Adeus, Putin! O que significa a proibição dos EUA e do Reino Unido ao petróleo russo?
A ideia é que a Rússia fique sem sua principal fonte de receita e não consiga mais financiar as tropas que estão invadindo a Ucrânia, mas medida pode não ser tão efetiva como parece

O petróleo e o gás natural são as joias da coroa russa. As principais fontes de receita do governo de Vladimir Putin entraram na mira dos Estados Unidos e aliados, que tentam a todo custo conter a invasão da Ucrânia. Mas quais são os efeitos reais da proibição ao óleo russo anunciada nesta terça-feira (08) por norte-americanos e britânicos?
Críticos da Rússia dizem que essa é a melhor – e talvez a única – maneira de forçar Moscou a recuar. No entanto, ressaltam que um embargo total seria mais eficaz se incluísse aliados europeus - e é aí que mora o problema.
A Europa depende profundamente da energia que importa da Rússia. Enquanto os norte-americanos poderiam substituir a quantidade relativamente pequena de combustível que recebem de Moscou, os europeus não conseguiriam, pelo menos não tão cedo.
Além disso, restrições às exportações de petróleo da Rússia tendem, ao longo do tempo, a elevar ainda mais os preços do petróleo e da gasolina em ambos os continentes. Petróleo mais alto é sinônimo de inflação e pressão sobre consumidores, empresas, mercados financeiros e economia global.
O impacto da proibição dos EUA
O presidente norte-americano anunciou nesta terça-feira a proibição da importação do petróleo e do gás da Rússia. A ideia de Joe Biden é secar a fonte de recursos que Putin tem para manter suas tropas na Ucrânia.
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O chefe da Casa Branca, no entanto, reconheceu que nem todos os aliados europeus poderão seguir os passos dos Estados Unidos e que é necessário um trabalho de longo prazo para reduzir a dependência da Europa da energia russa.
A decisão de Biden, embora faça muito barulho, parece ter pouco efeito imediato sobre a Rússia. Isso porque os Estados Unidos importam uma pequena parte do petróleo russo e não compram gás natural.
No ano passado, cerca de 8% das importações norte-americanas de petróleo e derivados vieram da Rússia. Juntas, essas importações totalizaram 245 milhões de barris, ou seja, cerca de 672 mil barris de petróleo e derivados por dia.
Reino Unido e Europa sem petróleo
Para os europeus, como disse Biden, a situação é um pouco mais complicada. A Rússia fornece cerca de 40% do gás natural da Europa para aquecimento doméstico, eletricidade e usos industriais e cerca de um quarto do petróleo da Europa.
Diante da dependência, substituir o gás natural que a Rússia fornece à Europa é impossível no curto prazo. A maior parte do gás natural russo que chega ao velho continente viaja através de gasodutos.
Para substituí-lo, os europeus importariam principalmente gás natural liquefeito (GNL). Só que a Europa não tem gasodutos suficientes para distribuição das instalações costeiras de importação para todo o continente.
No caso do petróleo, a troca é mais fácil. Outros países poderiam aumentar a produção de petróleo e enviá-lo para a Europa. Mas muito petróleo teria que ser substituído, e isso aumentaria ainda mais os preços porque o petróleo provavelmente teria que viajar por distâncias maiores.
Ainda assim, as autoridades europeias disseram hoje que estão procurando maneiras de reduzir sua dependência antes de 2030. No caso do Reino Unido, que anunciou nesta terça-feira o banimento ao petróleo russo junto com os Estados Unidos, a ideia é reduzir a dependência do gás de Putin ao longo de 2022.
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E a Rússia, como fica?
A Rússia poderia contornar essas proibições ao seu petróleo vendendo para outros mercados como China ou Índia. Ainda assim, teria que vendê-lo com um grande desconto, porque cada vez menos compradores estão aceitando o petróleo russo.
“A relutância das refinarias em se comprometer com o petróleo russo já é evidente. Já estamos vendo descontos recordes do petróleo russo nas últimas semanas”, disse Warren Patterson, estrategista chefe para commodities da ING.
“O temor das sanções somado à pressão pública tem feito os compradores relutarem em adquirir o petróleo de Vladimir Putin”, acrescentou.
A proibição e os preços petróleo
As notícias da iminente proibição do petróleo nos Estados Unidos levaram os preços da gasolina ao seu nível mais alto já registrado, com um galão de venda regular chegando a US$ 4,17 nesta terça-feira.
Há um mês, o petróleo estava sendo vendido por cerca de US$ 90 o barril. Agora, os preços estão subindo cerca de US$ 130 o barril, já que os compradores evitam o petróleo russo.
A Shell disse mais cedo que deixará de comprar petróleo e gás natural russos e fechará seus postos de gasolina, combustíveis de aviação e outras operações no país, dias após o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia criticar a gigante de energia por continuar comprando petróleo russo.
Analistas alertam que os preços podem chegar a US$ 160 ou até US$ 200 o barril se os compradores continuarem evitando o petróleo russo. Essa tendência pode fazer com que os preços da gasolina nos Estados Unidos ultrapassem US$ 5 o galão.
“A tendência é que a volatilidade continue ditando o ritmo no mercado de petróleo. Após superar a importante barreira psicológica dos US$ 100 o barril, não há limites para o avanço neste momento”, afirmou Christopher Lewis, analista da FX Empire.
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