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O Seu Dinheiro preparou um manual para quem tem dúvidas sobre o mercado de carros usados; veja detalhes sobre modelos como Gol, Strada e Onix
As filas de espera para carros novos continuam crescendo — e, conforme o modelo, a entrega pode ficar só para 2023. Sendo assim, quem precisa de um veículo para já, precisa recorrer a um carro usado ou seminovo.
Mas a demora não é o único motivo que tem afastado os brasileiros das concessionárias: a inflação no mercado de 0 km já chegou a quase 18% nos últimos 12 meses, e tende a continuar subindo dada a escassez de alguns componentes. Além disso, as taxas de juros para financiamentos estão cada vez mais elevadas.
Ou seja: os usados e seminovos são uma saída atrativa para quem busca uma opção com bom custo-benefício e não quer se endividar — o cheirinho de carro tende a ficar só na memória.
Do ponto de vista de negócio, ser o segundo ou terceiro dono de um carro é uma decisão racional e que gera menos prejuízos. Afinal, a desvalorização média de um veículo novo após 12 meses, salvo raras exceções, gira em torno de 20%; depois, essa depreciação vai de 5 a 10% a cada ano, conforme o modelo.
Mas, mesmo entre os usados, é preciso ficar atento para não comprar um carro a preço atraente, mas que num futuro não tão distante pode virar um mico na sua mão: alto consumo de combustível, manutenção cara, seguro salgado, dificuldade de revenda — há muitas armadilhas.
Com essas dificuldades em mente, vamos indicar quais são as melhores formas de fazer bons negócios com carros usados — e te ajudar a escolher entre os melhores modelos seminovos ou já mais rodados do mercado.
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Para começar, modelos mais vendidos quando novos ajudam a girar o segmento de usados. Quanto maior o volume, maior a oferta de peças e menores são os problemas com manutenção, por exemplo. Nesta linha, vamos te mostrar quais são os carros usados mais vendidos em 2022 até maio, segundo duas das principais entidades do setor:
| Fenauto | Fenabrave | |
| 1º | Volkswagen Gol | Volkswagen Gol |
| 2º | Fiat Uno | Fiat Palio |
| 3º | Fiat Palio | Fiat Uno |
| 4º | Fiat Strada | Fiat Strada |
| 5º | Chevrolet Celta | Chevrolet Onix |
Você pode até não gostar desses modelos que estão entre os mais vendidos e, claro, volume não é tudo. Há opções muito boas que não estão entre as mais emplacadas, mas têm excelente aceitação. Por isso, vamos eleger aqui cinco modelos (não necessariamente em ordem de preferência) que têm bom mercado e não vão lhe decepcionar.
Em linhas gerais, o conselho é: procure escolher um tipo de carro que atende às suas necessidades. Por exemplo, caso tenha família, opte por algum que tenha um bom porta-malas; caso dirija sozinho e esteja querendo economizar, opte por um modelo de baixo consumo e seguro com preço atraente.
Nesta reportagem, garimpamos 5 modelos que custam por volta de R$ 50 mil e, mais abaixo, damos dicas de como não errar na compra.

Na faixa de R$ 50 mil, você encontra o Honda Fit desde 2012, mas há opção 2013 e até 2014 com preço um pouco acima — sempre há espaço para negociação no mercado de usados. Nessa idade, o Fit é o de sua segunda geração, com algumas mudanças de ano para ano.
Conforme a versão, pode ter motor 1.4 (até 101 cv, maioria manual) ou 1.5 (116 cv, automático). Por dentro, apresenta bom acabamento e é bem espaçoso; o porta-malas de 384 litros atende bem às famílias, assim como a generosa área no banco traseiro.
De mecânica confiável, não costuma ter problemas crônicos. O consumo, por ser acima de carros 1.0, também é razoável. Outra vantagem desse Honda é sua alta “liquidez”: em bom estado, dificilmente demora para ser revendido.

O mais vendido entre os carros usados, o Gol está em sua terceira geração e há mais de 40 anos no mercado. Escolhemos nesta faixa de preço as versões 1.6, com motor de até 104 cv de potência; há modelos 2017 e 2018.
Mas há algumas más notícias: este é um carro mais difícil de ser encontrado. Há atualmente poucas ofertas à venda, se comparados aos 1.0. Outra coisa que pode não agradar é que as versões do Gol, mesmo as 1.6, costumam ter um interior mais simples, sem grandes luxos. Por isso, fique atento às opções que podem trazer itens mais interessantes.
É um Volkswagen pronto para lhe atender: bom câmbio manual de 5 marchas, suspensão muito bem acertada e consumo ok. Verifique antes o seguro para seu perfil. O porta-malas é apenas razoável (285 litros), assim como seu consumo e espaço no banco traseiro. É um carro que anda bem e te garante bom desempenho na estrada.
E a revenda é fácil: se estiver em ordem, vende bem como pãozinho quente.

