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2021-06-09T20:56:05-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.
fila só cresce

Com bolsa testando recordes, empresas seguem com planos de IPO; veja novidades de junho

Avanço da vacinação, revisões de crescimento para a economia brasileira e balanços do primeiro trimestre puxam Ibovespa; mercado vê contexto favorável para novas ofertas, com seis empresas oficializando neste mês intenção de abrir capital na B3

9 de junho de 2021
20:43 - atualizado às 20:56
IPO
Imagem: Shutterstock

Seis empresas oficializaram em junho a intenção de abrir capital na B3 até esta quarta-feira (9), com ao menos a minuta do prospecto da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) protocolado na CVM.

Entre as novidades está gigantesca oferta da Raízen, mas o tom dos IPOs segue majoritariamente de empresas de porte mais modesto. Completam a lista de novas ofertas Trocafone, Brisanet, Tópico, Clear Sale e Oncoclínicas.

A decisão das empresas de abrir capital na B3 é oficializada em um momento em que o Ibovespa, o principal índice da bolsa, testa níveis nominais recordes, após semanas de dificuldades para as novatas que abriram capital em meio a um mercado mais volátil.

O CEO da corretora Planner, Alan Gandelman, diz ver as próximas ofertas de ações beneficiadas pelo contexto de otimismo, com o avanço da vacinação contra a covid-19 e revisões para cima do crescimento da economia brasileira, após o PIB do primeiro trimestre surpreender analistas.

O especialista cita ainda o dólar em queda e os resultados positivos das empresas no primeiro trimestre como fatores que podem contribuir para atrair os investidores. "Será uma janela [de oferta de ações] interessante porque existe apetite um pouco maior", diz

Gandelman lembra que é preciso analisar "empresa por empresa" antes de embarcar no negócio, mas diz que a diversidade de setores indo à bolsa por si só é positiva.

Com as novidades de junho, a CVM já soma 37 empresas na lista para realizar o IPO na B3. No início do ano, a XP chegou a estimar até 100 ofertas públicas iniciais em 2021.

Em um curto prazo, o mercado espera que as ofertas movimentem até R$ 30 bilhões em negócios, depois de a janela terminada em maio ter movimentado R$ 18 bilhões. No ano passado, os IPOs movimentaram pouco mais de R$ 110 bilhões.

Veja os destaques das ofertas oficializadas em junho, que devem seguir nos próximos meses:

IPO recorde?

Um dos principais destaques do segundo semestre, a Raízen deve movimentar entre R$ 10 bilhões e R$ 13 bilhõesno que deve ser um dos maiores IPOs da história da B3.

A empresa, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, pediu registro no Nível 2 na B3, com a venda de ações preferenciais — sem direito a voto, mas com preferência no pagamento de dividendos.

A companhia diz ser líder mundial em biocombustíveis e uma referência global em sustentabilidade, "na vanguarda de importantes tendências internacionais em transição energética, desenvolvendo soluções com baixa emissão de carbono".

Estão entre os planos da Raízen a aposta em etanol de segunda geração (E2G), em biogás e na produção de "pellets" de cana-de-açúcar para a exportação. O grupo também quer expandir a geração de energia solar e aumentar a rede de lojas de conveniência em postos de combustíveis.

No exercício anual encerrado em março, a Raízen teve lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, queda de 35,4%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 8,3 bilhões, baixa de 7,5%. A receita somou R$ 114,6 bilhões, em uma redução anual de 5%.

Mais saúde para bolsa

O setor de saúde na B3, que tem protagonizado ofertas gigantes e aquisições importantes para a consolidação nacional, vai ganhar mais uma companhia: a Oncoclínicas.

A empresa, no entanto, atua especificamente como rede de clínicas de tratamento contra o câncer. Criada em 2010, em Belo Horizonte (MG), a companhia diz ter a maior receita entre os pares privados do setor na América Latina.

A estrutura da companhia inclui 69 unidades, com clínicas e laboratórios em 20 cidades brasileiras. A Oncoclínicas tem ainda um laboratório de bioinformática nos Estados Unidos.

No ano passado, a rede de clínicas registrou receita líquida de R$ 2,04 bilhões, alta de 20,4% sobre 2019, com a margem Ebitda de 15,36%. A empresa quer usar os recursos da oferta de ações para financiar sua expansão, que deve envolver a aquisição de outras empresas.

A operação tem coordenação do Goldman Sachs, que é controlador indireto da companhia, Itaú BBA, Citi, UBS-BB, Santander e JPMorgan. Fundos de investimento Josephina venderão uma fatia no negócio.

Tech é pop

Outra frente que deve seguir dando as caras na B3 é a de tecnologia. Trocafone, Brisanet, Tópico e Clear Sales deixaram clara a intenção de vender uma tese "tech" em suas ofertas.

A Trocafone tem uma plataforma de compra e venda de aparelhos celulares seminovos. A companhia atua por meio de parcerias com varejistas, empresas de telecomunicações e Original Equipment Manufacturers (OEMs) e pelo canal C2B (para consumidores).

No ano passado, a companhia teve receita líquida de R$ 199 milhões. Com os recursos do IPO, a Trocafone quer acelerar fusões e aquisições, investir em marketing, reforçar o capital de giro e expandir a atuação na América Latina.

A empresa também planeja uma oferta secundária. A operação tem coordenação de Itaú BBA (líder), BTG Pactual, Goldman Sachs e UBS Brasil.

  • Já a Brisanet diz ser a maior do país entre os provedores independentes de internet de fibra óptica — presente em 96 cidades no Nordeste, enquanto a controlada Agility Telecom atende 251 municípios na região.

Criada há 22 anos, a empresa tem sede no Ceará e quer usar os recursos do IPO para expandir sua rede própria e para aportar capital na Agility. A oferta também deve permitir a saída de 11 sócios pessoa física. A coordendação da operação é de Santander, XP, BTG Pactual e UBS-BB.

A companhia é especializada no segmento de venda e locação de galpões, tendas e coberturas em lona ou zinco, atendendo diversos segmentos econômicos, mas com forte presença no agronegócio e nas indústrias de fertilizantes e açúcar.

No ano passado, a empresa teve lucro líquido de R$ 23,3 milhões, com margem bruta de 45%. O resultado, diz a companhia, reflete um plano estratégico iniciado em 2014, após a aquisição da divisão de armazenagem da Nautika Coberturas.

  • Já a Clear Sale é uma empresa especializada em soluções antifraude digital. A companhia atua em segmentos como e-commerce, mercado financeiro, telecomunicações e seguros.

Fundada em 2001, a empresa tem escritórios nos EUA e no México, mas diz analisar transações de mais de 160 países. No ano passado, a receita líquida da companhia foi de R$ 345,6 milhões, ante R$ 208,5 milhões em 2019.

Gandra Participações, Innova Capital e outros 49 acionistas pessoa física devem vender os papéis na oferta. Os recursos da oferta primária devem ser usados para crescimento orgânico, inovação e fusões e aquisições.

O coordenador líder é Itaú BBA, com Bank of America, Banco Múltiplo (agente estabilizador), Santander e BTG Pactual.

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