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O banco central norte-americano anunciou a segunda alta de 0,75 ponto percentual seguida da taxa de juro, mas o mercado não se assustou com o calibre do aperto; entenda o que ajudou as bolsas a subirem
O mercado financeiro geralmente anda no fio da navalha. Basta um dado ou uma frase para que as bolsas subam ou despenquem. Nesta quarta-feira (27) também foi assim. O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, falou por cerca de 1h, mas uma declaração fez Wall Street disparar.
O banco central norte-americano anunciou na tarde de hoje um novo aumento de 0,75 ponto percentual (pp), colocando o juro na faixa entre 2,25% e 2,50% a ano.
Essa é a ação consecutiva mais rigorosa desde que o Fed começou a usar a taxa básica como principal ferramenta de política monetária, no início dos anos 1990.
Então por que as bolsas de Nova York dispararam diante de um aperto monetário tão agressivo?
A primeira coisa a se ter em mente é que o mercado já esperava uma elevação de 0,75 pp na reunião desta quarta-feira. Então, ninguém foi pego de surpresa apesar do calibre do aumento do juro.
A segunda é o efeito Powell. Toda decisão do Fed é seguida de uma coletiva do presidente do banco central norte-americano. É nesse momento que a autoridade monetária dá sinais do que está por vir e o que espera da economia.
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As bolsas em Nova York já operavam em alta antes da decisão do Fed, em boa parte embaladas pelos balanços das grandes empresas de tecnologia dos EUA.
Mas foi Powell começar a falar que Wall Street disparou, renovando máximas intradiárias. O Dow Jones avançou 200 pontos e o Nasdaq passou a subir 3%.
A disparada veio depois que o chefe do principal banco central do mundo disse que o ritmo de elevação da taxa de juros deve diminuir.
“Nos próximos meses vamos buscar evidências de que a inflação está desacelerando na direção de nossa meta. Vamos continuar subindo o juro, mas o tamanho do aumento depende dos dados que virão. Acreditamos que a tendência é de redução do grau do aperto”, afirmou Powell.
Apesar de ter dado esperanças aos investidores de que o Fed seguirá aumentando a taxa básica, mas em ritmo menor, Powell tentou manter os pés no chão.
“Não vamos medir esforços para trazer a inflação para a meta no longo prazo e se precisarmos ser mais agressivos do que já estamos sendo agora, não vamos hesitar”, disse ele.
A explosão dos ganhos em Nova York, no entanto, veio alguns minutos depois dessa sinalização de que o ritmo de aumento de juros pode abrandar.
Questionado sobre as chances de recessão nos EUA, Powell foi contundente ao negar que a economia dos EUA esteja nessa situação.
“A economia norte-americana vai desacelerar. E isso já iria acontecer porque o ritmo de expansão vinha forte. Agora temos um aperto monetário em andamento, então é natural que o crescimento econômico desacelere”, disse.
“Não existe um crescimento sustentável e acima do potencial sem a estabilidade de preços. Vamos perseguir isso e terá um custo: a desaceleração econômica. É um preço que temos que pagar por estar aumentando tanto o juro para controlar a inflação”, acrescentou.
O quadro pintado por Powell de ritmo menor de aumento da taxa básica somado à desaceleração econômica — e não uma recessão — fez o Dow Jones subir cerca de 500 pontos e o Nasdaq passou dos 4%.
Se Powell está certo ou não, não vai demorar para saber. Na quinta-feira (28), o governo norte-americano divulga o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do segundo trimestre. Será, literalmente, ver para crer.
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