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Os problemas domésticos foram para baixo do tapete e os fatores externos ajudaram o Real a se valorizar e a bolsa a romper resistências importantes. Confira um resumo da semana.
Não importa quão boa a sua semana tenha sido, duvido que ela tenha sido melhor do que a do Real. A moeda brasileira não anda tendo do que reclamar nos últimos dias e viu o dólar à vista voltar a ser cotado na casa dos R$ 5,20.
Não que nossos problemas internos estejam resolvidos e as crises política e fiscal sejam coisas do passado. Eles ainda estão aí - juntos com a pandemia e a falta de vacina que ainda castiga nosso país - mas o mercado tem jogado esses temas para baixo do tapete.
O que está nos holofotes é o novo “boom” das commodities (que traz um fluxo positivo de dinheiro estrangeiro para o país), a manutenção dos juros baixos no exterior (o que enfraquece o dólar) e uma alta dos juros aqui no Brasil (o que torna o país mais atrativo para o investimento gringo).
Dava para resumir o parágrafo acima em dois acontecimentos que marcaram essa semana: payroll abaixo do esperado e o Copom elevando a taxa básica de juros para 3,5% ao ano e já sinalizando que a Selic vai subir ainda mais.
O resultado foi a moeda americana se desvalorizando em escala global - frente aos seus pares dos países desenvolvidos e também dos emergentes - e o Real dando uma bem-vinda valorizada. Na semana, o dólar à vista teve um recuo de 3,74%.
A queda de hoje esteve diretamente relacionada aos dados do mercado de trabalho americano. Ao invés da criação de pelo menos um milhão de novas vagas, os Estados Unidos registraram “apenas” 266 mil novas vagas. A taxa de desemprego foi a 6,1%, contrariando a projeção de queda para 5,8%.
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Isso significa que a economia americana está de fato se recuperando, mas não tão rápido quanto o mercado temia, o que pode significar que os juros de fato se manterão nos patamares mínimos por mais algum tempo. Esse alívio significa muito para os investidores, já que o temor de que a pressão inflacionária faça o Federal Reserve elevar os juros tem disparado o retorno dos títulos do Tesouro americano - o que causa uma fuga das bolsas, principalmente dos países emergentes.
Um alívio dessa magnitude fez o dólar à vista recuar 0,93% hoje, a R$ 5,2286 - a mínima do ano. A bolsa também ganhou um gás extra e rompeu um patamar importante - o dos 122 mil pontos. O índice DXY, que compara a moeda americana com uma cesta de moedas fortes, atingiu as mínimas em Nova York. O Ibovespa fechou na máxima do dia ao subir 1,77%, aos 122.038 pontos. Na semana, o avanço foi de 2,64%
O presidente Joe Biden e a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, renovaram os seus argumentos sobre a necessidade de estímulos para manter a economia aquecida e se recuperando. Jerome Powell passou os últimos meses tentando reforçar esse discurso. Mas o mercado ainda tem lá suas dúvidas. Isso se refletiu em uma instabilidade nos juros futuros mais longos nos EUA. Ainda assim, as bolsas conseguiram fechar no azul, com o Dow Jones e S&P 500 renovando suas máximas - o Dow Jones subiu 0,66%, o S&P 500 teve alta de 0,74% e o Nasdaq avançou 0,88%.
Por aqui, o mercado de juros foi pressionado por dados melhores do que o esperado do varejo - mostrando uma atividade menos cambaleante do que o projetado. Com isso e um novo aumento da Selic já contratado, as taxas curtas e intermediárias subiram, enquanto a ponta mais longa seguiu em processo de ajuste. Confira:
Para Victor Benndorf, head de análise da Benndorf Research e colaborador da Apollo Investimentos, os 122 mil pontos são um ponto de resistência muito mais importante do que os níveis históricos para ser rompido - e a bolsa brasileira tem encontrado dificuldade para se firmar acima dele. Hoje foi por pouco.
Para o analista, essa dificuldade se deve ao fato de que o Ibovespa está muito mais alinhado aos seus pares emergentes do que às bolsas dos países desenvolvidos, que vêm renovando seguidos recordes. “A maré alta está levantando todos os barcos - ou seja, os desenvolvidos estão carregando o mundo inteiro”.
A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada hoje pelo IBGE surpreendeu positivamente o mercado. Era esperada uma queda de 5,1% na passagem de fevereiro para março, mas a queda foi muito menos intensa, apenas 0,6%, no varejo restrito, e 5,3%, no ampliado, ante expectativa de -11,5%. Benndorf aponta que isso mostra que a segunda onda de lockdowns que o país enfrentou deve trazer danos menores para a economia do que o esperado.
Além dos sinais da economia americana, a semana também foi pautada pela decisão de juros do Banco Central Brasileiro.
Sem surpresas, o Comitê de Política Monetária acabou decidindo por elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual. O que, em certa medida, surpreendeu o mercado foi a sinalização de que um ajuste de igual magnitude deve ser feito na próxima reunião, que acontece em junho.
Para Benndorf, o BC foi incisivo em seus pontos para lidar com a pressão inflacionária, mas ficou ‘em cima do muro’, assim como Powell vem fazendo nos Estados Unidos. “Tudo pode mudar muito rápido, estamos lidando com fatores muito dinâmicos”.
A pandemia? Ainda está rolando. As reformas? Ainda estão travadas. O cenário fiscal? Tão ruim quanto era na semana passada. Mas, nos últimos dias, isso não preocupou o mercado.
Ariane Benedito, economista da CM Capital, destacou surpresa que o Credit Default Swap, um dos termômetros para o Risco-país, tenha acelerado a queda na tarde desta sexta-feira. A surpresa vem porque a percepção dos especialistas é que os problemas não foram resolvidos e, uma hora, eles devem ser precificados pelo mercado.
As contas públicas, a CPI que investiga a atuação do governo federal durante a pandemia, os problemas envolvendo a reforma tributária (fatia ou não fatia?) seguem aí. Benndorf, da Apollo Investimentos, aponta que o mercado não é perfeito - o cenário continua ruim e uma hora deve cobrar o seu preço.
“A galera parece que esquece conforme vão diminuindo os números de mortes. Nem se fala mais dos impasses que a gente está tendo com as vacinas. Cadê as notícias de negociação? Chegaram todos os insumos que a gente precisava? Não, né? O mercado foca no que mostra aquecimento da economia. Também temos a reforma tributária, que é algo que é para ‘inglês ver’. A gente sabe que é complexo e que não vai se resolver da noite para o dia”, afirma Benedito, da CM Capital.
Além disso, os dois especialistas lembram que as eleições de 2022 já estão no horizonte e devem travar ainda mais as discussões.
Em uma semana marcada por uma temporada de balanços aquecida - e com bons números -, foi nisso que o mercado doméstico esteve focado e o que acabou movimentando os papéis nos últimos dias. Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 42,64 | 15,87% |
| CCRO3 | CCR ON | R$ 13,45 | 11,71% |
| BRML3 | BR Malls ON | R$ 10,61 | 11,45% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 16,99 | 10,32% |
| ASAI3 | Assaí ON | R$ 88,97 | 9,99% |
Confira as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 24,81 | -13,76% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 209,96 | -9,38% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 62,48 | -7,19% |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 36,74 | -5,26% |
| WEGE3 | Weg ON | R$ 33,43 | -4,51% |
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