Muito além de Hollywood: você investiria numa empresa que sofreu um ataque cibernético?
Empresas de todos os setores, sem exceção, estão sujeitas a ataques cibernéticos; a resposta a essa pergunta vai ser diferente para cada uma delas

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia. Tenho certeza que, nas últimas semanas, você viu pelo menos uma ou duas manchetes sobre ataques cibernéticos a grandes empresas.
Muitos deles, imagino, com insinuações de um pano de fundo envolvendo a guerra na Ucrânia.
Neste contexto, recebi um convite para uma entrevista cujo tema, num primeiro momento, me soou até estranho: se o fato de uma empresa ter sido vítima de um ataque cibernético deveria afastar investidores das suas ações.
Sondando colegas analistas e jornalistas, percebi o quanto a cobertura de investimentos sobre o tema ainda é parecida com a visão de "Hollywood".
Na coluna de hoje, vou explorar esse tema em mais detalhes e responder à pergunta do título.
Ataques cibernéticos são mais comuns do que se imagina
Existe sim, diariamente, uma quantidade enorme de ataques cibernéticos ao estilo Hollywood, de pessoas brilhantes direcionando toda a sua inteligência para invadir os sistemas de terceiros.
Leia Também
O Casamento Vermelho dos mercados: o que fazer com os fundos imobiliários (FIIs) depois das urnas
O preço da oportunidade: bolsa em queda, dólar em alta e leilões de imóveis antes do feriado
Mas, acredite, esses casos são uma minoria.
Pelas estimativas da Okta (Nasdaq: OKTA), a maior empresa de gestão de logins do mercado, avaliada em mais de US$ 20 bilhões enquanto escrevo essa coluna, mais de 90% de todas as invasões acontecem por vazamentos de credenciais.
Na maioria das vezes, um funcionário distraído clicou onde não deveria e abriu as portas para um ataque cibernético.
Os exemplos mais famosos de "phishing" são as réplicas perfeitas de sites que os funcionários estão acostumados a acessar.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui
Por exemplo, você recebe um e-mail da "Amazon" dizendo que precisa mudar sua senha. Ao clicar, é direcionado imediatamente para uma página que é uma réplica perfeita da Amazon.
Os mais atentos sequer irão clicar no e-mail, pois sabem que a Amazon não requisitaria proativamente essa mudança; mas algumas pessoas também perceberiam um link poluído, repleto de símbolos e letras aleatórias na suposta página da Amazon.
Muitos, porém, após clicarem, acabam preenchendo os campos de senha. Ao fazê-lo, você está fornecendo a um terceiro os dados para acessar a sua conta na Amazon.
Essa é uma das portas de entrada mais tradicionais para crimes cibernéticos, e se baseia simplesmente em falhas humanas, e não em incríveis algoritmos altamente complexos.
Muitos dos vazamentos corporativos de que ouvimos falar se originam assim: um funcionário com acesso privilegiado aos sistemas concede suas credenciais, muitas vezes sem perceber.
E depois?
No Brasil, me lembro recentemente de episódios de invasões envolvendo empresas como Lojas Renner, Fleury, Cosan e outras.
No exterior, me lembro de casos ainda maiores: nos últimos meses, a própria Okta que mencionei há pouco foi invadida, tal como a Nvidia, que está entre as dez empresas mais valiosas do mundo.
Em comum há o seguinte: o grande público nunca obtém o acesso completo ao que aconteceu.
Sob um véu de sigilo
Do lado da empresa, existe a necessidade de manter o sigilo e investigar a fundo, o mais rápido possível, qual a brecha que permitiu a invasão dos seus sistemas.
E do outro lado, existe também um incentivo a divulgar o menos possível: a maioria das invasões não ocorrem por motivações políticas ou pessoais; elas ocorrem por motivações financeiras.
Os invasores exigem das empresas um "resgate", um pagamento para que nenhuma das informações obtidas sejam reveladas.
Grandes episódios, como o famoso caso da SolarWind, empresa americana de tecnologia que teve seus sistemas comprometidos durante meses, no que muitos dizem ter sido um ataque político, mirando espionar pessoas e instituições americanas, são raros.
Na maior parte das vezes, o conflito é encerrado num acordo privado, sem que os detalhes sejam revelados.