O comercial leve mais queridinho do mercado de novos — e líder de vendas no país — é uma boa compra entre os usados. Para quem pode gastar até R$ 50 mil, há picapes Strada de 2012 a 2015, que variam de versão, motor e tipo de utilização.
Como o modelo de cabine dupla só foi lançado em 2020, essas mais antigas são indicadas para o uso de trabalho ou de lazer, desde que não precise levar família: há, no máximo, as versões com cabine estendida.
Ele é bem versátil: pode ser o carro de transporte de pequenas cargas ou simplesmente para levar a bike aos passeios de fim de semana. Mas é um carro antissocial: só leva dois ocupantes e deve ser evitado por quem tem filhos pequenos.
O motor da maioria das ofertas encontradas por esse valor é o 1.4 flex, de até 85 cv. Você ainda pode achar alguns 1.8, mas que consomem mais combustível e que devem ser evitados em tempos de gasolina altíssima.
Aí você pode se ver numa encruzilhada: a Strada 1.4 Working, mais fraca e menos equipada, chega a ser encontrada até a versão 2016; a Adventure 1.8, mais potente (114 cv) e equipada, tende a ser mais antiga (2012).
Por ser um utilitário, fique atento a estado de conservação e se o conjunto de suspensão não foi severamente demandado (molas, amortecedores, pneus, etc.). O bom desempenho nas vendas mais recentes entre novos também ajuda a Strada no segmento de usados.

Não fosse a pandemia, o Onix hoje continuaria sendo um carro líder de vendas e brigaria muito de perto com a Fiat Strada. Mas a falta de semicondutores tirou o valente modelo de produção por muitos meses — e ele busca até agora sua recuperação.
Hoje, o Onix 1.0 Turbo 0 km é um excelente carro, apesar do preço salgado (a partir de R$ 80 mil). Quando olhamos para modelos mais antigos, temos o 1.0 (o motor rendia até 80 cv, sempre com câmbio manual) e o 1.4 (até 106 cv, com opções de transmissão manual ou automática).
Em maior oferta que Fit, Gol e Strada, o Onix também pode deixar seu interessado em dúvida. Por R$ 50 mil, os modelos 1.0 Joy são os mais novos (2018 e até 2019), mas mais simples. Se for em busca de uma versão 1.0 LT, aí são encontrados modelos mais rodados (a partir de 2016).
Aliás, por serem muito utilizados por motoristas de aplicativo, fique atento ao seu histórico e sua quilometragem. É fácil achar opções 2018 com mais de 90 mil km.
As versões 1.4 também podem ser interessantes, mesmo em consumo, e ideais para quem não dirige apenas na cidade e pega estrada. Versões mais equipadas LTZ chegam a ter sistema multimídia, mas acabam extrapolando os R$ 55 mil.
Dos modelos 1.4 com câmbio automático, só os mais velhinhos estão nessa faixa de preço: 2013 a 2014. Dos 1.4 manuais, o carro interessado consegue ir até 2016 ou 2017.
Um pouco melhor que o Gol em espaço no banco traseiro, O Onix traz porta-malas equivalente (280 litros) e, em termos de mercado, é outro filé: em bom estado, tem excelente aceitação.

De todas as opções citadas, o sedã fabricado no Brasil é o mais requintado e velhinho: por até R$ 50 mil, consegue-se encontrar, no máximo, um Corolla 2012. Ou seja, são modelos que extrapolam e muito os 100 mil km rodados e requerem mais atenção.
Esta é a chamada 10ª geração do Corolla, ou Brad Pitt (ficou conhecido assim porque o galã de Hollywood foi a estrela do comercial de seu lançamento), vendida entre 2008 e 2013. Mas há um gap: enquanto é possível encontrar modelos 2012 a R$ 52 mil, as versões 2014, já da 11ª geração, tem preços a partir de R$ 80 mil.
Mesmo quando nos referimos ao Corolla Brad Pritt, estamos falando de um baita carro. Se bem conservado e com quilometragem razoável, pode ser uma excelente compra.
A “fama” é de ser um carro com alta durabilidade: o motor 1.8 de 136 cv tem mecânica sólida, seja com a transmissão automática de quatro velocidades ou o manual de 5 marchas. É possível achar ainda o 2.0 de 153 cv, apenas automático.
Com ótimos espaços interno e porta-malas (437 litros), até hoje o acabamento é melhor do que muitos usados mais novos (revestimentos de texturas agradáveis, por exemplo). E mesmo considerando a idade avançada (mais de 10 anos), esse Corolla continua bom de revenda.
Algumas desvantagens: por ser mais antigo, requer mais garimpo, o preço do seguro pode ser elevado e não é um carro para usar por um período prolongado.
Fica a dica: se não conseguir comprar agora um Corolla da 11ª geração (a partir de 2014/15, com motor 1.8 de 144 cv manual ou CVT ou 2.0 de 154 cv CVT), pegue um 2012 e tente trocá-lo daqui a 2 anos. Será um upgrade e tanto.
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