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Ex-tesoureiro do Bradesco, Alfredo Menezes avalia que a inflação não permitirá que o BC encerre o ciclo de aperto na Selic na quarta (4).
Nem os 40 anos de experiência com operações de risco puderam preparar Alfredo Menezes, sócio-fundador da gestora de fundos Armor Capital, para o susto que levou em março deste ano.
Mas não foi a queda repentina do dólar ou a alta da bolsa naquele momento que abalaram o experiente gestor e ex-tesoureiro do Bradesco. Foi uma moto aquática.
O veículo que pilotava simplesmente explodiu e enviou Menezes diretamente para o hospital, onde teve de passar por uma cirurgia na bacia.
Em recuperação desde então, o gestor responsável por mais de R$ 300 milhões em recursos já voltou a analisar o mercado diretamente da Armor, no Jardim Europa, em São Paulo.
E o que ele tem visto não é exatamente bom.
Pensa em nascer de novo. Isso era uma Yamaha shvo. Deus me protegeu muito. pic.twitter.com/3562uYGoPK
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— Alfredo Menezes (@AlfredoMenezes6) March 23, 2022OPERAÇÃO CONCORRÊNCIA SIMULADAFraude em concursos públicos: Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva
Apesar do Banco Central ter sinalizado que o aumento de 1 ponto percentual na Selic previsto para a reunião desta semana — que levaria a taxa básica de juros para 12,75% ao ano — será o fim do ciclo de alta, Alfredo não está convencido disso.
Isso porque a expectativa de inflação vem se deteriorando a cada nova divulgação de indicadores da alta de preços — apesar do relativo alívio com o IPCA-15 de abril.
“A inflação não tem mostrado grande alívio. A gente pode ver a Selic mais próxima de 14%”, diz Alfredo, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Na semana passada, dois índices de inflação mostraram que a alta de preços ainda continua forte.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 1,73% em abril. Embora tenha fica pouco abaixo das expectativas do mercado, trata-se da maior alta para o mês desde 1995.
Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou de 1,74% em março para 1,41% em abril.
Tudo isso indica para Menezes que, além da alta de 1 p.p. na quarta-feira (4), o BC deve elevar a Selic em mais 1 p.p. nas próximas reuniões.
A dose, de acordo com o gestor, deve se dividir em duas altas de 0,5 p.p. Assim, a Selic chegaria ao fim do ciclo de alta a 13,75% em vez dos 12,75% previstos.
Outra questão que deve adicionar pressão sobre o BC é a disparada recente do dólar. Em poucos pregões, a moeda americana apagou boa parte das perdas que vinha acumulando desde o início do ano.
Durante o carnaval fora de época da semana retrasada, veio o primeiro golpe: uma alta de 4% na ponte de feriado, mesmo com intervenção do Banco Central.
Entre os analistas, houve quem arriscou dizer que chegou ao fim o ciclo de queda da moeda americana — e quem viu o dólar continuar a trajetória de alta na semana passada teve certeza disso.
“O dólar já ajudou [na inflação] o que tinha para ajudar”, diz Menezes.
Para o gestor, a moeda deve encerrar 2022 próximo de R$ 5,20, principalmente porque no final do ano o fluxo de estrangeiros piora.
A previsão do sócio da Armor está acima da visão do mercado refletida no Relatório Focus, que na semana passada previa o dólar a R$ 5,00 no final deste e do próximo ano.
Se tem algo que pode mudar as projeções do ex-tesoureiro do Bradesco são as eleições presidenciais de outubro. Não por uma eventual vitória de Lula ou Bolsonaro, mas sim pelo nome do escolhido para ocupar o cargo de ministro da Economia pelo vencedor.
“Acho que o mercado não se assusta mais com Lula nem Bolsonaro. O que pode assustar, caso Lula seja eleito, é ele ter um ministro mais à la Guido Mantega”, afirma.
Ele frisa que ambos os candidatos à presidência têm um viés populista e, na atual situação fiscal, seria impossível cumprir promessas populistas sem aumentar a carga tributária dos brasileiros.
Assim, o mais indicado, na visão do gestor, seria um ministro mais aos moldes de Henrique Meirelles, que presidiu o BC nos anos Lula e assumiu o comando da economia no governo Temer.
Em meio a esse contexto de Selic e inflação altas, os fundos da Armor estão com exposição zerada na bolsa norte-americana e com uma posição reduzida na B3, comprados em alguns setores, como saúde e logística.
“Não estamos animados com bolsa. Até achamos que tem empresas muito baratas, mas o carrego está caro demais”, diz.
Assim, as principais fontes de ganhos estão nas posições em moedas e juros curtos, de menos de um ano.
“Estamos short [posição vendida] em peso mexicano e uma operação interessante agora é ficar long [comprado] em real”, diz Alfredo.
O Armor Axe, principal fundo da casa, está com rentabilidade acumulada de 21,85% em 12 meses até 27 de abril, contra 7,05% do CDI (indicador de referência) no mesmo período. Em março, a maior contribuição para os ganhos do mês foi justamente do livro de moedas.
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