Na “Copa do PIB” de 2022, Brasil deve ficar atrás de Colômbia, Argentina e México em crescimento
OCDE baixou a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 1,4% para 0,6%, abaixo da média mundial, conforme relatório publicado nesta quarta-feira (08)

Na “Copa do Mundo” do crescimento econômico, o Brasil deve ficar atrás dos colegas latino-americanos México, Argentina e Colômbia e bem abaixo da média global. A estimativa é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Depois da forte recuperação vista em 2021, o PIB brasileiro deve desacelerar significativamente neste ano.
A OCDE baixou a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 1,4% para 0,6% em 2022, conforme relatório publicado nesta quarta-feira (08). E para 2023, a previsão caiu de 2,1% para 1,2%.
Mas quais são os motivos dessa revisão para baixo feita pela OCDE? Segundo a organização, "o aumento da inflação, a guerra na Ucrânia e as condições financeiras mais apertadas corroeram o sentimento econômico e o poder de compra, o que deve afetar fortemente a demanda doméstica”.
Além disso, a recuperação do mercado de trabalho brasileiro tem sido lenta, com taxa de participação e de renda real abaixo dos níveis pré-pandemia.
As eleições no fim do ano também adicionam incertezas ao cenário e ajudam a manter o investimento moderado até 2023, observa a OCDE.
PIB menor, juro maior
Se as pressões inflacionárias persistirem, o Banco Central deve continuar elevando a taxa básica de juros. A OCDE projeta que a taxa Selic suba dos atuais 12,75% para 13,25% ao ano a partir da próxima reunião a respeito da política monetária.
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Para a organização, “a taxa Selic deve permanecer em 13,25% até o início de 2023 e então diminuir lentamente ao longo do ano, à medida que os efeitos defasados dos aumentos recentes são finalmente sentidos".
As recomendações da OCDE para o Brasil
Com o aumento nos preços dos alimentos e da energia, a instituição defende programas sociais para proteger a população mais vulnerável.
Além disso, o relatório afirma que são necessários esforços adicionais para melhorar o direcionamento e a eficácia dos gastos públicos, "para permanecer consistente com uma gestão fiscal sólida". A OCDE também incentiva que o Brasil continue com suas reformas "ambiciosas" para garantir sustentabilidade fiscal e evitar que as taxas de pobreza subam.
A organização recomenda ainda maior exploração das fontes de energia eólica e solar para complementar a hidrelétrica.
E o resto do mundo? OCDE também baixa projeção para o PIB global
A OCDE cortou a projeção de crescimento da economia mundial em 2022. Se em dezembro do ano passado esperava-se um crescimento de 4,5%, agora espera-se de 3%. Já para 2023, a previsão é que o PIB global cresça 2,8%.
Para o G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, a OCDE prevê crescimento de 2,9% neste ano e de 2,8% no ano que vem.
Na América Latina, em 2022, o México deve avançar 1,9%, a Argentina 3,6% e a Colômbia 6,1%.
Projeções para o PIB dos Estados Unidos
Para os EUA, espera-se alta de 2,5% do PIB neste ano e 1,1% no próximo.
De acordo com a OCDE, o fim de medidas de auxílio à população ligadas à pandemia significará que a política fiscal terá influência na contração econômica, ainda que gastos fiscais acumulados compensem parcialmente esse efeito.
A organização defende que as autoridades americanas estejam prontas para fornecer apoio temporário a grupos vulneráveis, caso aconteça uma forte desaceleração econômica inesperada.
Projeções para o PIB da China
Para a China, a previsão de crescimento é de 4,4% em 2022 e 4,9% em 2023.
Na China, a política “Covid zero” segue pesando. Além de influenciar a redução do crescimento, a política impacta toda a economia global, inclusive o Brasil, que possui fortes relações comerciais com a potência asiática.
O relatório da OCDE cita que, em meio a "ventos contrários crescentes", o crescimento da China será apoiado pelo investimento na transição energética e pela antecipação de projetos de infraestrutura.
Projeções para o PIB da zona do euro
Na zona do euro (composta pelos países da União Europeia que adotam o euro como moeda oficial), a projeção é de crescimento de 2,6% neste ano e 1,6% no ano que vem. A OCDE observou que o crescimento da região deve ser fortemente impactado pela guerra na Ucrânia e pelos lockdowns na China.
“O preço da guerra na Ucrânia é alto e terá de ser partilhado”, afirma OCDE

No relatório, a organização afirma que o mundo vai pagar um preço "muito alto" pela guerra entre Rússia e Ucrânia, com custos que podem se mostrar ainda maiores ao longo do tempo.
Os dois países do conflito são grandes exportadores de commodities. Com a guerra, os preços de alimentos e energia subiram no mundo todo, inclusive no Brasil. Para a OCDE, está claro que os mais pobres serão os mais atingidos. "O preço da guerra é alto e terá de ser partilhado”, diz o documento.
A OCDE traçou um efeito dominó do cenário atual: a inflação elevada corrói a renda disponível e o poder de compra das famílias, o que reduz o consumo. Enquanto isso, a incerteza desencoraja investimentos empresariais e ameaça a redução da oferta nos próximos anos.
A instituição destacou ainda que as políticas fiscais e monetárias precisarão se ajustar às circunstâncias extraordinárias. Como prioridade, a OCDE ressaltou a urgência de evitar uma crise de alimentos e a necessidade de lidar com a inflação e seus efeitos.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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