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Os parlamentares apontam “patentes desvios de finalidade” na votação do texto, além de “atropelo do devido processo legislativo”
Um grupo de seis deputados federais apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (4) um mandado de segurança pedindo a anulação da votação que aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios na Câmara dos Deputados, abrindo espaço de R$ 91,6 bilhões no Orçamento de 2022 para o pagamento do Auxílio Brasil e outros gastos às vésperas da eleição presidencial.
Os parlamentares apontam "patentes desvios de finalidade" na votação, além de "atropelo do devido processo legislativo". "A inobservância do devido processo legal constitucional foi dolosa, na medida em que, não obstante repetidamente reclamada em plenário, foi votada a matéria, à revelia da Constituição Federal e das normas regimentais", sustentam.
O documento é subscrito pelos deputados Alessandro Molon (PSB-RJ), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Joice Hasselmann (PSL-SP), Kim Kataguiri (DEM-SP), Marcelo Freixo (PSB-RJ) e Vanderlei Macris (PSDB-SP). Os parlamentares sustentam que o mandado de segurança visa corrigir "o evidente descumprimento aos preceitos constitucionais referentes às propostas de emendas constitucionais".
As questões levantadas pelos deputados são as mesmas que a Ordem dos Advogados do Brasil aponta como descumprimentos do regimento interno da casa legislativa. Na manhã desta sexta-feira (5) a entidade máxima da advocacia informou que está estudando "possíveis ações legais" para suspender a votação que resultou na aprovação da PEC dos precatórios. "Não se pode alterar as regras por conveniência de momento para aprovar esta ou aquela matéria", afirmou em nota.
O primeiro ponto questionado, tanto pela OAB quanto pelos parlamentares, é o fato de o presidente da casa, Arthur Lira ter permitido a apresentação de emenda aglutinativa, sendo que, segundo os deputados, texto de tal natureza só poderia ser apresentado perante a Comissão especial, no prazo regimental, e com 171 assinaturas de apoio, o que não houve no caso.
Os deputados também contestam que parlamentares votaram remotamente, "contrariando o Regimento Interno da Câmara dos Deputados e os próprios regulamentos internos". O mandado de segurança impetrado no STF sustenta que "de forma casuística e em patente desvio de finalidade", foi baixado um ato da Mesa Diretora da Câmara que permitiu a votação remota de parlamentares em missão oficial para a COP26, em Glasgow, na Escócia, para "garantir o quórum necessário à aprovação da PEC".
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Os parlamentares pedem urgência na análise do pedido sob o argumento de que a votação em segundo turno da PEC está prevista para a próxima terça-feira, 9. Eles sustentam que, caso não haja a suspensão, o texto pode ser eventualmente considerado aprovado pela Câmara e seguir para o Senado, "de forma manifestamente irregular".
A votação da PEC no primeiro turno se deu na madrugada desta quinta-feira, 4, após dias de negociações, pressão sobre a oposição e promessas de emendas parlamentares. Lira trabalhou ao longo do dia pela vitória, inclusive tendo votado a favor do texto - o presidente da Câmara pode se abster das votações. A margem foi apertada, mas o governo Jair Bolsonaro conseguiu 312 votos favoráveis ao texto.
Como mostrou o Estadão, em busca de apoio para a PEC, o presidente acelerou a liberação de dinheiro a deputados na véspera da votação. Desde que texto chegou ao plenário da Câmara, o governo empenhou R$ 1,2 bilhão das chamadas emendas de relator-geral - o mecanismo do orçamento secreto.
Segundo relatos feitos aos repórteres Breno Pires e André Shalders, o valor oferecido por interlocutores do Palácio do Planalto pelo voto de cada parlamentar foi de até R$ 15 milhões. Quem coordenou as negociações foi o próprio presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL).
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