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A Moldávia é um pequeno país localizado no Leste Europeu que faz fronteira com a Ucrânia e que conta com uma região separatista aliada à Rússia; saiba mais sobre a situação
Já faz três semanas desde que o mundo acordou ao som de bombardeios no Leste Europeu. Mas, se alguém apostava que o presidente da Rússia fosse se contentar com a invasão na Ucrânia, analistas trazem péssimas notícias: Putin pode já estar de olho em seu novo alvo, e os moldavos que se preparem.
De acordo com uma reportagem da CNBC, analistas acreditam que a Moldávia, outro país do Leste Europeu, pode ter entrado na mira do presidente russo.
“Se o conflito escalar além da Ucrânia, a Moldávia é um dos lugares mais bem classificados na lista”, disse Adriano Bosoni, diretor de análise da Rane, à CNBC.
Essa preocupação, porém, não é de agora. Desde o avanço das tropas da Rússia no país de Volodymyr Zelensky, as autoridades moldavas já vinham expressando preocupação sobre a crise na região.
“Ontem de manhã, acordamos em um mundo novo, mais violento, mais incerto, mais instável. É um mundo onde a guerra não provocada está cobrando seu preço perto de nossas fronteiras”, disse a presidente da Moldávia, Maia Sandu, um dia depois da invasão do país vizinho.
Sei que você deve estar se perguntando “Mas o que bulhufas a Moldávia tem a ver com a Rússia e o que está acontecendo na Ucrânia?”.
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Toda essa situação tem uma longa história, que deixa o pequeno país europeu basicamente sob os holofotes de Vladimir Putin. Vou explicando do começo.
A ex-república soviética Moldávia é um país sem litoral localizado na fronteira ocidental da Ucrânia, que depende totalmente da Rússia como fonte de energia, uma vez que 100% de seu gás e 80% de sua eletricidade tem origem russa.
Entre a Moldávia e a Ucrânia, ainda existe a Transnístria, uma região que considera-se independente da Moldávia.
A relação da Transnístria com a Rússia começou lá perto de 1919, quando o território foi incorporado à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).
De lá pra cá, muita coisa aconteceu, mas o país de Vladimir Putin ainda mantém fortes relações com a região separatista, inclusive fornecendo gás natural gratuitamente para o território aliado.
Hoje, existem cerca de 1.300 soldados da Rússia acampados na Transnístria e um estoque de 20 mil toneladas de munição, um dos maiores depósitos de armas da Europa, localizado bem na fronteira com a Ucrânia.
Como essas munições são sobras de combates que aconteceram na região durante os anos 1990, cerca de 11 mil toneladas estão vencidas, o que resulta em apenas 9 mil toneladas utilizáveis, de acordo com Nicu Popescu, ministro das Relações Exteriores da Moldávia.
O presidente Vladimir Putin já deixou registrado seu apoio para o líder da Transnístria, mas não deu indícios de reconhecer o território como um estado independente, como fez com Donetsk e Lugansk, na Ucrânia.
“Para mim, é super interessante que a Rússia ainda não tenha reconhecido a Transnístria como uma república independente da mesma forma que fez com Lugansk e Donetsk”, disse Adriano Bosoni.
Se isso acontecesse, porém, seria um claro indício de que Putin estaria considerando levar os conflitos da Ucrânia até a Moldávia.
E, para o jornalista Thomas de Waal, caso as tropas russas avançassem na região separatista, não seria possível mandá-las embora.
"Se os russos aparecerem, eles dirão 'Você nos deve', e a Transnístria seria incapaz de dizer não", disse ele.
Para Adrian Bosoni, ainda não existem sinais definitivos de que o presidente russo esteja planejando a invasão à Moldávia, que seria uma “situação de baixa probabilidade e alto risco”.
Mas, se a Rússia realmente caminhar por esse caminho, os 2,6 milhões habitantes da Moldávia e os 350 mil imigrantes ucranianos que se refugiaram lá estariam sob dificuldades.
Devido à sua localização, uma ofensiva à Moldávia poderia criar uma alternativa para Putin na hora de invadir a Ucrânia, uma vez que abriria uma porta dos fundos para o sudoeste do país de Zelensky, de acordo com Clinton Watts, pesquisador do Foreign Policy Research Institute.
Além disso, o pesquisador destacou os possíveis planos do líder da Rússia: “Acho mais provável que ele queira tomar o sul da Ucrânia e se reunir com a Transnístria, usando isso como uma plataforma de lançamento para conquistar a Moldávia”, acrescentou Watts.
Mas, para Nicu Popescu, ministro das Relações Exteriores da Moldávia, ainda não existem indícios de qualquer ofensa à Ucrânia por parte da Transnístria.
“Não vemos sinal de que a região da Transnístria, tanto suas forças de segurança locais quanto dos militares russos acampados no território, tenha intenção de começar uma ação militar na Ucrânia.”
Mesmo assim, Popescu alertou: “precisamos estar preparados para todos os riscos possíveis e vai depender muito do curso da guerra na Ucrânia”.
*Com informações de CNBC e Global News CA
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