O risco de um novo apagão e a ação na bolsa que deve lucrar com a crise hídrica
Apesar de algumas companhias sofrerem com a estiagem, existem modelos de negócios que acabam se aproveitando da seca e da menor geração hidrelétrica no país

Desde muito cedo, eu já lembro do meu pai como um sujeito que economizava até o último centavo possível — se quiser usar o termo “pão duro”, ele se encaixa bem aqui.
Para ser sincero, nunca faltou comida e educação lá em casa — e eu sou muito grato por isso. Mas a “disciplina” era tanta que meu pai era capaz de passar em três supermercados diferentes para economizar R$ 3 na compra do mês — mesmo que isso significasse gastar R$ 8 a mais de gasolina com os deslocamentos adicionais.
Dentro de casa, se alguém deixava a luz acesa cinco segundos além do necessário, logo tomava a clássica bronca: “Tá achando que eu sou o dono da Light?”
Preocupação aumenta
Eu não lia nem assistia aos jornais e não entendia o motivo — tinha apenas 11 anos na época. Mas eu me lembro muito bem de como as broncas com a luz acesa aumentaram bastante no ano de 2001.
A preocupação do meu pai cresceu tanto que, para economizar o máximo possível com a conta de luz da loja da família, ele decidiu furar o telhado e prender nos buracos umas garrafas pet cheias d’água para aumentar a iluminação natural.
Uma engenhoca bem parecida com a mostrada na imagem abaixo:
Leia Também
As PMEs na disputa com gigantes no marketplace, o sobe e desce dos juros no Brasil e nos EUA e o que mais move os mercados
Na Super Quarta, um banco sobe e outro corta
O mundo dá voltas
Em 2021, exatos vinte anos depois da maior crise de energia do país, estamos correndo sérios riscos de passar pelo mesmo problema de 2001.
A diferença é que, desta vez, é meu pai quem mora comigo e quem paga a conta de luz agora sou eu.
É engraçado como o mundo dá voltas, não é mesmo?
Digamos que nos últimos meses eu aprendi a entender um pouco mais as preocupações do meu velho naquela época.
E essa compreensão deve aumentar ainda mais, já que a Aneel decidiu aumentar a tarifa para a bandeira vermelha nível 2, o que significa que no mês de junho (e possivelmente nos meses seguintes) os consumidores pagarão a maior tarifa possível, dado que os reservatórios no país chegaram à estação mais seca do ano em níveis críticos.
O receio é que aconteça o mesmo que em 2001: um enorme racionamento de energia que custou ao país cerca de R$ 45 bilhões de reais, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).
Desta vez, o problema é ainda maior, porque a atividade econômica já está muito abalada pela pandemia, e uma nova paralisação de indústrias e comércio por causa da falta de água no sistema tornaria ainda mais difícil a recuperação do PIB e dos empregos.
Quem paga a conta?
Como consumidor de energia, não há muito a fazer além de tentar reduzir o consumo ao máximo e substituir aparelhos de elevado consumo por outros mais eficientes quando possível.
Mas eu sei que você não veio até aqui para receber dicas de economia na conta de energia elétrica, não é mesmo?
Você está aqui para aprender como tudo isso afeta o mundo dos investimentos, então vamos lá!
Além das indústrias intensivas no uso de energia elétrica que pagarão mais caro e ainda podem sofrer interrupções de fornecimento, a maior parte das geradoras de energia acaba sofrendo com esse tipo de cenário, especialmente as hidrelétricas.
Dependendo do nível dos reservatórios, elas poderão ser impedidas de gerarem boa parte da energia que se comprometeram a vender, o que pode ter efeitos negativos bilionários em seus resultados.
Um bom exemplo disso é a Cesp (CESP6), cujas ações sofreram durante a crise hídrica de São Paulo nos anos de 2014 e 2015 devido a uma série de resultados ruins, atrapalhados pelo baixo nível dos reservatórios — aliás, vale a pena notar a queda recente dos papéis.
Outra que sofreu muito naquele mesmo período foi a distribuidora de água Sabesp (SBSP3), já que a companhia teve de reduzir a água distribuída no sistema e ainda conceder grandes descontos àqueles que conseguissem apresentar economias relevantes. Isso impactou as receitas e o lucro da companhia no período (principalmente 2014 e 2015).
