Brasil ‘reestreia’ no mercado de fabricação de TV
Agora o movimento de volta das nacionais é capitaneado por três indústrias com tradição na fabricação de eletroportáteis e eletrônicos: Mondial, Britânia e Multilaser.

Empresas brasileiras estão de volta à produção de televisores, depois de um longo período no qual a fabricação no País praticamente ficou nas mãos de companhias asiáticas - coreanas, chinesas e japonesas.
Agora o movimento de volta das nacionais é capitaneado por três indústrias com tradição na fabricação de eletroportáteis e eletrônicos: Mondial, Britânia e Multilaser.
Apesar de o porte das brasileiras ser muito menor do que o das gigantes coreanas que dominam o mercado, a chegada das novatas deve incomodar as multinacionais. E quem deve sair ganhando é o consumidor.
Especialistas veem para os próximos meses uma guerra de preços de TVs, mesmo considerando a alta de custos dos componentes cotados em dólar. A intenção das novas fabricantes é conquistar uma fatia das vendas de televisores no varejo, que chegam a movimentar cerca de R$ 30 bilhões por ano.
O isolamento social imposto pela pandemia aumentou a venda de aparelhos no varejo que no ano passado registrou crescimento em relação a 2019 e somaram 12,147 milhões de unidades, segundo a consultoria GFK.
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Também a crise econômica explica parte do interesse dos novos fabricantes. Mesmo com o bolso mais apertado, o brasileiro manteve o desejo de ter uma TV conectada de tela grande.
"O consumidor passou a racionalizar a compra: procura hoje uma TV premium, mas com custo benefício maior", explica o diretor de Varejo da GFK, Fernando Baialuna.
Essa reação abriu espaço para que outras empresas começassem a explorar um novo filão de mercado que vinha se desenhando e foi acelerado pela pandemia.
Na opinião de José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, o amadurecimento do produto reduziu o custo dos investimentos em tecnologia. E isso facilitou o acesso de empresas nacionais, normalmente menos capitalizadas do que as multinacionais, à produção de televisores.
Ele lembra também que, em setembro passado, a japonesa Sony deixou uma lacuna no mercado de TVs ao anunciar a saída definitiva do País.
Aceleração
A Mondial, líder em eletroportáteis, comprou a fábrica da Sony em Manaus (AM). Com isso, encurtou o plano de produzir TVs, previsto para três anos. A companhia começa a produzir TVs em outubro, e a perspectiva é que os aparelhos cheguem ao mercado em novembro.
Na avaliação de Giovanni Marins Cardoso, sócio fundador, as companhias nacionais estão vendo mais oportunidades no mercado brasileiro do que problemas e têm mais ímpeto para investir do que as multinacionais.
O empresário não revela quanto vai aplicar no novo negócio e diz que as metas de produção estão ainda em definição. A intenção é aproveitar a sinergia da marca e a capilaridade da distribuição dos eletroportáteis para vender televisores.
A Britânia é outra que pegou carona nos eletroportáteis para avançar no mercado de televisores. "Fizemos uma pesquisa e descobrimos que já estávamos presente com a marca Britânia em 98% dos lares com eletroportáteis", diz Heloísa Freitas, gerente de marketing.
A empresa, que já produz TVs com a marca Philco, começou a fabricar smart TVs de 32, 42, 50 e 55 polegadas com a marca Britânia em fevereiro, na unidade de Manaus (AM).
Desde o mês passado os produtos chegam ao varejo. "Queremos pegar a fatia de empresas que saíram do mercado e aproveitar o aumento do consumo e do entretenimento que veio com a pandemia", afirma Heloísa.
Também sem revelar investimentos e metas de vendas, ela diz que a intenção é atuar como a marca Britânia numa faixa de preço intermediário, entre R$ 200 a R$ 300 mais barato do que a concorrência, dependendo do modelo do aparelho e da loja.
Já a marca Philco, desde 2007 com a companhia, se mantém como marca de televisores com mais tecnologia e inovação. A gerente frisa que não há risco de canibalismo entre as duas marcas.
Parceria
A Multilaser, uma das principais fabricantes de itens de informática e telefonia, fechou neste ano parceria com o grupo chinês Hisense, que detém os direitos da marca Toshiba, para usar essa bandeira, que tem forte presença na memória dos brasileiros, em televisores voltados para o segmento premium.
Durante décadas a marca Toshiba esteve presente no mercado brasileiro nas TVs fabricadas pela Semp. Mas a parceria acabou em 2018. A empresa também tem TVs com a marca Multilaser, voltada para aparelhos de menor valor.
Lançados no mês passado, os aparelhos da Toshiba serão produzidos nas unidades da companhia em Manaus (AM) e Extrema (MG).
A meta é fabricar 1 milhão de televisores por ano em cinco anos, diz o vice-presidente de produto, André Poroger. Segundo ele, com a parceria, a empresa obtém tecnologia e consegue preços competitivos de igual para igual com as fabricantes coreanas.
Um dos fatores que levaram a companhia apostar no mercado de TVs foi a mudança no uso dos aparelhos: "A televisão se transformou numa plataforma de acesso à internet."
Poroger argumenta que a empresa é forte em informática, líder em tablets, por exemplo. E, com a mudança no uso da TV, houve uma convergência entre os segmentos de informática e de vídeo.
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