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Chernobyl: os níveis de radiação da antiga usina nuclear sobem após a invasão russa. E agora?

Militares de Moscou e Kiev entraram em acordo para monitorar em conjunto a área que foi palco do maior acidente nuclear da história

Imagem mostra uma das áreas desativadas da usina nuclear de Chernobyl, com escombros
Imagem de uma das áreas da antiga usina nuclear de Chernobyl - Imagem: Wendelin Jacober via Pexels

Como se todo o caos que o conflito armado provoca não fosse suficiente, a invasão russa à Ucrânia trouxe de volta um velho problema: Chernobyl. Na quinta-feira (25), a antiga usina nuclear foi tomada pelas forças de Moscou e agora níveis de radiação acima do normal começam a ser detectados.

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A agência nuclear da Ucrânia alertou nesta sexta-feira (26) que a radiação em Chernobyl excedeu os níveis de controle depois que as tropas russas assumiram a área.

Logo após a invasão, Mykhailo Podolyak, assessor do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, chegou a alertar sobre o perigo da situação. Na ocasião, ele disse que era  “impossível” considerar o reator fechado como seguro.

Podolyak descreveu o ataque das tropas russas como “sem sentido” e disse que representava “uma das ameaças mais sérias na Europa hoje”.

Será que Podolyak  tinha razão sobre Chernobyl?

Chernobyl foi palco de uma explosão e um incêndio em 26 de abril de 1986, quando a Ucrânia fazia parte da antiga União Soviética, e que levaram ao maior acidente nuclear da história.

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Embora tenha sido transformada em uma reserva natural, a região da usina é um dos locais mais radioativos do planeta.

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Avaliando hoje os níveis de radiação da usina, especialistas da agência nuclear estatal ucraniana disseram que a mudança se deve ao movimento de um grande número de máquinas militares pesadas levantando a camada superior do solo no ar.

De acordo com a Inspetoria Reguladora Nuclear Estatal da Ucrânia, no momento, a condição das instalações nucleares de Chernobyl e outras instalações permanece inalterada.

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Claire Corkhill, professora de materiais de resíduos radioativos da Universidade de Sheffield, disse à BBC que os russos estão entre os operadores nucleares mais experientes do mundo.

Provocação nuclear?

O Ministério do Interior da Ucrânia informou nesta sexta-feira que estava monitorando o aumento nos níveis de radiação e indicou que a situação não é crítica - pelo menos por enquanto.

Do lado russo, o Ministério da Defesa sinalizou que paraquedistas entraram em acordo com os militares ucranianos para garantir conjuntamente a segurança da instalação.

"As atividades conjuntas envolvendo paraquedistas russos e militares ucranianos... garantem que as unidades nacionalistas e outras organizações terroristas não poderão aproveitar os desenvolvimentos atuais no país para encenar uma provocação nuclear", disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, para a agência de notícias estatal russa Tass.

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Chernobyl e a zona de exclusão

A zona de exclusão de Chernobyl compreende uma área vasta e vazia de aproximadamente 1.600 quilômetros quadrados ao redor do reator que provocou o desastre e fica entre a capital Kiev e a fronteira Bielo-Rússia-Ucrânia.

Os outros três reatores da usina foram todos fechados em 2000 e desde então ela foi desativada.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, disse na quinta-feira que é “de vital importância que as operações seguras e protegidas das instalações nucleares naquela zona não sejam afetadas ou interrompidas de forma alguma”.

Já o órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas informou que está acompanhando o conflito na Ucrânia com “grave preocupação” e pediu “restrição máxima para evitar qualquer ação que possa colocar em risco as instalações nucleares do país”.

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