Governo chinês negocia com bancos para evitar calote da Evergrande; entenda o que pode estar por vir
Pequim corre para solucionar crise da dívida da megaincorporadora chinesa e evitar calote a credores

Os mercados imobiliários globais precisam rever sua relação com o mês de setembro. Foi em meados de setembro de 2008 que a quebra do Lehmann Brothers desencadeou a crise do crédito subprime nos Estados Unidos. Agora o grupo chinês Evergrande encontra-se à beira de um colapso.
Grandes bancos chineses foram notificados nesta semana pela autoridade habitacional chinesa que o Grupo Evergrande não vai conseguir rolar suas dívidas a partir de 20 de setembro, antecipando o impacto da crise de liquidez da megaincorporadora chinesa, informa a agência de notícias Bloomberg.
Os problemas financeiros da segunda maior incorporadora da China vêm causando apreensão entre investidores e compradores de imóveis ao mesmo tempo em que representam um risco ao vasto e complexo sistema financeiro do país asiático.
Corrida contra o relógio
Representantes do Ministério de Habitação e de Desenvolvimento Urbano e Rural reuniram-se com diretores de bancos chineses nesta semana para colocá-los ao par da situação, noticiou hoje a Bloomberg.
De acordo com as fontes citadas pela agência, o governo e a Evergrande tentam negociar com os bancos a possibilidade de prorrogação dos débitos. Trata-se, porém, de uma corrida contra o relógio.
A crise envolvendo a Evergrande tem deixado analistas no Ocidente com as barbas de molho, com alguns deles chegando ao ponto de considerar a iminência de a China emergir como o cisne negro da vez nos mercados financeiros internacionais.
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Not too big to fail
Entretanto, ao contrário do que aconteceu com o estouro da bolha imobiliária nos EUA, onde o governo e autoridades reguladoras do sistema financeiro consideraram os bancos grandes demais para quebrar (too big to fail), resgatando-os por meio de um pacote trilionário pago pelos contribuintes norte-americanos, especialistas em China consideram que Pequim deve seguir por outro caminho.
Para os analistas da Enodo Economics, por exemplo, é altamente improvável que o governo chinês promova um resgate financeiro da Evergrande.
O cenário mais provável, segundo eles, é que as autoridades locais façam tudo o que estiver ao alcance para primeiro evitar um calote e depois mitigar os efeitos de uma quebra controlada da empresa.
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Credores devem ser privilegiados
Neste caso, os analistas acreditam que, em vez de resgatar a Evergrande, a estratégia do governo será privilegiar os pagamentos a empresas terceirizadas, fornecedores e compradores que já pagaram por imóveis não entregues.
“Os esforços provavelmente se concentrarão no resgate aos credores da Evergrande”, escreve Dinny McMahon, analista da Enodo, que tem sedes em Hong Kong, EUA e Reino Unido.
"Com relação ao impacto para o sistema financeiro, o mais provável é que seja mínimo, com os detentores de bônus arcando com um forte desconto, mas com os bancos saindo do processo praticamente ilesos", conclui McMahon.
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