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Inflação preocupa BC

Até o presidente do BC admite: inflação está muito alta e persistente

Campos Neto diz que BC analisa surpresa no IPCA e atribui a alta dos índices ao impacto mais rápido do reajuste dos combustíveis

11 de abril de 2022
12:03 - atualizado às 14:18
residente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. - Imagem: José Dias/PR

Impacto mais rápido que o esperado dos reajustes dos combustíveis foi responsável em parte pela surpresa da inflação medida pelo IPCA de março, de acordo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

O índice oficial de inflação registrou forte alta de 1,62% em março, maior patamar para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. Após a surpresa negativa, parte do mercado passou a defender uma alta maior da taxa básica de juros (Selic)

"Teve também outros elementos como vestuário e alimentação fora do domicílio que vieram com surpresa grande. Estamos analisando surpresa no IPCA e vendo se muda algo na tendência. Essa surpresa também se fez presente em vários outros países", afirmou, em videoconferência organizada pela Arko e Traders Club (TC).

O presidente do BC admitiu que a inflação brasileira está muito alta, assim como os núcleos. "Temos comunicado com a maior transparência possível o nosso processo de enfrentamento a essa inflação mais alta e persistente", completou.

Campos Neto também disse que diversos analistas de mercado estão revisando a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2022 para próximo de 1,0%, que é a projeção da autoridade monetária.

"Os números na ponta, em tempo real, estão um pouco melhores. Não estamos falando de um crescimento esplendoroso, mas de uma melhora em relação ao que se imaginava um tempo atrás", afirmou, na videoconferência.

Ele destacou que o Brasil vem recebendo fluxos para ativos financeiros recentemente. "O mercado começou a sentir um pouco esse movimento de apreçamento de juros nos Estados Unidos", completou.

Câmbio ainda não reflete no índice de inflação

Roberto Campos Neto voltou a destacar o grande fluxo de entrada de dólares no Brasil, com o real tendo um desempenho melhor que outras moedas.

"Parte dessa melhora do câmbio ainda não está refletida nos índices de inflação. Vemos algumas projeções que levam pouco em consideração essa apreciação do câmbio. A pergunta é se isso pode se interromper com um movimento maior de alta de juros nos Estados Unidos, mas a resposta depende mais da forma como isso se dá do que do aumento em si", afirmou.

Mudança geopolítica

Roberto Campos Neto repetiu nesta segunda-feira que a estabilização no mundo pós-guerra na Europa deve significar uma mudança geopolítica. "Isso já está em curso", afirmou. Campos Neto repetiu que pode haver reversão de fluxo de emergentes a depender de inflação e crescimento nos Estados Unidos. "Precisamos ver como os ativos americanos se comportam", completou.

O presidente do Banco Central repetiu a avaliação de que a entrada de dólares no Brasil decorre de surpresas fiscais positivas e da proatividade do BC no combate à inflação.

"O câmbio tem uma apreciação, o real é a melhor moeda do G-20 no acumulado do ano. Vemos uma realocação de recursos, saindo da China e entrando no Brasil e em outros países. É um pouco em função do conflito e da antecipação de como será essa nova geopolítica. Os investidores também entendem que há empresas brasileiras acostumadas com inflação", afirmou.

O presidente do BC disse que muitos analistas ainda têm projeções de câmbio em R$ 5,25 ou R$ 5,30 no fim deste ano. "Parece que fluxo para Brasil não tem característica de reversão no curto prazo, mesmo que seja menor", acrescentou.

Campos Neto lembrou que a alta dos preços internacionais de grãos com o conflito na Europa foi mais do que compensada pela apreciação do real. "Não gera pressão inflacionária, porque o câmbio mais do que compensou o movimento de commodities na parte de alimentos. Já o aumento em combustíveis foi muito alto, ainda como efeito altista para a inflação", disse.

Para o presidente do BC, a surpresa maior no IPCA de março se deveu a "uma aceleração diferente e mais intensa" no repasse dos preços do petróleo para as bombas de combustíveis. "Isso na verdade só transferiu a inflação de um mês para o outro", avaliou.

Pix

Apesar do sucesso do Pix no Brasil, o presidente do Banco Central, admitiu que há um crescimento lento das modalidades Pix Saque e do Pix Troco. "Esperamos aceleração nos próximos meses. Essa uma função importante para as cidades pequenas, onde não tem agências bancárias e locais para sacar dinheiro", afirmou.

Real digital

O presidente do Banco Central admitiu que a greve dos servidores do BC deve atrasar o avanço da agenda digital da autoridade monetária. "O projeto piloto do real digital deveria ser no quarto trimestre de 2022, mas com greve deve ter atraso. Mas não mudamos nos planos de médio e longo prazo", afirmou, em videoconferência organizada pela Arko e Traders Club.

Ainda assim, ele confirmou que novidades da agenda de sustentabilidade da instituição devem ser anunciadas em maio, em um evento no Rio de Janeiro junto com o Ministério do Meio Ambiente. "Há o tema de taxonomia e de precificar floresta nativa. O Brasil tem oportunidades na agenda sustentável", completou.

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* Com informações do Estadão Conteúdo

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