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FOGO AMIGO

Itália sem líder: por que Mario Draghi caiu — e como fica a terceira maior economia da Europa?

Primeiro-ministro italiano renunciou ao cargo pela segunda vez — agora definitivamente; o presidente do país dissolveu nesta quinta-feira (21) o parlamento

Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e primeiro-ministro da Itália - Imagem: Shutterstock

Mario Draghi não deixou de cumprir suas promessas de governo e estava trabalhando para colocar a Itália nos trilhos após a pandemia de covid-19. Mas o primeiro-ministro não conseguiu escapar do fogo amigo e acabou deixando o cargo nesta quinta-feira (21). 

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A renúncia do homem que já comandou o Banco Central Europeu (BCE) veio acompanhada da dissolução do parlamento pelo presidente do país, Sergio Mattarella. Então, o que acontece agora com a terceira maior economia da Europa?

Para saber o que vem pela frente, é necessário dar um passo atrás para entender os detalhes da queda de Draghi. 

Fogo amigo acerta Mario Draghi

Draghi tornou-se primeiro-ministro da Itália em fevereiro de 2021. Sem experiência prévia na política, o economista tinha dois principais objetivos: acelerar a campanha de vacinação contra a covid-19 e preparar um plano nacional para utilizar os quase 200 bilhões de euros destinados à Itália pelo fundo da União Europeia (UE) para o período pós-pandemia. 

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Draghi alcançou as duas metas e, por isso, a expectativa era de que ele comandasse o país até o fim do mandato, no primeiro semestre de 2023.

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Mas, com o pior da pandemia no espelho retrovisor e a proximidade das eleições, Draghi passou a ser alvo de fogo amigo dentro da base aliada — especialmente do Movimento 5 Estrelas (M5S) e do Liga. 

Esses dois partidos encontram dificuldades de manter o discurso populista em meio a um governo de um banqueiro central que tinha cumprido suas principais promessas. 

Draghi já tinha desistido antes

Conhecido por seu estilo de poucas palavras e direto ao ponto quando comandou o BCE, Draghi não resistiu à pressão e tentou renunciar na quinta-feira passada (14), após o M5S ter boicotado uma moção de confiança a um projeto do governo. 

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Naquela ocasião, o presidente italiano rejeitou a renúncia e pediu que o premiê voltasse ao parlamento para checar a possibilidade de continuar governando a terceira maior economia da Europa. 

Draghi então foi ao Senado e pediu a reconstrução de um pacto de confiança que possibilitaria o nascimento de uma coalizão de união nacional, mas seus apelos não foram ouvidos. 

Foi então que ele optou por submeter ao voto de confiança uma resolução que aprovava seu discurso, mas a maior parte da base governista não participou da sessão. 

Veja também: É hora de investir em ações do exterior ou BDRs?

Draghi sai, parlamento é dissolvido — e agora?

Depois de perder a base de apoio no parlamento, Draghi renunciou pela segunda vez nesta quinta-feira (21) — embora deva continuar no cargo até a nomeação de um sucessor, para tratar de assuntos correntes.

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O presidente italiano, comunicado da decisão definitiva do premiê, dissolveu o parlamento hoje. Agora, os italianos devem voltar às urnas em uma eleição antecipada neste ano. 

A Constituição da Itália determina que as eleições legislativas devem acontecer até 70 dias após a dissolução do parlamento.

Neste caso, um novo governo toma posse e indica um primeiro-ministro de consenso. No entanto, até o momento, não há chances de nenhum político conseguir uma maioria clara — o que pode fazer as negociações se prolongarem e deixar a Itália sem um governo com plenos poderes. 

Basta lembrar o que aconteceu em 2018, quando os partidos levaram três meses para escolher Giuseppe Conte como primeiro-ministro. 

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Caso as negociações para a formação de um novo governo encontrem obstáculos, a Itália corre o risco de iniciar 2023 sem orçamento, enfraquecida no cenário internacional e sem receber os repasses da UE para impulsionar a economia. 

*Com informações da Agência Ansa

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