Gol fecha o trimestre no azul, mas queima caixa e segue com resultado operacional negativo
O balanço da Gol veio pior na base trimestral, tanto em termos de receita quanto de Ebitda. Mas o resultado financeiro forte garantiu o lucro

Trimestre após trimestre, a Gol faz questão de passar uma mensagem positiva aos acionistas — uma postura natural e esperada, obviamente. Projeções de melhora operacional, previsões otimistas quanto à dinâmica da pandemia, estimativas de recuperação financeira: a narrativa, em linhas gerais, é sempre a mesma.
Mas, ao menos neste segundo trimestre, ainda não é possível dizer que a companhia aérea já esteja enxergando um céu de brigadeiro adiante. Por mais que a Gol tenha reportado um lucro líquido de R$ 642,9 milhões entre abril e junho — no mesmo período do ano passado, houve prejuízo de R$ 2 bilhões —, ainda há várias nuvens carregadas no horizonte.
A cifra ficou bem acima das expectativas do mercado. A média das projeções de analistas consultados pela Bloomberg apontava para um prejuízo líquido de R$ 764 milhões. Ou seja: ao menos a última linha do balanço surpreendeu positivamente.
Só que a análise mais detalhada do balanço nos mostra que essa surpresa se deve, basicamente, ao resultado financeiro líquido positivo em R$ 1,479 bilhão no segundo trimestre — a Gol diz apenas que teve "ganhos com variações cambiais e monetárias de R$ 1,9 bilhão", sem dar maiores detalhes.
Portanto, estamos falando de um efeito que não traz impactos ao caixa da companhia. E, nas demais linhas dos resultados trimestrais, encontramos um desempenho que ainda não decolou.
Quer saber quais as perspectivas para a bolsa no segundo semestre desse ano? É só clicar no vídeo abaixo, feito especialmente pelo Seu Dinheiro para você:
Mantenham os cintos afivelados
Antes de irmos aos números em si, é importante fazer uma ressalva: a comparação anual é pouco útil, já que o segundo trimestre de 2020 foi marcado pelo auge da incerteza no setor aéreo e uma paralisia quase completa do fluxo de aeronaves.
Leia Também
Dito isso, a receita líquida da Gol chegou a R$ 1 bilhão, mais que o dobro dos R$ 357,8 milhões reportados há um ano. O dado parece bom à primeira vista, mas a comparação trimestral nos mostra uma tendência não muito animadora.
Afinal, a receita líquida da Gol encolheu na comparação com os primeiros três meses de 2021 e em relação ao quarto trimestre de 2020. É verdade que esses períodos são sazonalmente mais fortes para o setor aéreo, mas também é verdade que a vacinação contra a Covid-19 estava bem mais atrasada e as medidas de restrição eram bem mais severas.

Particularmente preocupante é a tendência do resultado operacional (Ebit) — o lucro ou o prejuízo que resulta das atividades diárias da companhia. No segundo trimestre deste ano, a linha ficou negativa em R$ 810,2 milhões, um desempenho não muito superior ao visto no mesmo intervalo de 2020.
Sendo assim, o que garantiu a decolagem do lucro foi o resultado financeiro positivo, já que as operações da Gol continuam deficitárias. Além disso, a aérea segue queimando caixa, embora em quantias menores que no passado.
O fluxo de caixa líquido da Gol ficou negativo em R$ 82,2 milhões — uma cifra bem inferior à dos trimestres passados, mas que ainda mostra a dificuldade da empresa para estancar a sangria.
| (R$ mi) | Resultado operacional (Ebit) | Margem Ebit | Fluxo de caixa líquido |
| 2T20 | -897,6 | -250,9% | -1010,1 |
| 3T20 | -760,4 | -78,0% | -142,7 |
| 4T20 | -319,2 | -16,9% | 577,8 |
| 1T21 | -522,5 | -33,3% | -514,5 |
| 2T21 | -810,2 | -78,8% | -82,2 |

Baixe já o seu!
Conquiste a sua medalha de investidor com as nossas dicas de onde investir no segundo semestre de 2021 neste ebook gratuito.
Gol: custos e dívida
No lado dos custos, a Gol também mostrou uma pressão superior à vista nos trimestres recentes — novamente, a comparação com o segundo trimestre de 2020 é pouco útil, dado que, na ocasião, os custos foram às alturas.
Veja abaixo como evoluiu o custo por assento (Cask) da Gol ao longo dos trimestres (em centavos de real):
- 2T20: 79,16;
- 3T20: 34,12 (-56,9% t/t);
- 4T20: 26,44 (-22,5% t/t);
- 1T21: 27,34 (+3,4% t/t);
- 2T21: 42,47 (+55,3% t/t)
Em termos de gestão de endividamento, a Gol segue com níveis elevados de dívida líquida e alavancagem, mas relativamente estáveis na comparação com o trimestre anterior — o que é uma boa notícia e afasta eventuais dúvidas a respeito da viabilidade das operações no curto prazo.
A posição de liquidez total da Gol — que soma o caixa e os recebíveis — subiu 1% em relação aos níveis de março, para R$ 1,8 bilhão; a dívida líquida recuou 3,5% na mesma base, para R$ 14,3 bilhões.

Mais projeções da Gol
A companhia aérea forneceu mais estimativas operacionais e financeiras a respeito do futuro. Para o terceiro trimestre, a Gol prevê uma receita líquida de cerca de R$ 1,8 bilhão e Ebitda positivo na ordem de R$ 400 milhões.
A dívida líquida, por outro lado, deve aumentar e chegar perto de R$ 15 bilhões.
TOUROS E URSOS #292
Juros altos vieram para ficar? Gestor da XP diz que investidor terá de reaprender a investir em um novo mundo
16 de outubro de 2026 - 12:17TARDE DEMAIS?
Casas Bahia (BHIA3) paga aluguel ao HSLG11, mas segue devendo ao FII; entenda como fica a ação de despejo
16 de outubro de 2026 - 10:38ALOCAÇÃO TÁTICA
Adeus ao CDI fácil: UBS rebaixa renda fixa pós-fixada e vê espaço para a bolsa brasileira saltar até 25%
15 de outubro de 2026 - 18:07TURNAROUND DA CARTEIRA
BC Fund (BRCR11) ganha força na bolsa com dividendos e mudanças no portfólio no radar; entenda os planos do FII
15 de outubro de 2026 - 17:30Conteúdo Empiricus
Opções: Como driblar o principal desafio deste mercado e buscar oportunidades com potencial de multiplicar o capital investido
15 de outubro de 2026 - 14:00MUDANÇAS EM CURSO
Os ETFs estão fazendo com os fundos o que os fundos fizeram com as ações há mais de 20 anos
15 de outubro de 2026 - 12:45TANQUE CHEIO NA BOLSA
Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
14 de outubro de 2026 - 16:27O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS