Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos
Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Se você ficou com a impressão de que o presente de Dia das Mães está mais salgado — ou até mesmo comprou algo mais simples, para não pesar no orçamento —, saiba que sua percepção não está errada: segundo a FGV, a inflação para a data é a maior dos últimos quatro anos.
O levantamento foi feito a partir de uma cesta com 32 produtos e serviços. Em média, os preços estão 4,1% maiores que no Dia das Mães do ano passado — esse aumento, no entanto, é menor que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 6,71%.
No lado dos produtos, o salto mais expressivo foi visto nos eletrodomésticos: as máquinas de lavar ficaram 12,39% mais caras em 12 meses; ventiladores e circuladores de ar saltaram 10,5%; computadores e acessórios subiram 9,55%; e aparelhos de TV estão com preços 7,52% maiores.
"Os custos tiveram um papel importante", avalia Matheus Peçanha, pesquisador do FGV IBRE. "As commodities metálicas tiveram aumentos na casa dos 80% em 2020, custo muito relevante na produção dos eletrodomésticos, das bijuterias e bicicletas".
Os preços de outros presentes comuns para a data também subiram mais que a inflação nos últimos 12 meses:
- Roupas de cama, mesa e banho: +9,17%;
- Bijuterias: +7,36%
- Bicicletas: +7,15%.
Mas nem tudo ficou mais caro: bens semiduráveis, como calçados femininos, recuaram 0,23%; artigos de maquiagem (-1,15%), roupas femininas (-1,49%) e livros (-3,68%) também tiveram deflação.
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Serviços no Dia das Mães
No lado dos serviços, há algumas distorções: por causa da pandemia, inúmeras categorias ficaram com os preços praticamente estáveis em relação ao Dia das Mães do ano passado — caso dos ingressos de cinema, shows e teatro.
Outro efeito ligado à Covid-19 é a forte alta nas passagens aéreas, com alta de 26,09%. Vale lembrar que, em maio do ano passado, o setor estava praticamente paralisado e, consequentemente, os bilhetes eram vendidos com preços muito abaixo do normal.
Ainda na cesta de serviços, os preços dos restaurantes (+3,82%), salões de beleza (+3,21%) e academias (+2,06%) avançaram; no lado oposto, excursões (-0,28%) e hotéis (-1,77%) estão com preços mais em conta.
"A inflação de custos foi a tônica da elevação de preços da cesta", diz Peçanha. "No caso dos restaurantes, o preço dos alimentos teve um impacto muito grande para o reajuste desse serviço, mesmo em um ambiente de demanda menos aquecida".

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