Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

São Jorge à brasileira: o dragão da inflação assusta, mas a cavalaria vem aí

A inflação talvez estoure mais uma vez o teto em 2022, mas a Selic pode ter espaço para recuar mais rápido do que pressupomos

18 de janeiro de 2022
6:08 - atualizado às 13:30
Inflação
Imagem: Shutterstock

As doenças crônicas são aquelas que duram mais de um ano e precisam de cuidados médicos quase constantes. Na literatura econômica, é tradicional estabelecermos paralelos com doenças crônicas quando tratamos da recorrente falta de estabilidade nos preços da economia, comparando-as com os processos inflacionários.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não à toa, Gustavo Franco, um dos autores do Plano Real e ex-presidente do Banco Central, costumeiramente chamava a inflação de uma "doença da moeda", uma vez que a origem dela se dá pela perda do poder aquisitivo da moeda.

Em 2021, o Brasil conviveu mais uma vez com um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o nosso indicador oficial de inflação, na casa dos dois dígitos. Entregamos 10,06% de inflação no ano passado, o patamar mais acentuado de aceleração nos preços desde 2015, no início do segundo mandato de Dilma Rousseff (10,67%).

O patamar é quase o dobro do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), tendo sido influenciado, entre outros fatores, pela alta dos preços das commodities, pela quebra da cadeia de suprimentos em nível mundial, pela alta do dólar e pelo choque de demanda derivado da recuperação econômica pós-pandêmica.

A discussão não para por aí

Assim como uma doença, da maneira que colocamos inicialmente, a inflação de um ano pode contaminar a do outro se a raiz do problema não for endereçada, processo chamado de inflação inercial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Boletim Focus desta segunda-feira (17), por exemplo, indicou piora nas expectativas de inflação para este ano e para o próximo. A mediana das projeções piorou de 5,03% para 5,09% para 2022 e de 3,36% para 3,40% para 2023. Ou seja, assim como em 2021, podemos estourar novamente o teto da meta de inflação em 2022.

Leia Também

Em resposta à desancoragem das expectativas, o Banco Central já vem atuando por meio da taxa de juros de modo a impedir desestabilização adicional das projeções por parte dos agentes de mercado.

A dinâmica é perversa

Toda vez que a Selic muda para controlar a alta dos preços, prejudicamos na outra ponta as estimativas para crescimento do PIB.

O raciocínio é o seguinte: se há pressão de preços, a autoridade monetária eleva os juros, tornando mais caro o crédito; como consequência, os consumidores ficam menos propensos a tomar empréstimos para consumidor e as empresas ficam menos dispostas a se endividar para aumentar a produção (contratam menos funcionários).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dessa forma, há menor demanda na economia (reduz o consumo e a pressão de preços). Esta é uma visão simplificada da coisa, mas funciona mais ou menos assim.

Por isso, já temos uma Selic em 9,25% ao ano, caminhando para dois dígitos já no próximo Comitê de Política Monetária (Copom), marcado para 1 e 2 de fevereiro (o mercado estima um ajuste de 150 pontos-base na próxima reunião).

Assim, sabemos que a atividade econômica em 2022 será fraca, já impactada por tal política monetária contracionista do nosso BC. Ficaremos possivelmente estagnados neste ano, sendo que nas projeções mais pessimistas flertamos com recessão (há quem projete queda de 0,5% do PIB em termos reais).

Nos aspectos negativos, não faltam desafios adicionais

  • a pandemia segue se mostrando presente (vide variante ômicron), ainda representando um risco para as cadeias de suprimentos (o descasamento entre oferta e demanda foi um dos fatores de pressão de preços no Brasil e no mundo nos últimos 24 meses);
  • apesar do superávit em 2021, o fiscal continua sendo um ponto delicado, prejudicando a formação de expectativas no Brasil; e
  • 2022 é um ano eleitoral.

Por outro lado, temos também a presença de pontos de alívio

  • mesmo que presente, a pandemia se prova uma questão gradativamente cada vez mais solucionada, com o contínuo processo de vacinação e variante menos letais;
  • as chuvas estão vindo acima da média, o que tira um pouco da pressão do sistema elétrico e poderá permitir mudança na bandeira de energia, fato que, eventualmente, reduziria a pressão sobre o IPCA; e
  • o combate à inflação no mundo desenvolvido, em especial nos EUA pelo Federal Reserve (Fed), pode reduzir a importação da inflação — vide coluna da semana passada.

