Por que o níquel disparou 70% durante a madrugada — e o que isso significa para a indústria que depende dele
Além da fabricação de moedas, baterias recarregáveis e bijuterias, o níquel é utilizado em ligas de aço para espaçonaves

Enquanto os olhos do mundo se voltam para investimentos menos arriscados, como o ouro, ou acompanham a cotação de commodities, como o petróleo e o minério de ferro, um outro material despontou na bolsa de Londres durante a madrugada: o níquel.
A matéria-prima de moedas e bijuterias teve uma disparada no preço de 73,02% durante as primeiras horas do pregão na Europa, renovando as máximas históricas, aos US$ 86.692 por tonelada.
O último recorde de preço havia sido registrado em 2007, quando o níquel atingiu os US$ 49.603.
[captacao]
O que aconteceu com o níquel?
A escalada do conflito fez com que Estados Unidos e União Europeia (UE) iniciassem diversas sanções econômicas contra a Rússia. As medidas incluem o cancelamento da exportação do petróleo, gás e outros materiais do gigante do leste europeu — entre eles, o níquel.
E o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) tem uma péssima notícia: a Rússia é o maior produtor de níquel do mundo, servindo cerca de 10% da necessidade global da matéria-prima, com uma reserva que corresponde a pouco mais de 16% de todo o mundo.
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Antes de continuar, um convite: no Instagram do Seu Dinheiro (clique aqui para seguir), explicamos por que, na palavra de um gestor de investimentos, a terceira guerra mundial já começou, o que pode pressionar as cotações das commodities metálicas, visto que a Rússia é uma importante exportadora dessas matérias-primas.
Confira abaixo e aproveite para nos seguir na rede social. Lá entregamos aos leitores insights de investimento, riscos do mercado financeiro, oportunidades da Bolsa e dicas de carreira e empreendedorismo.
Voltando ao assunto, níquel vai além de anéis e colares
O uso do níquel no dia a dia pode não ser afetado diretamente pela alta de hoje, mas a indústria que depende dele pode sofrer no longo prazo.
Além de moedas e colares, o metal é utilizado em baterias recarregáveis e em ligas de aço super resistentes, como aquelas utilizadas pela engenharia aeroespacial.
Assim sendo, o tão sonhado futuro dos carros elétricos, que dependem desse tipo de baterias, pode ficar para trás, enquanto o desejo dos bilionários na corrida pelo espaço também não deve decolar.
Até onde vai a alta?
Com o avanço das sanções de Estados Unidos e UE, fica difícil especificar quando o níquel voltará a ser negociado em patamares mais baixos.
A expectativa é de que todas as demais commodities relacionadas com a Rússia — além do níquel, o petróleo e o gás natural — retornem aos patamares conhecidos após uma resolução pacífica do conflito.
Dá pra investir em níquel na B3?
Se você pretende comprar contratos futuros em níquel na B3, como acontece na bolsa de Londres, pode esquecer.
A bolsa brasileira disponibiliza um número limitado de commodities para investir, sendo elas o boi gordo, milho, café, soja, açúcar e etanol.
Existem bolsas específicas para commodities nos Estados Unidos, como é o caso da CME, nos EUA, ou da própria London Metal Exchange (LME), a bolsa de metais inglesa.
Mas há duas opções indiretas para entrar no mercado de commodities metálicas. A primeira delas é aplicar seu dinheiro em um fundo com exposição a matérias-primas ou investir em empresas de mineração.
Se você leu até aqui, saiba também que temos no nosso Instagram um post sobre como bilionários russos estão perdendo rios de dinheiro com a guerra encabeçada pela Rússia. Um deles é um político russo. Clique aqui para nos seguir e confira a publicação abaixo:
*Com colaboração de Filipe Fradinho, analista da Vítreo
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