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Investir no Brasil não é fácil nem para os mais experientes gestores: André Ribeiro fala sobre trajetória da gestora e algumas ações favoritas em novo episódio do RadioCash, podcast da Empiricus e da Vitreo
A Brasil Capital, criada em 2008, tornou-se uma gestora reconhecida no mercado. Não é à toa, o desempenho apresentado é consistente: seu fundo de ações tem um retorno anual médio de 20% desde 2010.
André Ribeiro, sócio-fundador da gestora, falou sobre a trajetória da casa, sua tese de investimentos e as dificuldades de se investir no Brasil no último RadioCash, podcast da Empiricus conduzido por Felipe Miranda, CIO e estrategista-chefe da research, e Jojo Wachsmann, CIO da Vitreo.
De início, a Brasil Capital era uma gestora de fundos multimercados. Apesar de mostrar resultados positivos também nesta época, houve a opção, pouco mais tarde, por se especializar em empresas brasileiras listadas em Bolsa. “Antes fazíamos shorts e operávamos em outros mercados. Isso complicava tudo, atrapalhava as decisões. Nos perdíamos na hora de escolher entre curto, médio ou longo prazo”, contou Ribeiro.
Para o gestor, a decisão tomada pela Brasil Capital há quase dez anos de se especializar deve, cada vez mais, se tornar padrão. O mundo dos investimentos caminha para ser algo mais focado e menos generalista. “A tecnologia deve acabar por ligar investidores interessados em ações no Brasil com gestores especializados nesses ativos, bem como investidores interessados em ouro, em mercados asiáticos ou ações de tecnologia americanas”, comentou.
Segundo ele, a persona do “especialista em tudo” é algo um pouco ultrapassado, apesar de ainda ser sucesso no Brasil. “Fazer todas as alocações de um portfólio é uma dificuldade. Mas isso é muito mais demandado aqui do que no resto do mundo”.
Hoje, o foco de André Ribeiro e de sua equipe é buscar empresas brasileiras, listadas na B3 e também no exterior, que mesclam dominância setorial e atuação em áreas com alto potencial de crescimento. “Buscamos companhias líderes e em áreas promissoras”, afirma.
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A Brasil Capital também acompanha de perto a capacidade de execução das companhias. “Gostamos de equipes capazes de seguir em frente no Brasil, o que não é mole”, disse referindo-se aos desafios no ambiente de negócios do país.
Desde 2016, a Brasil Capital possui um escritório em Nova York, focado em atrair investidores estrangeiros para as companhias brasileiras. Isso, porém, não tem se mostrado algo fácil: Ribeiro afirma que o investimento na metrópole americana começou a dar resultados apenas nos últimos 12 meses e ainda existem entraves.
“A gente viu nesse ano investidores estrangeiros colocando bilhões na bolsa Brasileira de maneira consistente. O Brasil, apesar disso, continua não representando nada no MSCI Global e nem no MSCI Emerging Markets”, destacou.
O gestor afirma que, apesar do fluxo recente, os investidores internacionais que estão buscando o Brasil atualmente não são "novos". “Quem está vindo é quem já investe no Brasil há 10 ou 15 anos. Estão rebalanceando posições. Não vemos novos nomes se interessando por fundos brasileiros”, conta.
Isso se dá, conforme a explicação do gestor, pelo fato de o país estar entregando pouco crescimento, estando parado há quase uma década. “O investidor estrageiro deixou o Brasil de lado e foi buscar crescimento, principalmente o associado à tecnologia. Isso está na Ásia e nos Estados Unidos, não no Brasil e na América Latina. É preciso ter perseverança para investir aqui”, afirma.
Entregar resultados para investidores internacionais, mesmo com a ótima performance para os patamares brasileiros, chegou a ser um incômodo. “Eles poderiam ter alocado no S&P 500 e na Nasdaq e lucrado muito mais com muito menos emoção”, disse.
É por conta desse cenário que a Brasil Capital busca diferenciais na hora de fazer aportes. E, segundo André Ribeiro, é possível achar bons cases no país, apesar de tudo.
Dê o play abaixo e ouça esse bate papo na íntegra:
Perseverança e resiliência, segundo o próprio Ribeiro, como já mencionado, são características necessárias para investir no Brasil. E a Brasil Capital tem, em seu portfólio, aportes de longa data. Alguns deles podem ser utilizados, de acordo com Jojo Wachsmann, para mudar a mentalidade “day trade” de alguns estagiários.
“Estamos com a Cosan desde 2009. Lá atrás, quando investimos, era uma companhia de velhas usinas de açúcar gerida pelo fundador”, conta Ribeiro. “Já foi um investimento grande, pequeno, mas sempre esteve no portfólio. Hoje é, novamente, um dos nossos maiores aportes”. A companhia acumula valorização de mais de 300% desde então.
Para Ribeiro, a Cosan reúne os pontos que a Brasil Capital gosta: dominância, boa gestão e um setor promissor. Ela teria deixado de ser uma companhia de “usinas velhas” para virar líder de um setor com enorme potencial - o de energias renováveis - após o fundador abrir mão do seu controle total das decisões, achando bons sócios e executivos.
A Cosan ainda trabalha com commodities, setor em que o Brasil tem diferencial competitivo. “Quem sobrevive, no fim das contas, é quem tem menor custo-caixa. As empresas brasileiras de commodities, via de regra, possuem essa característica. Então, elas sobrevivem ao longo dos ciclos.”
Às vezes, porém, é necessário diminuir posições. No RadioCash, foi comentado o caso da B3, antiga e grande posição da gestora. “Hoje temos uma posição muito menor. Apesar dos resultados já entregues, há uma percepção do mercado que o crescimento e a margem podem ser atacados”, conta, em referência às recentes reclamações de agentes e clientes sobre os preços da companhia e também aos boatos do possível surgimento de uma concorrente.
Fora Cosan e B3, Ribeiro comentou no RadioCash sobre outras posições do Brasil Capital. Falou também sobre os IPOs, especialmente sobre aqueles com os quais está animado. “Acho essa safra algo excepcional”, afirma
Quer saber todos os detalhes? Basta ouvir o RadioCash na íntegra, que está disponível no Spotify.
Clique no play e confira esse bate-papo legal com o André Ribeiro, sócio-fundador e gestor da Brasil Capital.
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