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A estatal russa Gazprom vai reduzir o fornecimento do combustível em 20% para a Alemanha; Kremlin afirma que a medida é resultado de questões de "manutenção" e das sanções ocidentais

Os ânimos amigáveis de Putin duram pouco e têm prazo de validade. Há menos de uma semana que o presidente russo voltou a permitir a exportação de grãos da Ucrânia — após acordo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) —, mas os laços com a União Europeia ainda seguem com nós, sem muita chance de desatá-los.
A Rússia informou que cortará o fornecimento de gás natural para a Europa a partir de quarta-feira (27). Para a União Europeia, a medida é uma retaliação aos países que apoiam a Ucrânia. O Kremlin, por sua vez, afirma que a interrupção é o resultado de questões de manutenção e sanções ocidentais.
Ontem, a produtora estatal russa de energia Gazprom disse que as exportações da commodity pelo gasoduto Nord Stream 1 cairá para cerca de um quinto da capacidade total.
Ou seja, a previsão é de entrega de apenas 33 milhões de metros cúbicos da capacidade de 160 milhões de metros cúbicos por dia. A medida deve atingir principalmente a Alemanha.
Em contrapartida, a União Europeia (UE) fechou um acordo na semana passada para reduzir o consumo de gás em 15%, em temor ao risco crescente de interrupção total do fornecimento russo.
O corte de gás natural é uma ameaça entre os dois lados: por um lado, a Europa quer reduzir a dependência da commodity russa, além de ser uma forma de sancionar Putin. Por outro, a Rússia aumenta a pressão contra os países europeus para revogar as sanções.
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De fato é que a redução da oferta do gás natural resulta, entre os fatores, na alta dos preços dos combustíveis. Além disso, uma interrupção nos fluxos para UE pode reduzir até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco econômico durante o inverno.
Antes da guerra, que já dura cinco meses, a Rússia e a Ucrânia eram responsáveis por um terço das exportações de trigo no mundo.
Mas com os sucessivos ataques ao país ucraniano e a tomada das regiões litorâneas pela Rússia, o fornecimento foi interrompido. As forças militares de Putin estavam bloqueando o mar Negro, onde estão localizados os silos de grãos nos principais portos ucranianos. Cerca de 20 milhões de toneladas da commodity estão presas.
Na última sexta-feira (22), porém, houve o primeiro avanço nas negociações entre os dois países. Moscou e Kiev assinaram um acordo, apoiado pela ONU e com intermediação da Turquia, que permite a retomada das exportações e afasta o temor da falta de alimentos do mundo.
Contudo, parece que o acordo ainda não saiu do papel. No dia seguinte, a Ucrânia sofreu ataques de mísseis de cruzeiros russos no sul do país, sendo que um dos artefatos foi disparada em direção ao Mar Negro — a infraestrutura portuária de Mykolaiv foi danificada.
Os contratos futuros de gás reagem em forte alta na Europa nesta manhã em reação à ameaça de novos cortes no fornecimento da Rússia à região.
Por volta das 09h20 (de Brasília), o gás para agosto negociado na Intercontinental Exchange (ICE) subia 12,15% a US$ 359,43.
A commodity subiu mais de 77% no mês, atingindo o nível mais alto desde julho de 2008.
*Com informações de Bloomberg, CNBC, Estadão Conteúdo e Reuters
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