Você venderia a sua galinha de ovos de ouro? Por que as melhores empresas nem sempre estão na bolsa
Desconfie quando alguém te oferecer participação em uma empresa que o dono diz ser 'fantástica'. Se ela é fantástica mesmo, por que a pessoa quer vender?

Há poucos dias comecei a analisar uma nova empresa, candidata a entrar em uma das carteiras da Empiricus.
O negócio parece legal e o cálculo do preço-alvo saiu sem grandes problemas, com um upside interessante, inclusive.
Mas tudo travou na parte de comparação com as pares, que é quando pegamos cinco ou seis empresas do mesmo setor para ver se a candidata em questão está negociando com múltiplos minimamente atraentes.
Isso porque praticamente não existem empresas do mesmo setor listadas em bolsa; nem no Brasil e nem lá fora.
Seria esse um bom ou um mau sinal para os investidores? Na verdade, esse costuma ser um ótimo sinal.
Vende-se galinha dos ovos de ouro
Via de regra, para que uma empresa seja negociada na bolsa, é preciso que ela tenha passado por um processo de venda de ações.
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Às vezes, quem vende as ações são os donos da companhia (oferta secundária). Às vezes, as ações vendidas foram criadas com o objetivo de levantar recursos para o caixa da empresa (oferta primária).
De uma maneira ou de outra, é necessário que existam pessoas dispostas a comprar participação de um lado, e pessoas dispostas a vender do outro.
Ou seja, se o negócio for tão ruim a ponto de ninguém querer comprar, ou tão bom que os donos não queiram vender, não haverá negócio.
Por esse motivo, desconfie quando alguém te oferecer participação em uma empresa que o dono diz ser "maravilhosa, extremamente lucrativa e com perspectivas brilhantes pela frente".
Se o negócio é tão fantástico assim, por que ele está tão disposto a vendê-lo? Pense nisso antes de investir no próximo IPO.
Não queremos sócios, obrigado
Dietrich Mateschitz e Chaleo Yoovidhya investiram juntos US$ 1 milhão na criação da fabricante de energéticos Red Bull.
O negócio era tão bom que crescia financiado pela própria geração de caixa, sem a necessidade de tomar muita dívida e nem de vender parte do negócio para novos acionistas.
Os fundadores continuaram donos de 100% do capital e estima-se que a fortuna deixada por ambos para seus herdeiros supere os US$ 40 bilhões (4 mil vezes o retorno do investimento).
É claro que esse é um exemplo muito fora da curva, mas existem várias outras empresas tão boas que seus donos nunca tiveram vontade e nem a necessidade de levá-las para a bolsa, porque simplesmente concluíram que não valia a pena ter novos sócios.
Por isso, se você pretende investir em um setor e descobre que há poucas empresas desse segmento listadas, essa na verdade pode ser uma boa notícia.
Pode significar que normalmente as empresas inseridas naquele contexto conseguem se manter de pé, com ótimos resultados, sem precisar tomar muita dívida e nem de investimentos vultuosos.
Algumas vezes, é claro, elas podem acabar vindo parar na bolsa, mas é importante tentar entender o motivo.
VALE (VALE3) E CRISE DA CHINA: É HORA DE COMPRAR OU VENDER AÇÕES DA MINERADORA?
Há exceções
Mesmo tendo negócios espetaculares, às vezes os fundadores não têm muita escolha e acabam precisando de dinheiro.
Às vezes eles possuem cérebros brilhantes, mas não têm um puto no bolso para monetizar as suas ideias bilionárias, e precisam angariar sócios. As Big Techs são exemplos disso.
Às vezes o negócio está caminhando bem sem precisar de dinheiro alheio, mas uma expansão mal calculada, uma dívida tomada no momento errado, entre outros erros estratégicos podem forçar os donos a procurar investidores para reequilibrar as contas da empresa.
Por exemplo, o negócio de estacionamentos é ótimo, normalmente necessita de baixos investimentos e é gerador de caixa por natureza.
Mas a pandemia chegou praticamente ao mesmo tempo em que a Estapar (ALPK3) venceu a licitação da Zona Azul de São Paulo, um investimento de R$ 585 milhões no mesmo período em que as receitas desabaram.
Eu não sei se os poucos acionistas antes da oferta realmente queriam vender parte da companhia, mas eles simplesmente não tiveram outra escolha além de fazer o IPO.
Repare que isso é muito diferente do que costuma acontecer nos IPOs, quando normalmente os donos aceitam vender suas ações apenas porque o momento para isso é propício e eles vão receber uma bolada por elas, o que também costuma estar relacionado aos picos de mercado.
Mas não estou falando da Estapar
Antes que você me pergunte, a Estapar não é a tal "nova empresa" que eu comecei a olhar, até porque ALPK3 já está na série Microcap Alert há alguns meses, por gostarmos do momento que a empresa está passando – aliás, ela teve participação importante na alta de mais de 60% da carteira da série em 2023.
Mas esse exemplo ajuda a mostrar que, apesar de negócios bons normalmente conseguirem caminhar sem precisar de novos sócios, às vezes a necessidade aparece, e como acionistas, é preciso saber aproveitar essas oportunidades.
Por enquanto, a tal candidata não passa de uma candidata, mas o fato de quase não ter empresas do setor listadas globalmente para mim já é uma boa notícia.
- Além de ALPK3, a série Microcap Alert é formada por outras nove ações da bolsa que, segundo os analistas da Empiricus Research, podem disparar e trazer lucros exponenciais nos próximos meses. Clique aqui para ter a chance de aumentar seu patrimônio com elas.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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