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Muito mais do que um ativo que digitaliza a história das relações humanas com o dinheiro, o bitcoin age como um lastro para toda nova internet, a tal “WEB3”
Foi em 1518, na atual cidade de Jáchymov, um vilarejo na República Checa com cerca de 2400 habitantes, que nasceu provavelmente a moeda mais importante do mundo: o dólar.
Em suma, o "Joachimstaler" era uma enorme moeda de prata, extraída das minas da região, que se tornaria o meio de transações do Sacro Império Romano-Germânico.
Na região da atual Alemanha, a moeda seria apelidada de Thaler, nos países nórdicos, Daler, e no Reino Unido, Dollar.
Em suas obras, Shakespeare utilizaria o termo dollar como dinheiro. Já a moeda espanhola, o Real de 8 (cujo nome inspira uma moeda que você talvez conheça), era popularmente chamado de Dólar Espanhol.
Foi como homenagem à moeda espanhola, dominante no mundo na época, que os caipiras que promulgaram sua independência em julho de 1776, nomearam o atual dólar.
Toda essa história, porém, serve hoje como uma vaga lembrança de que moedas já foram intimamente ligadas aos metais. Uma unidade física, de quantidade limitada e trabalhosa para criar.
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Desde 1971, porém, o mundo desistiu dessa ideia. Com o fim do padrão "dólar-ouro", as moedas deixaram de ter limitações mundanas.
O resultado, como você já deve ter sacado, é que políticos e seus nomeados para chefia dos Bancos Centrais ao redor do mundo não tem mais limitações para criar dinheiro.
Na academia, é possível encontrar N justificativas para corroborar tamanha sanha. No mundo real, porém, aquele onde pessoas ainda precisam frequentar supermercados, o resultado da sanha da impressora descontrolada é apenas um: inflação.
Veja, em 1640 quando espanhóis descobriram minas de ouro nas Américas, o resultado foi um século que viria a ser conhecido como "revolução dos preços". A alta de 650% nos preços (em 100 anos), foi responsável por instabilidades e revoluções no continente.
Nos dias de hoje, porém, vemos discursos alegarem que a inflação trata-se de um problema menor e "transitório".
Mero detalhe: a inflação que assustou a Europa no século 16 foi de 1,5% ao ano.
Mas nem todo mundo parece muito conformado com a ideia de que inflação em 4, 6 ou mesmo 7% nos países ricos é algo "natural".
Em 2008, pegando todo este processo histórico, além de obviamente outros inúmeros casos, um ilustre desconhecido chamado "Satoshi Nakamoto", colocou a tecnologia para agir em favor da história.
O bitcoin nasceu como uma arma histórica poderosa. Seu algoritmo é muito mais preciso do que cabeças de políticos, ou mesmo o ouro, em preservar o valor da moeda.
Seu tempo de adoção, como vemos agora, é também muito mais ágil. Em termos de público, cresce na mesma linha da própria internet, o instrumento base da sua existência.
Por questões históricas como essas, além da análise de momento, inúmeros investidores institucionais (bancos, fundos de investimento e empresas) têm olhado para o bitcoin como uma espécie de "ouro digital". Na visão deles, trata-se de um ativo escasso e anti-inflacionário.
E argumentos para isso não faltam, com um mero detalhe: o bitcoin é muito mais rigoroso do que o ouro.
Há cerca de uma semana, o bitcoin de número 19 milhões foi minerado, o que significa dizer que nos próximos 120 anos, existirão apenas mais 2 milhões de bitcoins novos. Todo o restante já está aí.
A facilidade de transação, armazenamento, além de uma compra e venda muito mais simplificada do que o ouro em si, também jogam a favor do bitcoin.
A favor do ouro, a história. E contra, o fato de um ativo historicamente chamado de "antiinflacionário", ter visto seu preço ficar estagnado na década com maior impressão de moedas na história.
Empresas como a Microstrategy, de Michael Saylor, iniciaram a campanha em favor do bitcoin como ativo de proteção.
Em Agosto de 2020, a MSTR adquiriu cerca de 21 mil Bitcoins por $250 milhões.
Desde então foram dezenas de outras empresas, fundos de investimento, bancos e até mesmo fundos de pensão, incluindo bitcoins em seu caixa. Todos sob o mesmo argumento: uma proteção contra a inflação.
Não é um argumento qualquer, afinal, a função de qualquer investidor é superar a alta de preços e obter retornos reais. O mesmo vale para empresas.
Em tempos onde os títulos públicos entregam retornos menores, o desafio se torna ainda maior para diversos fundos, como os fundos de pensão, que precisam entregar retornos elevados para garantir a qualidade de vida dos trabalhadores na velhice.
Diante deste cenário, onde o bitcoin se torna cada vez mais presente em portfólios de investidores tradicionais, uma questão relevante tem sido levantada: a correlação entre o retorno do bitcoin e índices de bolsas de valores e mercados tradicionais está “crescendo”.
Ainda que nem de longe seja uma correlação direta, ações e bitcoin convivem no mesmo ambiente: o macro e o monetário importam.
A grande questão, porém, é que bitcoin, assim como ações individuais, possui algo que vai além do preço.
A inovação tecnológica, a segurança da rede e as aplicabilidades do bitcoin em si têm sido cada vez maiores. É natural que diante de retornos espetaculares, inúmeros possíveis investidores se deixem induzir apenas pelo preço, mas Bitcoin não é um veículo para te deixar rico do dia pra noite.
Sim, sabemos que o Bitcoin se tornou um unicórnio (acima de US$ 1 bilhão), em apenas 3 anos entre a primeira cotação e o feito, e que chegou a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado, mas isso é uma distração perigosa.
Falamos aqui de um ativo que, para além do seu desenho escasso, se propõe, e entrega, resultados de mudanças tecnológicas notáveis, além de “lastrear” todo um ecossistema de criptos.
Se você é destes que ainda está na dúvida dos motivos para investir em algo “sem lastro”, convido a pensar sob um outro ponto de vista: e se… O bitcoin for o lastro?
Inúmeros projetos de cripto que entregam resultados em mercados como finanças (as DeFi), entretenimento, esportes e arte (NFT), ou mesmo aqueles que utilizam contratos inteligentes para servir de suporte ao app que você usa (como será, em breve, com apps de transporte, delivery, lazer etc), tem no Bitcoin um meio de “preservar valor”.
Neste sentido, a correlação entre bitcoin e ativos como ações, não chegará a ser exata, afinal, estamos falando de coisas distintas.
Ao falar de bitcoin, você está falando da soma entre a história do dinheiro, buscando preservar valor e estabilidade, além da história da internet, suportando inovações e entregando poder aos indivíduos, algo que você talvez tenha ouvido falar como WEB3.
E essa diferença fundamental será cada vez mais perceptível daqui em diante.
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