A parte boa é que esses impactos não vão durar para sempre.
Como você pode ver nos resultados posteriores a 2015, quem comprou as ações da Sabesp no limbo e foi paciente conseguiu obter ótimos retornos nos anos seguintes. Ficaremos de olho!
Enquanto uns choram...
Mas a verdade é que, apesar de algumas companhias sofrerem com a estiagem, existem modelos de negócios que acabam se aproveitando da seca e da menor geração hidrelétrica no país.
Enquanto a maior parte das geradoras de energia precisam frear o funcionamento de suas usinas nesse período, companhias de geração termelétrica acabam tendo de fazer inúmeras horas extras justamente para suprir a oferta não entregue pelas hidrelétricas.
Não é à toa que uma das nossas companhias preferidas para o ano de 2021 é focada em geração termelétrica, que, apesar de todas as críticas do pessoal preocupado com o ESG, é quem está lá para garantir a segurança quando o sistema mais precisa.
É claro que você já deve saber que estou falando da Eneva (ENEV3), não é mesmo?
Além dela, a série As Melhores Ações da Bolsa traz aquela que o Max Bohm considera a melhor ação do segundo semestre, que será ajudada pela reabertura de shoppings e pela continuidade do processo de vacinação.
Deixo aqui o convite caso queira conferir.
Um grande abraço e até a próxima!
SEXTOU COM O RUY
Ainda vale comprar ações? Histórico indica que a bolsa brasileira pode não estar tão cara quanto parece
11 de setembro de 2026 - 7:31O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como calcular o valor justo do IPTU ou ITBI, o futuro da Selic e a crise no STF: o que move os mercados hoje
10 de setembro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: De agora em diante, o trade eleitoral é com emoção
9 de setembro de 2026 - 19:55O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O retorno da Petz Cobasi (AUAU3), a crise no STF e o que mais movimenta os mercados hoje
9 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Imposto sobre herança e doações pode ficar mais caro, payroll afeta juros nos EUA e qual o risco do IPCA +8%: os mercados hoje
8 de setembro de 2026 - 8:14INSIGHTS ASSIMÉTRICOS
O CPI virou o voto de Minerva do Fed: o que o dado pode revelar sobre os próximos passos dos juros nos EUA?
8 de setembro de 2026 - 8:13O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O Brasil pode dar calote na dívida, a agenda de inflação e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de setembro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O FII do mês com desconto e qualidade, as oportunidades de investimento em bancos, o caso Master no STF: o que ler hoje
4 de setembro de 2026 - 8:19SEXTOU COM O RUY
O cenário está cada vez mais difícil para os bancos, mas ainda existem boas oportunidades para investir
4 de setembro de 2026 - 7:02O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O back to basics na bolsa, o quebra-quebra corporativo e o que mais mexe com o mercado hoje
3 de setembro de 2026 - 8:18EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Quem está por cima, e quem está por baixo?
2 de setembro de 2026 - 20:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Como a IA mexe com o futuro da Vale, a guerra no Oriente Médio e a relação entre Moraes e Vorcaro: o que mexe com seu bolso hoje
2 de setembro de 2026 - 8:06O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Internacionalização de negócios, pêndulo eleitoral e alta do petróleo: confira tudo o que agita os mercados hoje
1 de setembro de 2026 - 8:37DÉCIMO ANDAR
O elevador mudou de direção: o mau humor já está no preço dos fundos imobiliários?
30 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A pescaria do Tesouro Direto, a virada do Ibovespa em agosto e o evento do Fed nos EUA: o que você precisa ler hoje
28 de agosto de 2026 - 8:21SEXTOU COM O RUY
Você não precisa correr mais rápido que um leão (e nem de um Brasil perfeito) para ganhar dinheiro com a bolsa agora
28 de agosto de 2026 - 7:03O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A gordura extra do VISC11, a conferência do Fed e os resultados da Nvidia: o que mexe com os mercados hoje
27 de agosto de 2026 - 8:26EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Ibovespa — Entre a ideologia e o ideal, eu fico com os meus pregões de alta
26 de agosto de 2026 - 19:55IA NA PRÁTICA