Uma guerra mundial vem aí? Para o chefe do Estado-Maior dos EUA, o risco é cada vez maior
Em mais um sinal da tensão disseminada pela guerra, a Austrália anunciou hoje que gastará US$ 2,6 bilhões para modernizar defesa antimísseis

O risco de a invasão da Rússia pela Ucrânia degringolar e transformar-se numa terceira guerra mundial está aumentando ao invés de diminuir.
A avaliação é do general Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA.
Risco de guerra só cresce
"Estamos entrando em um mundo que está se tornando mais instável e o potencial para um conflito internacional significativo está aumentando, não diminuindo”, advertiu o general durante seu primeiro testemunho perante o Congresso dos Estados Unidos desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Acompanhado do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, Milley defendeu a abordagem norte-americana em relação à guerra e ao envio de armas à Ucrânia pelo governo dos Estados Unidos.
Nas palavras do general, a invasão da Ucrânia pela Rússia é "a maior ameaça à paz e segurança da Europa e talvez do mundo" em seus 42 anos de serviço militar.
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Alguma coisa tá fora da ordem
A fala de Milley perante o Congresso traz à tona aspectos mais delicados de uma guerra que, no entender das grandes potências da atualidade, tem a Ucrânia apenas como ponta de lança.
"Estamos agora enfrentando duas potências globais: China e Rússia, cada uma com capacidades militares significativas, ambas pretendem mudar fundamentalmente as regras baseadas na ordem global atual", acrescentou Milley.
De fato, o avanço militar russo sobre o território ucraniano ocorre em um momento no qual a hegemonia global dos EUA começa a ser frontalmente contestada pela China, que tem encontrado na Rússia um aliado na busca pelo estabelecimento de uma nova ordem mundial.
Enquanto a atual hegemonia norte-americana depende de um mundo unipolar, a China propaga a intenção de desenvolver uma ordem multipolar - ou seja, com múltiplos pólos de poder regionais.
Entretanto, a maioria dos analistas considera mais provável que a disputa entre EUA e China resulte em uma nova ordem bipolar, nos moldes da antiga Guerra Fria entre Washington e Moscou.
Tambores da guerra ecoam pelo mundo
Hoje, em mais um dos muitos sinais recentes de internacionalização do conflito no leste europeu, a Austrália anunciou que gastará US$ 2,6 bilhões para atualizar seus sistemas de defesa antimísseis.
Em entrevista à Sky News, o ministro da Defesa da Austrália, Peter Dutton, disse que o país oceânico está “francamente muito preocupado" com a presença naval chinesa no Oceano Pacífico.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China acusou a Austrália, os EUA e o Reino Unido de insuflarem as tensões regionais.
"A parceria de segurança trilateral é um velho truque da camarilha anglo-saxônica, que não consegue abandonar a mentalidade da Guerra Fria nem a política do bloco, provocando confrontos militares e atirando facas nos outros", disse Wang Wenbin, porta-voz da chancelaria chinesa.
China pede investigação de massacre em Bucha
E enquanto a guerra na Ucrânia não dá sinais de arrefecer, a China defendeu a investigação do massacre em Bucha.
O governo ucraniano acusa a Rússia de ter promovido a matança de centenas de civis enquanto se retirava da cidade no norte do país, em março.
Por sua vez, Moscou acusa Kiev de ter encenado um massacre, posicionando corpos nas ruas e filmado as cenas depois da retirada russa.
Enquanto o presidente norte-americano, Joe Biden, chamou seu homólogo russo, Vladimir Putin, de ser um criminoso de guerra, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu uma investigação independente, capaz de garantir responsabilização efetiva dos culpados.
*Com informações da CNN e da Associated Press.
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