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RISCO BRASIL ELEVADO

Brasil ficou para trás: país é o único emergente a não acalmar os mercados internacionais e ainda é arriscado

Apesar de o mercado externo ter sido favorável para os emergentes, Brasil ficou para trás em razão dos questionamentos sobre a política fiscal do país

Jair Bolsonaro, presidente da República
Imagem: Marcos Corrêa/PR

Apesar de o cenário externo ter sido favorável para os mercados emergentes em outubro, o Brasil continuou em situação de volatilidade devido à direção da política fiscal durante o mês. A afirmação é do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital.

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"Outubro teve um noticiário bastante intenso no cenário externo, com pressões de energia, percepção de inflação maior e menor perspectiva de crescimento global”, disse ele nesta quarta-feira (24).

Vital disse ainda que, mesmo assim, os índices de ações tiveram altas e balanços corporativos vieram mais positivos que o esperado, o que melhorou a percepção de risco para emergentes, com exceção do Brasil. 

De acordo com o coordenador, o mercado de juros brasileiro seguiu bastante pressionado em outubro. Enquanto a parte curta da curva reagiu a mudanças de expectativas na política monetária — com um aperto mais forte na Selic —, os papéis mais longos reagiram bastante ao noticiário fiscal. 

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"As discussões sobre a PEC dos precatórios e os ajustes no teto de gastos impactaram a percepção de risco dos investidores e se traduziram em juros mais altos. As taxas praticadas nos leilões foram aumentando ao longo de outubro", apontou. 

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Vital citou a taxa da LTN de 24 meses, que passou de 9,65% no começo de outubro para 12,04% no último leilão do mês.

Tesouro vê queda no colchão de liquidez

O Tesouro Nacional encerrou outubro com R$ 1,010 trilhão no chamado "colchão da dívida", a reserva de liquidez feita para honrar compromissos com investidores que compram os títulos brasileiros. O valor observado é 10,39% menor do que o montante de R$ 1,128 trilhão que estava na reserva em setembro.

O valor ainda é 31,42% maior que o observado em outubro de 2020 (R$ 769,24 bilhões). A divulgação do valor exato do "colchão da dívida" foi adotada no início deste ano e é uma iniciativa do Tesouro para elevar a transparência sobre esse dado. 

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Isso serve de termômetro para saber se o País tem recursos para pagar seus investidores ou precisará recorrer rapidamente ao mercado para reforçar o caixa.

No início da pandemia da covid-19, o elevado colchão de liquidez foi essencial para que o Tesouro pudesse se abster de emitir grandes volumes de títulos num momento de forte volatilidade do mercado, o que poderia resultar em custo elevado de financiamento. 

No ano passado, o Tesouro encerrou com um colchão da dívida até acima do observado em 2019, após aproveitar uma janela favorável para emissões no fim do ano. 

O objetivo agora é manter, ao longo de 2021, o colchão de liquidez acima de seu nível prudencial. O Tesouro Nacional ressalta ainda que não define metas para o tamanho mínimo da reserva de liquidez.

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Mas, para Luis Felipe Vital, a queda já era esperada. "O resgate líquido em outubro responde por boa parte da mudança na reserva de liquidez. O colchão atual ainda é suficiente para 10,1 meses de vencimento à frente, ante 10,3 meses em setembro. Então foi uma redução de pouca magnitude", argumentou.

Vital explicou que o principal fator de variação do colchão de liquidez é existência de emissão ou resgate líquido a cada mês. 

"Como novembro e dezembro tipicamente não têm muitos vencimentos, teremos emissões líquidas nesses dois meses. Com isso, a variação do colchão de liquidez tende a ser positiva até o fim do ano", completou.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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