Como os bancos de Wall Street estão driblando as sanções contra Rússia e negociando no país
Goldman Sachs, JP Morgan e Deustche Bank são os primeiros a anunciar que estão deixando o país e podem ser seguidos por outras instituições financeiras globais

O Goldman Sachs foi o primeiro dos bancos globais a dizer que estava deixando a Rússia por conta da guerra na Ucrânia. Logo depois, o JP Morgan seguiu os mesmos passos. Outros gigantes do setor financeiro mundial como Deutsche Bank também estão cortando laços com Vladimir Putin, mas ainda assim encontraram um jeito de fazer negócios no país.
Uma lista com mais de 200 empresas internacionais já suspenderam suas atividades na Rússia. As pesadas sanções dos Estados Unidos e de seus aliados para frear as tropas russas na Ucrânia tornou quase impossível a realização de negócios.
Também pesam sobre esses conglomerados os prejuízos à imagem corporativa em um país ligado à invasão de outro.
O que chama atenção no caso do setor financeiro é que raramente bancos, seguradoras e gestores de ativos fazem declarações políticas, mas o que se vê agora são grandes instituições lutando para se distanciar da Rússia e avaliar suas exposições.
Uma saída na guerra
Embora estejam de saída da Rússia, os grandes bancos norte-americanos e europeus encontraram um caminho para manter as negociações no país.
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O Goldman, por exemplo, está vendendo dívida russa para fundos de hedge. A negociação em mercados secundários é permitida sob sanções dos Estados Unidos.
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Um porta-voz do Goldman disse à NBC News que o banco “não está se envolvendo em nenhuma nova negociação de títulos com entidades russas no país”.
Os bancos europeus estão ainda mais enredados com a Rússia. O CFO do Deutsche Bank, James von Moltke, disse na quinta-feira (10) que não era “prático” fechar seus negócios na Rússia.
Mas o gigante alemão não aguentou a pressão e nesta sexta-feira (11) acabou anunciando o encerramento de seus negócios na Rússia.
Bancos já haviam saído da Rússia antes
Os grandes bancos dos Estados Unidos haviam se retirado da Rússia após a anexação da Crimeia, em 2014.
O único grande banco norte-americano que manteve uma presença significativa no país é o Citigroup, que tem cerca de 3.000 funcionários e quase US$ 10 bilhões em exposição à Rússia.
O Citi - que colocou à venda sua divisão de consumo na Rússia no ano passado - disse na quarta-feira (09) que iria avaliar suas operações no país.
- Goldman Sachs: a exposição total ao crédito era de US$ 650 milhões no final de 2021. O banco tem cerca de 80 funcionários na Rússia e está providenciando a saída daqueles que pediram para deixar o país;
- JP Morgan: detém ativos para alguns clientes na Rússia e tem mais de 100 funcionários lá, mas o negócio não era grande o suficiente para figurar entre seus 20 principais mercados;
- Deutsche Bank: a exposição de risco de crédito à Rússia e à Ucrânia é de 2,9 bilhões de euros, mas o banco alemão começou a reduzir essa exposição nas últimas duas semanas.
Qual banco é o próximo da fila?
É difícil fazer uma previsão sobre qual será o próximo grande banco a anunciar sua saída da Rússia por conta da guerra, mas o italiano UniCredit e o francês BNP Paribas já divulgaram que têm bilhões de euros em risco no país.
Além disso, as gestoras de ativos estão também sujeitas a grandes baixas contábeis. A BlackRock, por exemplo, está com perdas de US$ 17 bilhões em títulos russos mantidos por seus clientes, segundo o Financial Times.
Em um cenário extremo, os bancos podem perder tudo se Moscou confiscar ativos e as sanções tornarem os títulos relacionados à Rússia sem valor.
As reverberações financeiras da turbulência induzida pelas sanções também podem atingir as empresas financeiras sem exposição direta à Rússia, já que a volatilidade, a inflação e outros efeitos lançam uma sombra sobre os mercados globais.
*Com informações do Financial Times e do The New York Times
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