Daí a pergunta: o fato de uma empresa ter sofrido um ataque cibernético bem sucedido deveria afastar os investidores da ação?
A resposta não é óbvia
A pergunta me causa estranheza pelo seguinte: todas as empresas estão sujeitas a ataques cibernéticos.
Repito: todas, sem exceção.
A corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco, e em muitos casos, as empresas não sabem qual o seu elo mais fraco.
Pense sobre como é difícil convencer executivos que não entendem os meandros da tecnologia a investirem na prevenção de algo que talvez nunca aconteça.
Em outros casos, mesmo quando todos estão plenamente cientes dos desafios, os vazamentos podem acontecer, como no caso da Nvidia.
Ataques cibernéticos serão cada vez mais comuns e frequentes
Ao investidor, cabe avaliar se a empresa será capaz de aprender com seus erros e investir em sistemas mais parrudos, ou se ela será eternamente uma vítima dos mesmos agressores.
Parte dessa análise deveria acontecer naturalmente, na avaliação da cultura de uma organização.
Por isso, se você investe numa empresa em que você acredita e admira as pessoas que trabalham lá, como para mim é o caso da Nvidia, é natural dar um voto de confiança à gestão após um evento como esse.
Em casos opostos, o vazamento dos sistemas emergirá apenas como mais um, em meio a tantos outros episódios, de uma gestão corporativa ruim, falhas estratégicas e tantos outros erros que levarão as ações da empresa a performar mal.
A resposta para a pergunta do título dessa coluna é diferente para cada empresa analisada: simplesmente não há uma regra universal para tomar essa decisão.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Rota de fuga: investidores repercutem decisão do Fed, balanços, imposto sobre dividendos, formação do governo e paradeiro de Flávio Bolsonaro
28 de outubro de 2026 - 8:54O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Não precisa ser assim: Ibovespa junta os cacos da ressaca eleitoral
27 de outubro de 2026 - 8:59INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
O choque passou pela bolsa, mas o veredito virá do fiscal
27 de outubro de 2026 - 7:10O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Nunca antes: bolsa, dólar e juros reagem à reeleição de Lula com circuit-breaker no radar dos investidores
26 de outubro de 2026 - 8:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O jogo só termina quando acaba: WEG em queda, IPCA-15 e cautela na bolsa no último pregão antes do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
23 de outubro de 2026 - 7:51SEXTOU COM O RUY
A bolsa tem bons motivos para continuar subindo, mas a WEG (WEGE3) serve como alerta
23 de outubro de 2026 - 6:03O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Uma nova aposentadoria complementar: novas pesquisas eleitorais e início da temporada de balanços movimentam os mercados
22 de outubro de 2026 - 8:27EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Na média, continua tudo meio igual
21 de outubro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Um passo de cada vez: início da temporada de balanços e pesquisa Quaest mexem com os mercados hoje
21 de outubro de 2026 - 8:44O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O joio, o trigo e os inadimplentes: eleições, temporada de balanços, revolta na França e petróleo em alta movimentam os mercados hoje
20 de outubro de 2026 - 8:23INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Protestos na França: quando a dívida cobra a conta das economias desenvolvidas
20 de outubro de 2026 - 7:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Temporada de balanços do 3T26, visão de dono para empreender e eleições: o que movimenta os mercados hoje
19 de outubro de 2026 - 8:28VISÃO DE DONO
Antes de abrir uma empresa, experimente um estágio de dono
19 de outubro de 2026 - 6:45PLANO A
Caça às bruxas: os fundos de previdência caros e pouco rentáveis que nós não recomendamos
18 de outubro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Em busca do eletroposto mais próximo e das ações que vão se dar bem na temporada de balanços; veja o que mexe com seu bolso hoje
16 de outubro de 2026 - 8:16SEXTOU COM O RUY
A bolsa subiu na expectativa, mas a realidade segue difícil. O que esperar da temporada de resultados?
16 de outubro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A volta do fantasma dos distratos, o peso dos juros para o desempenho da bolsa e tudo o que mexe com o seu bolso hoje
15 de outubro de 2026 - 8:35EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo
14 de outubro de 2026 - 19:45O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Brasileiros à prova da teoria financeira, ‘Pix MEI’, o renascimento do Magalu e o que mais mexe com o seu bolso hoje
14 de outubro de 2026 - 8:28O MELHOR DO SEU DINHEIRO