🔴 TOUROS E URSOS: PETRÓLEO EM DISPUTA: VENEZUELA, IRÃ E OS RISCOS PARA A PETROBRAS – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: O que acontece no pós-pânico?

Os eventos microeconômicos passam a demonstrar maior protagonismo: e o caos na Lojas Americanas evidencia isso, no maior caso de inconsistência contábil que se tem notícia no mercado de capitais brasileiro

16 de janeiro de 2023
11:55 - atualizado às 11:56
Americanas
Montagem com logo da Americanas - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Íamos no carro da minha ex-sogra para o aeroporto de Guarulhos. Sexta-feira, Marginal Tietê, fim de tarde. Desnecessário dizer: trânsito absurdo. Por alguma razão desconhecida (ainda busco uma explicação para isso), o ar condicionado estava desligado. Janelas abertas naquele calor de um dezembro típico. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Atravessamos sob uma das pontes quando subitamente minha visão periférica captura um sujeito caminhando muito rápido em nossa direção, saca um revólver de dentro da camiseta e ordena: “dá o celular”.

Eu estava no banco de trás, na janela oposta à intervenção. Meu ex-sogro, uma das pessoas mais serenas que já conheci, desembargador aposentado, culto, paciente e educado, à época perto dos seus 70 anos, era a interlocução mais imediata com o assaltante. 

Com o revólver apontado pra ele, a expectativa de todos ali era de que meu ex-sogro fosse entregar o celular rapidamente. Para surpresa de todos, ele empenha um soco no peito do ladrão e afirma: “este celular é meu, você não tem o direito de levá-lo”. 

Entendo o legalismo do desembargador, mas aquele momento pedia uma postura um pouquinho diferente. Recebeu de volta uma coronhada no braço e ameaças de um tiro na testa. Até que acabou entregando o celular, o assaltante saiu correndo, sob os berros fervorosos ao fundo daquele perplexo senhor: “ladrão, vagabundo, pilantra.” 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pânico e racionalidade

Conto a história para provar um ponto: na hora do pânico, não há muita diferenciação. Em boa parte das vezes, os mais serenos cedem às intempéries das emoções e agem em desacordo com a racionalidade. Em avião caindo, ateu reza até Salve-Rainha e oração do anjinho da guarda.

Leia Também

Em investimentos, é mais ou menos assim também. Se alguém grita fogo no cinema, todos correm para a saída, indiscriminadamente. Como lembra Taleb, o mercado é um grande teatro com uma porta pequena.

Diante de um choque exógeno inesperado, muitos ativos caem de maneira igual, sem muita distinção. A diferenciação ocorre no pós-pânico.

Se o argumento ainda não está claro, tento de outra forma: num primeiro momento, as coisas caminham muito em função do “beta”, ou seja, conforme a sensibilidade do ativo às condições sistêmicas, desconsiderando suas características idiossincráticas. O micro fica atrás do macro. Num segundo momento, entram as virtudes e os defeitos individuais e particulares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ações, joio e trigo

O mercado bateu indiscriminadamente desde o segundo semestre de 2021 nas ações brasileiras – exceção feita aos bancos, numa espécie de vingança à era das fintechs com os juros subindo, e às commodities, ativo real barato num mundo inflacionário e de oferta restrita.

Nessa fuga para as colinas, misturou o joio e o trigo no mesmo balaio.

Empresas ruins, fake techs, companhias que só funcionaram sob a excepcionalidade da Selic a 2% foram equiparadas a outros casos de empresas de qualidade que atravessavam um mau momento, quase como, no limite, insolvência e iliquidez se tornassem sinônimos perfeitos.

Feito o ajuste sistêmico, com a acomodação ao novo governo e a alternância entre mediocridade e pitadas de tragédia já no preço, possivelmente entremos num novo momento, em que o “alpha" passa a predominar sobre o “beta”, quando o stock picking (a escolha das ações corretas) passa a fazer a diferença.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O mundo nos oferece uma oportunidade para isso, seja pela desaceleração mais intensa à frente, seja pela reabertura de China, que coloca os mercados emergentes e os produtores de commodity em evidência.

O próprio início do Fórum em Davos hoje é uma chance nessa direção – goste você ou não, a mudança climática está lá entre os principais temas do evento e a presença de Marina Silva recoloca o Brasil no mapa do capitalismo woke e dos fundos interessados em ESG e na Amazônia em particular.

Enquanto isso, Haddad tem a oportunidade de mostrar-se aberto ao diálogo e representante de uma esquerda mais moderada (talvez até de forma mais surpreendente para alguns, ele tem se mostrado adepto da aritmética básica das contas públicas).

O protagonismo do ambiente corporativo

Alguns sinais de que o ambiente corporativo começa a demonstrar maior protagonismo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

01. BR Properties

BR Properties acaba de propor uma OPA para fechar o capital da companhia com prêmio de 141% sobre as cotações correntes (já assumindo a redução de capital planejada); mostra o quanto suas ações e todo o setor em geral estavam depreciados.

02. Ações da 3R Petroleum

As ações de 3R sobem 17% no ano – estamos apenas em 16 de janeiro. A companhia acaba de reduzir o número de diretores e unificar a cultura em prol de mais eficiência operacional e diminuição do risco de execução.

Havia um certo desalinhamento entre argentinos e brasileiros; agora, fica o time ex-Petro, alinhado e com mais transparência.

Dados de produção recém-anunciados mudam a companhia de patamar e são inclusive superiores aos de Petro Recôncavo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desconto sobre as demais do setor vai perdendo sentido e, se continuar executando, 3R pode ser um dos raros casos de multiplicação do capital no ano com liquidez. É uma de nossas principais posições.

03. Valorização das ações de Mitre

Com pouca cobertura e comentários, os papéis de Mitre se valorizam 38% em 2023. Haviam sido destruídos ano passado, por preocupação setorial (legítima), vendas um pouco abaixo do esperado e saída do SMAL.

Mas aqui está um caso claro de juntar coisas diferentes no mesmo balaio. Empresa foi tratada como um caso de distressed asset e não é o caso. A Companhia sabe operar em São Paulo, tem um management competente e bons produtos.

Valuation veio a níveis exageradamente baixos, valendo em Bolsa menos do que seu banco de terrenos. Veio um short squeeze no setor e a companhia apresentou ótimos dados de venda relativos ao quarto trimestre.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pode ser uma das grandes surpresas de dividendo no ano. Se lucrar R$ 115 M no ano (minha estimativa conservadora) e distribuir tudo (provável), é mais de 20% de dividendo.

04. A inconsistência contábil da Lojas Americanas

Se ainda restava dúvida da importância dos eventos microeconômicos, encerramos o assunto falando de Lojas Americanas. O maior caso de inconsistência contábil que se tem notícia no mercado de capitais brasileiro.

A companhia parece enveredar para o pedido de recuperação judicial, o que retiraria a empresa do Ibovespa e feriria de morte sua relação com bancos.

A ideia de que os ajustes são não-caixa não encontra respaldo na realidade. Pode até não haver de maneira direta e imediata, mas a reputação da companhia vai ao limbo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fornecedores já começam a interromper sua relação com a empresa, com medo de não receber. Vai faltar produto. Seca a venda e complica o capital de giro completamente.

Além disso, covenants vão pro espaço e bancos secam acesso a capital. Vira um ativo tóxico e, este sim, um caso de distressed. O aumento de capital ventilado, de R$ 6 bi, parece insuficiente para cobrir o rombo.

E se os operacionais já eram ruins com a agressividade contábil anterior, imagina se olhássemos os números certos…

Questão transborda a companhia, evidentemente. Pega os bancos credores, pode beneficiar concorrentes como Magalu e Mercado Livre e arrasta a credibilidade do 3G.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

ALL teve problemas sérios com sua contabilidade, exigindo posterior republicação de balanço. Então, o método Bernardo Hees de contabilidade foi exportado para o mundo. Lá fora a Kraft Heinz tem problemas semelhantes. E agora a Americanas…

Estamos short em AmBev aqui – a companhia já enfrentava um ambiente desafiador e agora pode ter sua reputação e seus controladores dragados por esse problema.

Não estamos falando de Americanas ou AmBev apenas. É o simbolismo dos grandes representantes vivos do capitalismo brasileiro e de todo o legado Lemann – Fundação Lemann, Fundação Estudar, Eleva… não há como apresentar-se em favor da formação de líderes competentes e éticos no Brasil enquanto se mostra conivente com 10 anos de contabilidade criativa.

Pesadelo Grande. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que a Azul (AZUL54) fez para se reerguer, o efeito da pressão de Trump nos títulos dos EUA, e o que mais move os mercados

13 de janeiro de 2026 - 8:38

Entenda o que acontece com as ações da Azul, que vivem uma forte volatilidade na bolsa, e qual a nova investida de Trump contra o Fed, banco central norte-americano

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O agente secreto de rentabilidade entre os FIIs, a disputa entre Trump e Powell e o que mais move o seu bolso hoje

12 de janeiro de 2026 - 8:28

Investidores também aguardam dados sobre a economia brasileira e acompanham as investidas do presidente norte-americano em outros países

VISÃO 360

A carta na manga do Google na corrida da IA que ninguém viu (ainda)

11 de janeiro de 2026 - 8:00

A relação das big techs com as empresas de jornalismo é um ponto-chave para a nascente indústria de inteligência artificial

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação para ter no bolso com o alívio dos receios envolvendo a Venezuela, e o que esperar da bolsa hoje

9 de janeiro de 2026 - 8:27

Após uma semana de tensão geopolítica e volatilidade nos mercados, sinais de alívio surgem: petróleo e payroll estão no radar dos investidores

SEXTOU COM O RUY

Venezuela e Petrobras: ainda vale a pena reservar um espaço na carteira de dividendos para PETR4?

9 de janeiro de 2026 - 6:12

No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groenlândia: veja como investir hoje

8 de janeiro de 2026 - 8:24

Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar