Diretor do BC diz não enxergar cenário de estagflação para o Brasil
Kanczuk rechaçou a tese de que o Brasil estaria entrando em "dominância fiscal" - que ocorre quando o BC não consegue mais elevar a taxa de juros para combater a inflação porque isso amplificaria o desequilíbrio fiscal do País

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse nesta sexta-feira não enxergar um cenário de estagflação no Brasil, que combinaria um cenário estagnação econômica combinada com um aumento da inflação.
"Estamos atuando para trazer a inflação para o centro da meta de inflação no horizonte relevante", disse em evento virtual organizado pelo Goldman Sachs.
Mais uma vez, Kanczuk rechaçou a tese de que o Brasil estaria entrando em "dominância fiscal" - que ocorre quando o BC não consegue mais elevar a taxa de juros para combater a inflação porque isso amplificaria o desequilíbrio fiscal do País.
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"Estamos longe disso", repetiu o diretor. "Não estou dizendo que isso nunca poderia acontecer. Mas o BC se concentra no seu mandato de controlar a inflação, e não no fiscal, que diz respeito a outras autoridades. Se a inflação subir, vamos elevar os juros", completou.
Ele repetiu que a autoridade monetária considera como uma taxa de juros real neutra de 3,00% em seu cenário básico. "É isso que temos em mente para uma normalização completa (da política monetária). Mas o que iniciamos agora é uma normalização parcial, que não deve alcançar essa taxa neutra. É como vemos agora, mas não é um compromisso, podemos ir além ou aquém, dependendo de como as coisas se comportem", concluiu.
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PIB e Selic
O diretor de Política Econômica do Banco Central disse ainda que o cenário da autoridade monetária para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 (3,6%) é melhor que a estimativa do mercado, sobretudo pelas expectativas para o segundo semestre deste ano.
Ao ser perguntado sobre a reação do mercado a respeito da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), o diretor respondeu que houve muitas reclamações. No mês passado, o colegiado elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 2,75% ao ano, e sinalizou nova alta de 0,75 p.p. em maio, para 3,50% ao ano.
"Alguns economistas acharam que o Copom deveria ter sido mais hawkish e outros consideraram que deveria ter sido mais dovish. Mais do que aplausos, todo mundo reclamou", respondeu ele.
Mais uma vez, o diretor confirmou que a próxima reunião do Copom terá como horizonte relevante da política monetária apenas o ano de 2022. Ele detalhou os cenários alternativos divulgados pelo BC no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), com agravamentos do risco fiscal e da pandemia. "O abandono fiscal durante governo da ex-presidente Dilma Rousseff é uma experiência a ser lembrada", alertou.
Marco cambial
O diretor de Política Econômica do Banco Central disse também que a autoridade monetária espera uma aprovação em breve do projeto de modernização cambial pelo Senado. O texto já passou pela Câmara dos Deputados. "A esperança é de que o novo marco cambial seja votado neste trimestre", afirmou.
Ele respondeu ainda que não está no radar no BC nenhuma alteração na política de intervenções no mercado cambial. "É sempre uma questão de funcionamento do mercado ou não. Se o real está se movendo demais devido a uma questão de fluxos que o mercado não está conseguindo absorver, isso justifica uma intervenção. São essas variáveis que olhamos", completou.
Ao encerrar sua participação no evento, ele destacou mais uma vez que o cenário básico do BC considera uma retomada mais veloz da economia na segunda metade do ano, graças à maior imunização contra a covid-19. "A demanda por vacinas na população brasileira é muito alta e isso nos faz ser mais otimistas com a retomada no segundo semestre", concluiu.
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