário.
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Por outro lado, o Irã elogiou o Hamas, um grupo que tem recebido apoio de longa data em termos de armas e tecnologia.
Há indícios de que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ajudou a planejar o ataque desde agosto e deu sinal verde ao Hamas na semana passada. As fontes internacionais estão divididas sobre esse assunto.
Apesar de alguns compararem esse incidente a um 11 de setembro para Israel, as táticas empregadas pelo Hamas se assemelham mais às usadas pela Rússia durante a invasão da Crimeia em 2014 do que pela Al-Qaeda em 2001.
Impacto em Israel deve ser duradouro
Isso representa uma falha notável no proclamado programa de inteligência de Israel, que terá um impacto duradouro em sua política e sociedade nas próximas décadas.
O impacto desse ataque se estenderá profundamente pelo Oriente Médio. Se realmente houve envolvimento de inteligência iraniana e apoio logístico externo, as relações entre o Ocidente e o Oriente Médio ficarão mais tensas.
O objetivo aparente é perturbar as negociações de paz entre israelenses e sauditas, aproveitando um momento em que Israel enfrenta desafios políticos internos e o Ocidente está menos preparado para reagir.
Além dos conflitos na Ucrânia, outros cenários de guerra ameaçam eclodir na Europa, como na Sérvia e no Azerbaijão, enquanto os EUA enfrentam dificuldades orçamentárias.
Vale mencionar que Israel estabeleceu conexões diplomáticas e econômicas com antigos adversários na região nos últimos anos. Um desses países, os Emirados Árabes Unidos, criticou veementemente a grave escalada do Hamas.
Conflito sem solução imediata
A reunião de emergência convocada pelo Conselho de Segurança da ONU para abordar o conflito entre o Hamas e Israel terminou sem um consenso claro e sem a divulgação de um comunicado conjunto.
Tudo indica que o conflito se prolongará sem uma solução imediata, especialmente agora que Israel iniciou uma ofensiva substancial contra o Hamas em resposta aos ataques terroristas.
Essa nova dinâmica geopolítica resultará em rearranjos e implicações significativas.
Além da interrupção nas negociações entre Israel e Arábia Saudita, outras frentes de combate podem se intensificar, como no Líbano, que pode se envolver por meio do Hezbollah, e a possível pausa no acordo nuclear entre os EUA e o Irã.
Apesar de manter uma distância física do conflito, o Brasil tem a responsabilidade de abordar essa crise, pois atualmente ocupa temporariamente a presidência do Conselho de Segurança da ONU e faz parte dos BRICS, um grupo que recentemente convidou o Irã para se juntar a partir de 2024.
Como essa nova guerra afeta o petróleo
No mercado internacional, o preço do petróleo disparou para quase US$ 88 por barril após os eventos do fim de semana, enquanto o dólar se fortaleceu e os ativos de risco, como ações, tiveram quedas globais.
A declaração de guerra pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em resposta ao ataque terrorista do Hamas, pode ter impactos significativos nos mercados, especialmente por estar em uma região próxima de grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar.
Embora os recentes eventos em Israel não representem uma ameaça imediata aos fluxos de petróleo, há o risco de o conflito se transformar em uma guerra por procuração mais devastadora, envolvendo os EUA e o Irã.
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Qualquer retaliação contra Teerã, diante dos relatos sugerindo seu envolvimento nos ataques, poderia colocar em risco a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, um canal vital que o Irã ameaçou fechar.
Num cenário de curto prazo, é muito possível que o petróleo supere facilmente os US$ 95 por barril, com alguns prognosticando até ultrapassar os US$ 100.
Ainda assim, como regra geral, os surtos de conflito entre Israel e os palestinos neste século tiveram um impacto mínimo no preço do petróleo.
Um gráfico de Marko Papic, do Grupo Clocktower, analisa o desempenho médio do petróleo durante o período de 150 dias antes do início do conflito até 150 dias depois, demonstrando essa tendência.
Fonte: Clocktower.
Não é como a guerra do Yom Kippur
O paralelo histórico evidente com a Guerra do Yom Kippur de 1973, que desencadeou o embargo árabe ao petróleo, pode não ser relevante em um mundo muito menos dependente do petróleo do Oriente Médio.
Um retorno ao risco de tensões militares diretas — especialmente ataques israelenses às instalações nucleares do Irã — teria, provavelmente, um impacto sistêmico e não pode ser descartado se o conflito se intensificar.
Não estamos à beira de uma repetição do embargo de petróleo dos anos 1970, por várias razões, principalmente devido à independência energética dos EUA.
No entanto, preços mais altos do petróleo por um período prolongado certamente alimentariam as preocupações com a inflação. O conflito, por natureza, é inflacionário, especialmente no Oriente Médio.
Neste momento, podemos esperar um aumento moderado nos preços do petróleo para reconhecer que o risco de uma grande interrupção no fornecimento (causada por uma guerra) acabou de aumentar. Isso provavelmente estabelecerá um "piso" sob o preço do petróleo, mas não muito mais que isso por enquanto.
Além disso, o mercado de petróleo já está bastante apertado, com uma demanda crescente não sendo correspondida pela oferta.
Petróleo pode ajudar a proteger a carteira
Os fundamentos apontavam para um potencial de valorização considerável da commodity. Ao mesmo tempo, o petróleo representa uma possibilidade interessante de proteção para o restante da carteira.
A oferta de petróleo não é afetada imediatamente pelo ataque do Hamas. No entanto, há uma probabilidade de que o conflito se intensifique. Surge a possibilidade de um evento extremo.
Esse contexto trágico nos lembra da importância de ter proteções em nossas carteiras para momentos delicados como este, que podem piorar rapidamente.
Falamos recentemente sobre o ouro, que pode enfrentar pressão no curto prazo (devido ao aumento das taxas nos EUA), mas ainda é a principal reserva de valor na história.
No Brasil, podemos manter uma reserva de caixa que ainda rende dois dígitos e ancorar os rendimentos de nossa carteira em títulos indexados à inflação, o que já é benéfico.
Posições em moedas fortes, como o dólar, também são essenciais, especialmente porque o caixa em dólar já está rendendo mais de 5%.
No curto prazo, é um momento de cautela, com os investidores buscando proteção. Tudo isso, claro, é feito com o devido dimensionamento das posições, levando em conta o perfil de risco, e uma diversificação de carteira adequada, com as respectivas proteções associadas.
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