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Nova fase

Após sucessivos prejuízos, Alphaville aposta em casas prontas e classe média para virada financeira

A companhia agora quer entregar lares já construídos, em um prazo de seis meses, em grandes cidades do interior

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Imagem: Shutterstock

Desde a década de 1970, a marca Alphaville é associada a terrenos de luxo, dentro de condomínios fechados e cercados de seguranças, para as famílias construírem as casas de seus sonhos.

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Nos últimos dez anos, no entanto, o negócio que deu certo por tanto tempo começou a apresentar uma série de resultados negativos.

Por isso, agora, a Alphaville Urbanismo vai inaugurar uma nova linha de negócios, que espera ser o início de sua "virada" financeira: a construção de casas prontas para a classe média alta, em grandes cidades do interior.

Declínio rápido

Comprada pela construtora Gafisa em 2006, por R$ 380 milhões, a Alphaville era vista como um negócio de forte potencial na época em que a economia brasileira crescia a passos largos.

Tanto era assim que, em 2013, o fundo de private equity (que compra participações em empresas) Patria comprou 70% do negócio pela bagatela de R$ 2 bilhões.

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Os resultados da loteadora, no entanto, perderam o brilho, especialmente a partir de 2014, e não se recuperaram desde então. A Gafisa acabou saindo do negócio há pouco mais de 18 meses, vendendo os 20% que ainda detinha na Alphaville por apenas R$ 100 milhões. Só no primeiro semestre de 2019, a companhia amargou perdas de mais de R$ 400 milhões.

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Reformulação?

Com a saída da construtora do negócio, o Patria se tornou o principal acionista do Alphaville - hoje, tem 78% do negócio.

Um IPO (oferta inicial de ações) foi realizado no fim de 2020, com uma pequena quantidade de ações negociadas em Bolsa. A arrecadação foi de pouco mais de R$ 300 milhões e serviu para capitalizar o negócio.

A série de resultados negativos, porém, ainda não foi interrompida: de janeiro a março de 2021, o prejuízo líquido foi de R$ 68,8 milhões.

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Aposta da vez

No entanto, segundo Klausner Monteiro, presidente da Alphaville Urbanismo, a empresa está em um processo de limpeza de portfólio e que as vendas vêm subindo.

Projetos mais antigos e menos rentáveis, lançados até 2018, estão sendo substituídos por empreendimentos mais adequados à realidade atual do mercado. Das mudanças implementadas até agora, a oferta de casas já construídas é a mais radical.

De acordo com Monteiro, a disposição dos clientes para construir uma casa do zero não é mais a mesma. Além disso, essa empreitada exige uma disponibilidade muito grande de capital próprio.

Por isso, a companhia agora quer entregar a solução pronta para os clientes: casas já construídas, em um prazo de seis meses, dentro de condomínios com urbanismo e facilidades como minimercados.

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O valor médio desses empreendimentos deve ficar em torno de R$ 1,5 milhão - caso do condomínio que a empresa está desenvolvendo em Sorocaba (SP).

O principal executivo da empresa acredita que a proposta pode atrair famílias que hoje tem um apartamento em São Paulo e têm a intenção de se mudar para o interior em tempos de home office.

Em um dos modelos propostos pela Alphaville, a empresa oferece um modelo predefinido de casa, em que o cliente pode fazer algumas mudanças estéticas e estruturais.

Mas a companhia já desenvolve um outro modelo de condomínio de residências prontas, com construções mais padronizadas, em Campinas (SP).

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Em ambos os casos, haverá um diferencial que não costumava estar disponível para os terrenos: o crédito. A Alphaville vai oferecer parcelamento dos imóveis em até 240 meses.

Nova fase

Depois de tanto tempo de dificuldades, a empresa faz bem em mudar, segundo especialistas. "Hoje, as pessoas não querem mais passar o 'nervoso' de uma construção que pode durar dois anos", diz o professor Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV).

"Se você me dá cinco opções de casa e me entrega a construção pronta em seis meses, você está mitigando um custo para o cliente - e não estou falando só de dinheiro", aponta ele.

As casas serão construídas seguindo novos modelos de construção pré-fabricadas, mais parecidos com as casas americanas que aparecem em programas de decoração, de acordo com a Alphaville.

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É outro acerto, diz Ajzental. "A construção no Brasil é artesanal e sujeita às intempéries, além de caríssima. Eles estão avançando na economia de escala, na padronização. É uma diminuição de custo que faz todo o sentido."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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