Nubank (NUBR33) tem prejuízo acima do esperado no 2º tri, e inadimplência continuou a se deteriorar; veja os destaques do balanço
Prejuízo líquido chegou a quase US$ 30 milhões, ante uma expectativa de US$ 10 milhões; inadimplência veio dentro do esperado, segundo o banco

O Nubank (NU; NUBR33) reportou um prejuízo líquido de US$ 29,9 milhões no segundo trimestre de 2022, um rombo maior que o esperado pelo mercado. Segundo os analistas ouvidos pela Bloomberg, a expectativa era de um prejuízo líquido na faixa dos US$ 10 milhões no período.
Trata-se de uma piora também em relação ao prejuízo de US$ 15,2 milhões reportado no segundo trimestre do ano passado. No entanto, houve uma melhora em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando o prejuízo líquido totalizou US$ 45,1 milhões.
Segundo o Nubank, as razões do resultado negativo são o aumento da remuneração baseada em ações e seus efeitos fiscais no trimestre.
O resultado ajustado - que desconsidera essas despesas e efeitos tributários relacionados à remuneração baseada em ações - foi de lucro de US$ 17 milhões, uma alta de 3% na comparação anual e um aumento de 68% na comparação trimestral.
Segundo o Nubank, embora não siga as regras internacionais de contabilidade (IFRS), esta é uma medida-chave de rentabilidade para avaliar o desempenho do negócio.
Inadimplência: o povo quer saber
Mas o indicador que mais interessa a analistas e investidores certamente é o de inadimplência. Neste quesito, o Nubank continuou na trajetória de deterioração, o que tem sido fonte de preocupação para o mercado.
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O índice de inadimplência acima de 90 dias aumentou 0,6 ponto percentual na passagem do primeiro para o segundo trimestre, chegando a 4,1%, em linha com as estimativas do banco.
Embora o indicador tenha ficado em 4,2% nos resultados divulgados ao fim do primeiro trimestre, a partir do segundo tri o Nubank passou a adotar uma metodologia diferente para o cálculo da inadimplência. Pela nova metodologia, a inadimplência do primeiro trimestre foi de 3,5%, e não de 4,2%, como reportado anteriormente. Assim, o que se verificou, na passagem do primeiro para o segundo tri, foi um aumento das dívidas com atraso de mais de 90 dias.
No 2T22, o Nu implementou uma nova Metodologia de Baixa para alinhar o crédito pessoal com a expectativa de recuperação de acordo com as orientações do IFRS. A nova metodologia antecipou a baixa de empréstimos pessoais em atraso de +360 dias para +120 dias, enquanto a baixa dos cartões de crédito permaneceu em +360 dias. Em ambos os produtos, o Nu aplica uma metodologia de baixa parcial, que significa que somente a parte referente à “recuperação esperada” do empréstimo baixado é mantida no balanço, no Estágio 3.
Release de resultados do Nubank no 2T22.
Segundo o Nubank, essa mudança reduz os índices de inadimplência acima de 90 dias, em virtude da eliminação de inadimplência de 121 a 360 dias tanto do numerador quanto do denominador desse cálculo, e aumenta a inadimplência de 15 a 90 dias para empréstimos pessoais, pois reduz o denominador do índice. Tais mudanças, porém, não têm nenhum impacto no resultado da instituição, pois essas baixas já haviam sido totalmente provisionadas.
Mesmo com a mudança na metodologia de cálculo, a inadimplência acima de 90 dias do Nubank segue consideravelmente superior à dos grandes bancos. No segundo trimestre, o indicador ficou em 2% no BB, 2,7% no Itaú, 2,9% no Santander e 3,5% no Bradesco. Todos esses bancos também viram uma variação trimestral no índice bem menor que o 0,6 ponto percentual do Nubank.
O banco digital no entanto destaca que a inadimplência inicial (entre 15 e 90 dias) permaneceu estável em 3,7%. Segundo a companhia, essa estabilidade sugere que o ciclo de normalização após a pandemia de covid-19 pode estar chegando ao fim.
Outros destaques do balanço do Nubank
O Nubank destaca ainda a receita recorde de US$ 1,2 bilhão no trimestre, alta de 230% na base anual neutro de efeitos cambiais, além de uma receita média mensal por cliente ativo de US$ 7,80, aumento de 105% na mesma base de comparação.
No segundo trimestre, o Nubank ganhou 5,7 milhões de novos clientes. A base de clientes apresentou um crescimento de 57% em relação ao segundo trimestre de 2021, atingindo 65,3 milhões de clientes.
O valor dos depósitos no segundo tri foi de US$ 13,3 bilhões, uma alta de 87% comparado com o mesmo período do ano anterior. Já o portfólio sujeito a ganho de juros foi de US$ 3,2 bilhões, aumento de 220% na mesma base de comparação. O índice de empréstimos/depósitos permaneceu em 24% no trimestre de abril a junho.
Ação NU sobe no after hours
As ações do Nubank (NU) negociadas na bolsa de Nova York (NYSE) reagem positivamente à divulgação dos números da companhia no after hours. Há pouco, os papéis subiam mais de 10%, para US$ 4,68.
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