Stuhlberger: ‘Bolsonaro não vai ter mais o meu voto’
Gestor do lendário Fundo Verde afirma que gestão da pandemia pelo presidente resultará numa perda de até R$ 200 bilhões ao país em 2021

Jair Bolsonaro perdeu um eleitor de peso para 2022: Luis Stuhlberger, lendário gestor do Fundo Verde, que conseguiu uma rentabilidade acumulada de 18.681% desde que foi criado, em 1997. Para efeito de comparação, o CDI no mesmo período avançou 2.230%.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, publicada no sábado (27), ele disse que o Brasil foi “o pior país do mundo na condução do combate à pandemia”, calculando que o atraso na vacinação resultou “tranquilamente” numa perda de 1,5% a 2% no PIB este ano, em torno de R$ 130 bilhões a R$ 140 bilhões. Considerando o custo do auxílio emergencial, a perda foi de R$ 200 bilhões.
Ele foi um dos que subscreveram à carta dos economistas, divulgada no domingo passado (21), que cobra efetividade no combate à covid-19 no Brasil.
“No ato em que subscrevi a carta, pensei: ‘Estou aqui dizendo, votei em 2018, acreditei na sua proposta, mas você (presidente Jair Bolsonaro) não vai ter mais o meu voto’”, diz o gestor na entrevista.
Stuhlberger vê uma guinada na atuação do governo no combate à pandemia, seja por causa da nova cepa de covid-19 ou pela entrada do ex-presidente Lula no xadrez político, ameaçando as chances de reeleição de Bolsonaro em 2022.
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“A eleição do ano que vem está longe, mas houve uma mudança substancial nas perspectivas. A um custo imenso financeiro e de vidas, a pandemia está começando a ser resolvida. Mas a questão que vem do Supremo [Tribunal Federal, em favor de Lula] mexeu muito com meios subjetivos”, disse ele.
Vendo Lula e Bolsonaro com “90% de certeza” no segundo turno das eleições presidenciais do ano que vem, o lendário gestor do Verde afirmou que pretende votar em branco, algo que nunca fez, “porque sempre acho que existe um mal menor”.
“Desta vez, se for Bolsonaro contra Lula, vou ter de votar em branco, porque não há mal menor entre os dois. É um recado para o presidente, no sentido de que melhore, porque há muitas pessoas e eleitores que pensam como eu”, afirmou.
Não há bolha na bolsa
Stuhlberger respondeu também na entrevista que não vê algum tipo de bolha na bolsa, avaliando que a entrada de novas empresas e investidores, principalmente pessoas físicas, faz parte do cenário de juros baixos, avaliando ainda que o país não terá mais dois dígitos de juros.
E isso significa que o dinheiro que virá para o Brasil será investido, além da bolsa, em debêntures de infraestrutura, fundos imobiliários e estruturas de crédito, indo para a economia real.
“Novos negócios estão sendo gerados para serem financiados via instrumentos modernos criados pelo mercado, pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários. Tudo isso é possível com a Selic mais baixa e cria uma nova dinâmica econômica. Mesmo [a Selic] indo a 5%, essa nova realidade não vai deixar de existir”, afirmou.
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