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O governo avalia a possibilidade de subsidiar os combustíveis usando os dividendos pagos pela Petrobras à União, que, em 2021, somaram R$ 38,1 bilhões
A corrida aos postos de gasolina gerada pela notícia de reajuste dos preços de combustíveis pela Petrobras poderia ser uma cena do início de um filme distópico. Em algum momento, a defasagem dos preços praticados pela estatal em relação aos preços internacionais deveria atingir o consumidor — mas a alta dos combustíveis pressiona ainda mais a inflação.
O reajuste de 24,9% no preço do óleo diesel, de 18,7% da gasolina e de 16% do gás de botijão deverá aumentar entre 0,5 e 0,6 ponto porcentual a inflação oficial, de acordo com cálculos de economistas.
Em outras palavras, o brasileiro precisa se preparar para outro choque de inflação. Nesta sexta-feira (11), o IPCA de fevereiro teve alta de 1,01%, uma aceleração em relação ao percentual de 0,54% registrado em janeiro.
Essa é a maior taxa para fevereiro desde 2015, quando o IPCA avançou 1,22%.
"Basicamente, aumentos de diesel vão virar aumentos nos preços da comida", afirmou o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Guilherme Moreira.
Além da pressão indireta nos alimentos, Fábio Romão, economista da LCA Consultores, acrescentou outro efeito indireto: pressão nas tarifas de transporte.
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"Os mais pobres dependem do transporte público e comem em casa", afirmou. Com a pandemia, muitos reajustes de tarifas foram represados, mas a pressão do setor deve aumentar com a disparada de preços da gasolina.
De maneira semelhante, Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, explicou que os combustíveis funcionam como indexadores de outros preços.
"Num primeiro momento, o impacto ocorre diretamente nos produtos de consumo imediato, como a gasolina, o gás, mas esse reajuste acaba contaminando os serviços também."
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Ele acredita que as compras online, que deram um salto na pandemia, tendem a ficar mais caras com o reajuste dos combustíveis.
A chegada do período seco no Brasil também deve afetar a energia elétrica, tendo em vista que as termelétricas são movidas a óleo diesel. Portanto, podemos esperar uma conta de luz mais cara se isso acontecer.
Com o cenário pré-apocalíptico se desenhando, o governo federal busca acelerar as propostas que tramitam no Congresso para tentar segurar a alta de preços dos combustíveis.
O chamado PLP 11, com mudanças no ICMS cobrado pelos Estados, ganhou o aval do Senado e agora segue para a Câmara. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, escalou assessores para irem presencialmente ao Congresso no dia da votação dos projetos.
Até mesmo o "número dois" da pasta, o secretário executivo Jônathas Assunção, circulou nos corredores do Senado em busca de apoio à proposta.
O governo considera que, com a aprovação da redução dos impostos, parte do aumento agora poderá ser rateado entre União (PIS/Cofins), Estados (ICMS) e consumidores.
Contudo, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), está ciente de que o PLP 11 não resolverá todos os problemas dos combustíveis e, por isso, se a situação piorar, deve anunciar um programa de subsídios aos combustíveis.
A ideia ganhou o aval do chefe da pasta da Economia, o ministro Paulo Guedes. Ele admitiu ontem (10) que o governo “pode avaliar" a criação de um programa de subsídios para o combustível caso a guerra na Ucrânia se agrave e pressione ainda mais os preços internacionais do petróleo.
Em entrevista após a aprovação do Senado de um projeto que cria uma conta de estabilização para os preços dos combustíveis, Guedes afirmou que esta medida só será avaliada se a guerra da Rússia contra a Ucrânia continuar por mais de "30, 60 dias".
"Se isso se resolver em 30, 60 dias, a crise estaria endereçada. Mas vai que isso começa a ter uma escalada, aí sim você começa a pensar em subsídio para o diesel", afirmou o ministro.
"Vamos nos mover de acordo com a situação. A pandemia parece que está indo embora. Saímos dessa guerra terrível fomos atingidos por essa outra que é grãos e petróleo."
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo avaliava a possibilidade de subsidiar os combustíveis usando os dividendos pagos pela Petrobras à União que, em 2021, somaram R$ 38,1 bilhões.
A ideia, no entanto, foi deixada de lado temporariamente, e o governo decidiu apostar na redução de impostos para amenizar o aumento dos preços.
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