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decisão do copom

BC deve manter Selic a 2% e pode derrubar ‘forward guidance’ nesta quarta

Retirada do instrumento pode vir acompanhada de uma sinalização de que seu fim não tem relação mecânica com o começo do ciclo de aperto monetário

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que lidera a autarquia na lei de criptomoedas
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que lidera a autarquia na lei de criptomoedas - Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Banco Central deve manter a Selic a 2% ao ano nesta quarta-feira (20), conforme a expectativa quase unânime do mercado financeiro, com a probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) derrubar o forward guidance.

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O instrumento foi adotado pela autoridade monetária em agosto do ano passado, em uma tentativa de acalmar o mercado ao indicar que os juros permaneceriam baixos por bastante tempo — naquela altura a taxa básica já estava em 2% ao ano.

Com a trajetória de retomada da atividade e a aceleração da inflação, economistas veem o Copom pressionado a derrubar o forward guidance. No entanto, a retirada do instrumento pode vir acompanhada de uma sinalização de que seu fim não tem relação mecânica com o começo do ciclo de aperto monetário.

Posteriormente, a decisão de voltar a subir os juros dependeria, em especial, das projeções de inflação e do balanço de riscos. Conforme lembra a economista-chefe da gestora Armor Capital, Andrea Damico, pesa para o BC o fato de cada vez mais as decisões têm impacto sobre as expectativas para 2022.

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"O BC já tinha dito nos comunicados que as condições favoráveis ao forward guidance estavam em vias de acabar", diz a especialista. "O fundamental é as expectativas no horizonte de política monetária, que cada vez mais estão na meta".

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O BC mexe na taxa de juros para alcançar a meta de inflação — definida neste ano em 3,75%, e em 2022 em 3,50%. O efeito da mudança na Selic sobre economia real leva de seis a nove meses para ocorrer.

Peso da inflação

A inflação voltou a chamar a atenção do mercado nos últimos meses de 2020, com a aceleração em especial de itens da sexta básica, fechando o ano a 4,52% — acima do centro da meta, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância.

Para a XP Investimentos, o IPCA acumulado em 12 meses continuará subindo até ultrapassar 6% no meio de 2021. A partir de então, quando os movimentos de 2020 começarem a sair das estatísticas, a inflação deve recuar, diz a corretora em relatório.

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A projeção da casa é de inflação a 3,5% em 2021. Para a XP, mesmo com o risco de alta do IPCA neste ano, não haverá pressa para elevar a taxa Selic. "O choque de inflação ainda parece temporário, o desemprego se manterá elevado e a política monetária exercerá um papel maior para sustentar a retomada da economia com a retirada dos programas fiscais".

Segundo a corretora, é preciso ficar atento também para o aumento do risco fiscal, a depender do desfecho da eleição nas casas legislativas. A expectativa da XP é de que a Selic aumente a partir do segundo semestre, terminando o ano a 3%. Já para a Armor, a taxa termina 2021 a 4%.

A mediana das projeções entre 58 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, do Grupo Estado, é de Selic a 3,50% ao final do ano – para todas as casas, a taxa vai permanecer em 2,00% na decisão de hoje. O Relatório Focus, do BC, aponta a Selic a 3,25% no final deste ano.

O sócio da Integral Investimentos, Mauro Rached, diz que a opinião dos analistas sobre esta quarta-feira é quase unânime, entre outras coisas, porque não há pressão externa pelo aperto monetário. Os Estados Unidos, por exemplo, indicaram há pouco tempo que o momento de subir a taxa de juros ainda deve demorar.

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Para Rached, pode dar uma sobrevida ao forward guidance a grande capacidade ociosa da economia, o alto desemprego e o fim do auxílio emergencial, ao mesmo tempo em que uma "certa indefinição" no quadro político, o avanço das vacinas e a retomada da confiança possibilitariam uma derrubada da medida — esta última possibilidade é que ele acha mais provável.

Reação do mercado

Rached diz que a reação do mercado à decisão do BC no dia seguinte deve depender do tom do comunicado. Se o discurso no comunicado for mais duro, pode haver uma alta dos DIs [Depósitos Interbancários] de curto prazo e uma queda nos mais longos, segundo o economista.

Na bolsa, seriam prejudicadas no curtíssimo prazo as ações que dependem mais da taxa de juros baixas, como conscessões rodoviárias e alguns setores ligados ao de construção civil, diz. Por outro lado, se o tom for mais suave, pode haver uma desvalorização do real, "devolvendo um pouco da valorização dos ultimos dias", completa.

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