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Alta da inflação é temporária, mas pode afetar cenário de 2021, diz diretor do BC

Bruno Serra disse ainda que o BC deve rever em breve a taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 2% ao ano

Bruno Serra Fernandes, diretor de Política Monetária do BC - Imagem: Pedro França/Agência Senado

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, disse nesta terça-feira (12) que a alta da inflação é temporária, mas pode afetar o cenário de 2021. O IPCA avançou 4,5% em 2020, acima do centro da meta, segundo dados do IBGE.

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"Teremos uma inflação um pouco mais alta do que imaginávamos, algo que teremos que avaliar nos próximos ciclos. Mudou muito o cenário de commodities de dezembro para cá e teve uma mudança no câmbio também", disse durante videoconferência promovida pela XP Investimentos.

Serra avaliou que o resultado de 2020 foi "espetacularmente" melhor do que uma inflação de 2,1%, como previsto pelo Banco em setembro do ano passado. A meta projetada era de inflação de 4%.

O diretor lembrou que a alta foi puxada pelo câmbio e pelo preço de commodities que subiram mais do que o esperado. Dinheiro do auxílio emergencial, questões climáticas que impactaram colheitas no sul do país e a restrição na produção de petróleo da Arábia Saudita também teriam influenciado o movimento, disse Serra.

Selic

Serra disse ainda que o BC deve rever em breve a taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 2% ao ano, mas ressaltou que a alteração vai depender do rumo que tomar a política fiscal do país.

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"A taxa de juros estrutural da economia brasileira não é 2%. Não é a taxa em que o Brasil vai conviver em situações normais. É o nível que o Banco Central precisou colocar para perseguir a meta de inflação em um ambiente bastante atípico", disse.

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Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza a primeira reunião de 2021, mas, de acordo com Serra, ainda não deve haver mudanças na taxa da Selic. As alterações devem ocorrer após a votação do Orçamento de 2021, após o início do ano legislativo, em fevereiro.

"É um debate que vai acontecer no devido tempo, ao longo dos próximos trimestres. O debate já está ocorrendo no mercado e é natural que ocorra do nosso lado também", afirmou.

*Com Agência Brasil

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