Volatilidade é vida: Entenda como aproveitar as oportunidades durante as oscilações do mercado de ações
Como antes recomendava Warren Buffett, também te convido a gostar da volatilidade. Só há oportunidade de ganho quando o preço descola do fundamento

“Como investidor, você precisa adorar a volatilidade. Você tem de amar as oscilações selvagens, porque elas significam que mais coisas ficarão mal precificadas.”
(Warren Buffett)
Movimentos e fundamentos das ações
O movimento das ações no curto prazo nem sempre conversa com os seus fundamentos.
Em uma curta janela temporal, até quando as cotações caminham na direção certa, o mercado tende a exacerbar: se o fundamento melhorou, a cotação sobe exageradamente; se piorou, a punição é pior do que deveria.
Esse exagero pode ocorrer por questões emocionais, como o medo de ficar de fora ou o pavor de ser o último a sair.
Ou, ainda, por questões técnicas: um agente de mercado relevante decidiu comprar ou vender um papel com pouca liquidez, exercendo influência sobre o preço.
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Precisamos aceitar, também, que o exagero pode ser puramente aleatório.
O fato é que os motivos da irracionalidade não importam. A questão interessante nisso tudo é que, quando há um movimento ilógico, costuma-se abrir uma oportunidade.
É importante ficar de olho nessas chances.
De olho nas oportunidades de investimento
Recentemente, tivemos alguns exemplos dessas oportunidades.
Na semana passada, o Nubank divulgou um prejuízo líquido menor que o esperado. Além disso, a apresentação do resultado focou em pontos positivos, como o fato de a operação já dar lucro no Brasil.
A ação subiu mais de 10% só no after market. No pregão seguinte, +18%.
Entretanto, com o escrutínio do balanço, o analista perceberia que a surpresa positiva era discutível: a companhia comprou uma carteira de crédito externa que ajudou na margem financeira; houve mudança na metodologia de cálculo da inadimplência; e parte das despesas operacionais foram contabilizadas como investimentos de capital, melhorando o lucro.
Por mais que sejamos admiradores da companhia e de seus fundadores, a questão aqui é preço versus valor: será que a empresa valia 30% a mais após essa divulgação? Se tem irracionalidade, tem oportunidade.
A valorização excessiva foi parcialmente devolvida nos pregões seguintes: -19% até aqui.
As ações da Rede D’Or
Um outro caso foi Rede D’Or, que também divulgou seus números na semana passada. À primeira vista, o operacional foi muito bom.
A ação subiu 8% no pregão seguinte.
Entretanto, como foi o caso com tantas outras empresas, o resultado foi corroído pela despesa financeira, inflada pela Selic alta sobre uma dívida grande, de R$ 29 bilhões.
Nesse caso, os pregões subsequentes mais que devolveram a alta: -14% desde então.
A Americanas na bolsa
Ontem, tivemos ainda um outro caso curioso, dessa vez envolvendo a Americanas.
A companhia anunciou que Sergio Rial será presidente do seu conselho de administração a partir de janeiro.
A notícia foi muito bem recebida, já que Rial é um brilhante executivo, que provou sua capacidade de transformação em diversas empresas, como Cargill e Santander Brasil, dentre várias outras.
A ação de Americanas subiu 23% ontem. Mais uma vez, faço a pergunta: tenho uma admiração enorme pelo Rial, mas será que a companhia vale 23% a mais por causa da mudança de gestão?
Exageros e correções em ações
Por vezes, o exagero nos preços é rapidamente corrigido. Nesses casos, embora não seja possível identificá-los antecipadamente, é preciso se posicionar com velocidade.
Foi o caso de Nubank e de Rede D’Or, ambas posições vendidas da Carteira Empiricus. Acreditamos, inclusive, que há mais correção pela frente nesses dois casos.
Em outras tantas vezes, infelizmente, o preço demora a convergir para o fundamento. Nesses casos, é preciso ter muita paciência.
De toda forma, convido-lhe a gostar, também, da volatilidade. Só há oportunidade de ganho quando o preço descola do fundamento.
Um abraço,
Larissa Quaresma
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