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O presidente do Fed, Jerome Powell, discursa em Washington e deve concentrar as atenções do mercado; por aqui, os investidores também precisarão se ajustar à decisão do Copom
Passado o feriado de Corpus Christi, a B3 e os mercados domésticos voltam a funcionar normalmente nesta sexta (17). E a parada foi providencial para a bolsa brasileira: Wall Street e as demais praças globais tiveram perdas expressivas na sessão de ontem, em meio à ressaca pós-Fed e o medo de uma recessão econômica no mundo.
S&P 500 e Nasdaq fecharam em baixa de mais de 3% na quinta-feira, enquanto o Dow Jones foi às mínimas desde janeiro de 2021 — as bolsas da Europa também tiveram um dia bastante negativo. Dito isso, o clima parece ser mais ameno hoje, com um tom ligeiramente positivo no velho continente e nos EUA.
Que timing o dos mercados brasileiros, não? Evitaram o pior e ainda vão surfar a melhora de humor nesta sexta!
Bem, não é tão simples assim. Por mais que a B3 estivesse fechada, os ativos relacionados ao Brasil que são negociados em Nova York tiveram um dia normal — e sentiram o baque da aversão ao risco. O EWZ, principal ETF brasileiro em Wall Street, despencou mais de 4% ontem.
E os recibos de ações (ADRs) de empresas nacionais negociados nos EUA também tiveram um dia ruim, acumulando perdas expressivas. Veja abaixo como ficaram alguns dos principais ativos dessa categoria ontem:
Esses dados são importantes porque, em maior ou menor grau, a bolsa brasileira e suas ações deverão passar por um ajuste nesta sexta, de modo a refletir o desempenho de ontem dos ativos domésticos em Wall Street. Ou seja: por mais que o clima lá fora esteja melhor, o Ibovespa tende a sentir um tranco.
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Isso não quer dizer que o dia esteja condenado por aqui: esse ajuste negativo pode ser suavizado ao longo da sessão, de acordo com o humor dos investidores domésticos e internacionais — dados econômicos e notícias políticas também podem fazer preço.
Mas, ao menos na abertura, é razoável esperar que uma pressão vendedora se faça presente nesta sexta.
A sessão desta sexta também marcará a reação dos investidores à decisão de juros do BC — na noite da última quarta, o Copom elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, ao patamar de 13,25% ao ano, e deixou a porta aberta para novas elevações na reunião de agosto.
A movimentação da autoridade monetária era amplamente esperada pelo mercado: o BC cumpriu a promessa de tirar o pé do acelerador e subiu os juros numa magnitude menor que a vista na reunião passada — em março, o salto foi de 1 ponto. E, mais importante: o Copom deu a entender que o fim do ciclo de aperto está próximo.
Tanto é que bancos e casas de análise são quase unânimes em seus cenários: o BC deve elevar a Selic em mais meio ponto em agosto, ao nível de 13,75%, e finalmente interromper as altas nos juros — Itaú BBA, Bank of America e Goldman Sachs, entre outros, apostam nessa trajetória.
Sendo assim, os mercados devem se adequar a esse cenário, em especial o de juros: as curvas de curto prazo devem passar por ajustes para refletir o aparente término do ciclo de aperto monetário. Na bolsa, a Selic um pouco mais alta pode trazer cautela às ações de empresas e setores diretamente ligadas às taxas — bancos tendem a ter um impulso positivo, enquanto incorporadoras, varejo e tecnologia podem sofrer com uma pressão adicional.
No mercado de câmbio, o DXY — índice que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, como o iene, o euro e a libra, entre outras — opera em alta de 0,6% nesta manhã, indicando um fortalecimento da divisa americana em relação aos seus pares; ontem, o DXY chegou a cair mais de 1%.
Entre as commodities, tanto o petróleo Brent quanto o WTI exibem altas modestas; os materiais básicos metálicos têm sinal oposto.
No lado das criptomoedas, o bitcoin (BTC) sobe 1% e o ethereum (ETH) fica praticamente estável; as duas principais moedas digitais do mundo sustentam-se acima dos suportes de US$ 20 mil e US$ 1 mil, respectivamente — esses níveis são vistos como cruciais por analistas e investidores.
Por mais que os mercados brasileiros reabram hoje, a agenda de divulgação de dados econômicos segue dormente por aqui: não há nenhum grande indicador doméstico a ser revelado nesta sexta-feira. Lá fora, no entanto, a história é diferente.
A começar pela zona do euro: por lá, foi divulgada mais cedo a inflação ao consumidor (CPI) em maio, que chegou ao nível recorde de 8,1% na base anual — mais um indício de que o ciclo de alta de juros no mundo tende a continuar de maneira firme, de modo a conter o avanço nos preços.
Nos EUA, a produção industrial de maio é o principal indicador do dia, a ser conhecido às 10h15. Mas, mais importante que esse dado é o novo discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, nesta manhã: ele falará em um evento em Washington D.C. e pode dar novas pistas quanto à postura do BC americano no curto prazo.
O montante considera o período de janeiro até a primeira semana de março e é quase o dobro do observado em 2025, quando os gringos injetaram R$ 25,5 bilhões na B3
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