Sobre este último ponto, em relação à postura internacional, sobretudo nos mercados de países desenvolvidos, as condições monetárias deverão ser nos próximos meses calibradas para a realidade de rápida recuperação econômica e elevadas taxas de inflação. O resultado deverá ser taxas de juros globais mais elevadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Selic pode subir menos?

De todo modo, ainda devemos ter naturalmente uma Selic caminhando para 12% no primeiro semestre. Entretanto, caso as forças detratoras da inflação prevaleçam, conforme comentamos acima, podemos ter surpresas ainda em 2022 na ponta curta da curva.

A própria SPX, uma das maiores e mais respeitadas gestoras de recursos do Brasil, afirmou em sua última carta aos cotistas: "[...] continuamos comprados em inflação implícita e posicionados em desinclinação da curva na parte curta, dada a postura mais incisiva do Banco Central na condução da política monetária".

Em relação ao trecho acima, dois esclarecimentos.

O primeiro diz respeito à inflação implícita. Ela nada mais é do que a diferença entre a taxa de juros prefixada (nominal) e a taxa de juros indexada ao IPCA (real). Isto é, se o investidor acreditar que a inflação média em determinada janela será maior que a implícita, ele provavelmente escolherá investir em títulos como o Tesouro IPCA+ que pagam juros fixos acima da inflação. Já se ele acreditar que a inflação será menor que a implícita, provavelmente irá optar pela compra de um Tesouro Prefixado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O segundo se trata do processo de desinclinação. Observe o gráfico abaixo. Note como a taxa na atualidade apresenta certa deformação em seu formato. Naturalmente, aquela inclinação no vértice mais curto precisaria ser normalizada.

Disso, três considerações:

i) vértices curtos nos parecem interessantes neste momento, de modo a capturarmos os ajustes na curva de juros depois de tanto estresse — gosto de um blend ⅓ Tesouro Selic, ⅓ Tesouro IPCA+ 2026 e ⅓ Tesouro Prefixado 2024;

ii) ainda entendo como atrativo um carrego mais longos em juro real, como o Tesouro IPCA+ 2035 e 2045; e

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

iii) em caso da Selic não subir tanto, cair antes do que o esperado ou ainda caso tenhamos um ajuste para baixo de toda curva, a posição na Bolsa local se justifica, principalmente se considerarmos os patamares de preços atuais.

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.

2022 será um ano difícil, para dizer o mínimo.

A inflação poderá, sim, estourar mais uma vez o teto de 5%. A Selic, por sua vez, ainda que suba até os 12% no curto prazo, poderá ter espaço para recuar mais rápido do que pressupomos caso consigamos ancorar as expectativas no primeiro semestre do ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger dos choques cada vez mais comuns de petróleo, recorde na bolsa, e o que mais move os mercados hoje

14 de abril de 2026 - 8:34

Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

O novo normal é o choque: o investimento “obrigatório” em tempos de guerra

14 de abril de 2026 - 6:04

Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A busca pelo gelato perfeito, a falta de acordo entre EUA e Irã, e o que mais você precisa saber hoje

13 de abril de 2026 - 7:43

Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país

PLANO A

Chá revelação: 10 segredos sobre previdência e investimento de longo prazo para quem está começando uma nova fase da vida

12 de abril de 2026 - 8:00

Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho

VERSÃO BRASILEIRA

Nem todo clássico precisa de adaptação, e a chegada da Hofbräu no Brasil prova isso

11 de abril de 2026 - 9:11

Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como dobrar o patrimônio ao reinvestir dividendos, Regime Fácil, e o que mais você precisa saber hoje

10 de abril de 2026 - 8:30

Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa

SEXTOU COM O RUY

Receber dividendos é bom; reinvestir é melhor ainda. A estratégia confiável capaz de até dobrar o retorno dos seus investimentos

10 de abril de 2026 - 6:05

Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como surfar pela renda fixa, o preço do petróleo, e o que mais move os mercados hoje

9 de abril de 2026 - 8:27

Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia