Confira as previsões do Ministério da Economia para o rombo nas contas públicas, despesas e salário mínimo em 2022
As estimativas incluem um déficit primário de R$ 170 bilhões e salário sem aumento real pelo terceiro ano consecutivo

O governo ainda não chegou a uma alternativa para solucionar o impasse do Orçamento 2021. Mesmo assim, o Ministério da Economia apresentou, nesta quinta-feira (15), a Proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022.
Entre os destaques do documento está uma meta de déficit primário de R$ 170,4 bilhões para as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central em 2022.
O montante, que equivale a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), assusta, mas ainda assim representa uma redução em relação ao rombo de até R$ 247,2 bilhões neste ano.
As contas têm ficado “no vermelho” desde 2014 e, segundo o Ministério da Economia, devem seguir assim, com um saldo negativo de R$ 144,9 bilhões em 2023 e descendo a R$ 102,2 bilhões em 2024. Os valores equivalem a 1,5% e 1,0% do PIB, respectivamente.
No quesito dívida bruta, o governo deverá chegar a 86,7% do PIB no próximo ano, 87,3% em 2023 e 88,1% em 2024. Já a dívida líquida foi estimada em 67,1% em 2022, 70,0% em 2023 e 72,4% do PIB em 2024.
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Para onde vai o dinheiro
De volta às apostas para 2022, a pasta projeta o total de despesas em R$ 1,5 trilhão, ou 18,24% do PIB. Já para 2023 e 2024, as contas devem ficar no patamar de R$ 1,6 trilhão, cerca de 16% do indicador econômico.
Entre os gastos obrigatórios, a maior soma vai para os benefícios previdenciários, que consumirão R$ 762,9 bilhões. As despesas com pessoal e encargos sociais foram estimadas em R$ 346,3 bilhões e as previsões para os gastos com abono e seguro desemprego ficaram em R$ 65,2 bilhões.
Por fim, teremos R$ 71,7 bilhões em desembolsos com Benefícios de Prestação e R$ 14,5 bilhões em subsídios, subvenções e Proagro.
Economia também vai crescer
O PLDO prevê um crescimento de 2,5% no PIB brasileiro em 2022, após um avanço de 3,2% neste ano. A estimativa está levemente acima das projeções de economistas consultados para o Boletim Focus, do Banco Central, que apontam alta de 2,33% na atividade econômica.
Na esteira do crescimento, o documento acredita em uma inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,5% em 2022. Já a aposta média para a taxa Selic ficou em 4,7%.
E o salário?
Em meio a tantas despesas, a pasta também divulgou que o palpite para o salário mínimo em 2022 não prevê, pelo terceiro ano seguido, um aumento real. Os R$ 1.147 presentes no documento, reajuste de 4,27% em relação ao valor pago neste ano, consideram apenas a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo tem um impacto de aproximadamente R$ 350 milhões nas despesas do governo, uma vez que seu piso é referência para boa parte dos benefícios previdenciários e assistenciais.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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