Executivo envolvido em escândalo no IRB Brasil cria banco digital
O executivo, que estava à frente da área de finanças durante o esquema que custou mais de R$ 30 bilhões em valor de mercado para o IRB, lançou a Cactvs em novembro do ano passado

Uma das figuras-chave no escândalo de fraudes milionárias do IRB Brasil, Fernando Passos, ex-vice-presidente do ressegurador, está investindo em um novo ramo e lançou uma espécie de banco digital voltado a microempreendedores nas regiões Norte e Nordeste.
Passos sequer esperou para ver qual seria o desfecho de processos - inclusive na esfera criminal - que apuram os fatos ocorridos durante sua gestão, e montou, no fim do ano passado, a Cactvs, conforme documentos obtidos pelo Estadão/Broadcast.
Relembre o caso
O executivo estava à frente da área de finanças durante o esquema de fraudes contábeis em balanços que custou mais de R$ 30 bilhões em valor de mercado para o IRB na bolsa, com os papéis desabando 80% em 2020.
O caso foi apontado pela gestora carioca Squadra no ano passado e envolveu até mesmo alegações falsas de que a Berkshire Hathaway, do lendário Warren Buffet, estaria investindo no ressegurador.
O episódio também gerou investigações internas, no Ministério Público e na Comissão de Valores Mobiliários.
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De volta ao presente, a nova empresa de Passos opera nos moldes de um banco digital e oferece, em seu aplicativo, os serviços de conta digital, PIX, maquininha e cartão Elo aos corajosos.
A Cactvs tem também um braço de educação, que oferta bolsas de mestrado e doutorado a correntistas "do seu banco" com valores entre R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil.
O edital com regras do benefício é assinado pelo presidente da Cactvs Instituição de Pagamento S.A. - o próprio Passos.
No site da empresa, constam ainda a oferta de um leque de produtos de seguros, incluindo apólices de automóveis, saúde, odontologia e até funerário.
Trâmites regulatórios
O negócio financeiro foi estruturado mesmo estando sujeito ao arcabouço regulatório do Banco Central (BC) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
No que diz respeito ao primeiro, a Cactvs foi aprovada como participante do Pix, sistema de pagamentos instantâneos, passando a fazer parte do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
A empresa não tem, contudo, aval do regulador para funcionamento. Isso porque, conforme explicou o BC ao ser questionado pela reportagem, a Cactvs ainda não se enquadra nos critérios que exigem o pedido de autorização junto à autoridade monetária para operar no Brasil.
A Cactvs chegou a ter o registro suspenso pela Susep, mas posteriormente a corretora foi liberada para operar com a venda de apólices no País, de acordo com informação encaminhada pela empresa à redação do Seu Dinheiro. [INFORMAÇÃO ATUALIZADA NO DIA 6/8/21]
Negócio de família
Um outro fato curioso também chama atenção na empresa, que foi fundada em novembro. Além de Passos, Kelvia Carneiro de Linhares Fernandes Passos, a esposa dele, também é sócia da companhia.
Eles estão juntos, na realidade, em duas empresas: a Cactvs Instituição de Pagamento S.A., aberta em novembro de 2020, e a Cactvs Corretora de Seguros S.A., fundada um mês antes.
Um terceiro negócio foi criado em maio de 2020, dois meses após o executivo deixar o IRB, em meio ao maior escândalo na história do ressegurador. Com o nome de KP Investimentos Eireli, o empreendimento tem Fernando Passos como único proprietário, conforme dados da Receita Federal.
Juntos, os negócios de fintech, seguros e investimentos têm capital social de R$ 21,5 milhões. As três empresas têm situação ativa junto à Receita Federal e estão sediadas no mesmo local, no bairro do Paraíso, em São Paulo.
A Cactvs Instituição de Pagamentos tem uma rede de 13 filiais pelo Brasil, conforme o site. Em sua maioria, as unidades estão localizadas no Nordeste e Norte do País.
Em seu site, a empresa diz ainda ser formada por um "time pioneiro do microcrédito produtivo orientado na América Latina", com mais de 25 anos de experiência no setor.
Procurada, a Cactvs não se manifestou. Fernando Passos também não quis se pronunciar a respeito.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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