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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Cosméticos

Quem é a Aesop, empresa que fez ação da Natura (NTCO3) disparar na bolsa nesta terça-feira?

Marca de melhor performance dentro do grupo Natura &Co, a Aesop nasceu na Austrália em 1987 e foi comprada pela brasileira em 2012

Flavia Alemi
Flavia Alemi
18 de outubro de 2022
15:22 - atualizado às 17:26
Produtos da Aesop, parte do grupo Natura & Co
Imagem: Reprodução

A Natura &Co (NTCO3) surpreendeu  o mercado na noite de ontem (17) ao anunciar uma avaliação para fazer uma oferta pública de ações (IPO) ou uma cisão (spin-off) da Aesop.

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O espanto veio em duas frentes: primeiro porque nem todo mundo sabe quem é a Aesop e segundo porque um mês atrás a própria Natura havia negado que estaria estudando um spin-off.

A julgar pelo comportamento da ação da Natura (NTCO3) nesta manhã, os investidores gostaram da novidade, já que os papéis disparam mais de 15%.

Mas, afinal, quem é a Aesop e por que os caminhos possíveis para a companhia foram tão bem recebidos pelos acionistas da Natura?

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Aesop: direto da Austrália

Foi com o cabeleireiro de origem grega Dennis Paphitis que a história da Aesop começou, em 1987. Dono de um salão de beleza na Austrália chamado Emeis, Paphitis criou uma marca de cosméticos de mesmo nome e começou a vender produtos para seus clientes.

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A demanda cresceu e, dois anos depois, Paphitis mudou o nome para Aesop porque Emeis tinha uma semelhança fonética com outra marca de cosméticos mais estabelecida.

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O nome Aesop (pronuncia-se “eisóp”) é a versão em inglês de Esopo, escritor da Grécia Antiga famoso por fábulas populares.

Com o tempo, a Aesop foi se especializando em fórmulas naturais e garante nunca ter feito testes em animais. A companhia também pode ser considerada vanguardista em relação a uma filosofia de reduzir a produção de lixo ao desenvolver embalagens que dispensam caixinhas de papel ou papelão.

A pegada ecológica, aliada à recente proposta das marcas de cosméticos de transformar a rotina de beleza num ritual, se traduziu numa marca com preços restritivos. 

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Aqui no Brasil, a única loja da marca está instalada na Rua Oscar Freire, em São Paulo, uma via conhecida por suas lojas luxuosas. Lá, é possível encontrar desde um frasco de demaquilante de 60ml por R$ 125 até um bálsamo aromático para as mãos de 500ml por R$ 510.

Natura começa expansão internacional

Em 2012, a Aesop chamou atenção da Natura, que também defende uma abordagem ecologicamente correta. Em dezembro daquele ano, a brasileira celebrou um acordo para adquirir 65% da australiana por US$ 68,25 milhões. 

O contrato estabelecia que ambas continuariam operando de maneira independente, mas estariam empenhadas em compartilhar estruturas e competências regionais. A compra também foi uma maneira da Natura obter exposição ao mercado asiático. Quatro anos depois, a Natura comprou 100% da Aesop.

Mas a brasileira não parou por aí. Almejando expandir ainda mais sua atuação global, a Natura comprou a The Body Shop em 2017 e a Avon em 2019.

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Dentro do grupo, a Aesop é a marca de melhor performance. Desde a aquisição, a receita da Aesop cresceu a uma taxa média de 20% ao ano. Suas margens de lucro também são maiores que as das outras verticais da companhia.

Porém, as aquisições elevaram a alavancagem financeira da Natura, cuja dívida líquida chegou a R$ 4,6 bilhões no 4º trimestre de 2019, antes da pandemia. Mas, apesar disso, os resultados trimestrais estavam razoáveis —- até que a crise chegou.

Com o cenário macroeconômico desafiado pela pandemia e, posteriormente, pela guerra na Ucrânia, a integração com a Avon se tornou ainda mais difícil do que já era. 

“Além disso, a recuperação das vendas na The Body Shop está aquém das expectativas. Por fim, a inflação e o dólar mais fortes têm pressionado os custos e a rentabilidade da companhia como um todo”, diz a analista da Empiricus Larissa Quaresma.

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Reorganização da Natura

Se os desafios já não eram poucos, poucos meses atrás a Natura se envolveu num episódio controverso. A empresa realizou encontros privados com analistas de mercado às vésperas da divulgação de resultados do primeiro trimestre com a intenção de “alinhar expectativas” sobre os números que estavam por vir.

A estratégia fez as ações da Natura despencarem no dia e o caso não passou despercebido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a xerife do mercado de capitais, que abriu dois processos administrativos.

Desde então, a Natura promoveu uma reorganização na diretoria. A mais recente foi no topo da pirâmide, com a chegada de Fábio Barbosa como novo CEO. Ex-presidente do Santander Brasil e do Grupo Abril, Barbosa substituiu Roberto Marques, que passou para o conselho de administração. 

A reorganização, segundo a Natura, tem o objetivo de aumentar as responsabilidades de cada uma das unidades de negócios, passando para uma estrutura mais simples.

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Assim, começaram a circular no mercado algumas ideias de mudanças, inclusive a possibilidade de uma cisão da Aesop. No mês passado, a Natura negou que essa hipótese estava em cogitação.

Spin-off ou IPO?

Mas, como sabemos, ontem (17) a Natura revelou que a possibilidade está, sim, em estudo. O grupo trabalha com dois caminhos possíveis para a Aesop: um IPO da marca ou uma separação do grupo que pode ser seguida de um IPO.

O objetivo é achar alternativas para financiar o crescimento da Aesop sem elevar a alavancagem da companhia. De acordo com analistas, as operações teriam potencial de destravar valor para os acionistas.

Tomando como base a avaliação média de comparáveis internacionais, a Aesop poderia ser listada a um valor de mercado de R$ 9 bilhões, o que representava metade do valor de mercado da Natura no fechamento de ontem, de acordo com a analista da Empiricus. Apesar do potencial da operação, a casa de análise não recomenda a compra da ação.

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Boa ideia, momento ruim

Para os analistas da XP, agora não é o momento ideal para seguir com as propostas. Isto porque a Aesop está num ciclo pesado de investimento para entrar na China, algo que pressiona a rentabilidade no curto prazo. E, apesar de ser a principal avenida de crescimento da Aesop, a China passa por um período desafiador. 

Além disso, a listagem da Aesop provavelmente aconteceria nos Estados Unidos, em um momento em que o mercado acionário norte-americano está tumultuado devido à alta da inflação e aos riscos de recessão.

A XP também avalia que a notícia abre caminho para novos anúncios de reestruturação da empresa. A expectativa é de que os próximos sejam a fusão da Natura LatAm e da Avon Internacional numa só unidade de negócio e a venda da The Body Shop. A XP tem recomendação de compra para as ações da Natura.

Para o Itaú BBA, o principal aspecto negativo de um possível IPO da Aesop é que a Natura ficaria com uma porção menor de um ativo muito bom. Mas, por outro lado, a operação teria capacidade de reduzir a alavancagem num momento em que o mundo passa por aumento das taxas de juros. 

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“Apesar de entendermos que vender uma porção do melhor ativo do grupo pode ser visto como um movimento questionável, acreditamos que os prós superam os contras”, afirmaram analistas do Itaú BBA em relatório.

Para o Goldman Sachs, o IPO ou spin-off da Aesop poderia fazer os papéis da Natura subirem 50% acima do preço-alvo que a casa tem estabelecido para a ação, de R$ 17. Ontem a ação da Natura fechou a R$ 12,99.

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