Mesmo com pandemia, Copom vê necessidade de ajuste ‘mais célere’ do grau de estímulo monetário
Choque positivo da demanda e riscos fiscais de curto prazo são responsáveis por contaminar expectativas de inflação, diz ata

Na decisão de elevar a taxa básica de juros, a Selic, a primeira alta em seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) viu que a combinação de choque positivo da demanda e riscos fiscais de curto prazo resultaram na reversão das expectativas de inflação, exigindo um ajuste “mais célere do grau de estímulo”, mesmo que a pandemia demonstre sinais de agravamento.
Os integrantes do Comitê avaliaram que há um choque positivo de demanda atuando na economia, o que está ajudando a puxar a inflação para cima. Eles chegaram a esta conclusão após avaliarem que a normalização das cadeiras produtivas está demorando para se materializar, segundo a ata da reunião da semana passada, em que a Selic foi elevada em 0,75 ponto percentual (p.p.), a 2,75% ao ano.
Eles destacaram ainda os riscos fiscais de curto prazo, que seguem elevados devido ao agravamento da pandemia, implicando um viés de alta nas projeções de inflação, também afetando “o grau apropriado de estímulo monetário”.
Para diversos membros, essas pressões sendo observadas neste começo de ano podem contaminar as expectativas de inflação para 2022, “gerando risco de uma desancoragem das expectativas no horizonte relevante de política monetária”, por mais que eles próprios considerem que os choques atuais são temporários.
“Todos esses fatores contribuíram para uma postura mais assertiva na condução da política monetária”, diz trecho da ata do encontro. “Esse ajuste mais célere do grau de estímulo é compatível com o cumprimento da meta no horizonte relevante mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social.”
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Os membros do Copom trataram ainda da trajetória da economia na reunião da semana passada.
Para eles, os últimos dados indicam que o país está em trajetória de retomada, mas que a piora da pandemia pesará sobre a atividade, indicando que “há bastante incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia no primeiro e segundo trimestres deste ano”.
Ainda assim, o Copom não demonstra preocupação quanto à situação, avaliando que a economia não deve piorar na mesma proporção do que o visto em 2020. A expectativa é de uma recuperação rápida da economia a partir do segundo semestre.
“Para o Comitê, o segundo semestre do ano pode mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”, diz trecho da ata.
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