Ainda pensaremos em commodities neste segundo semestre de 2021?
Depois do esperado ciclo de crescimento global, há dúvidas sobre o desempenho das grandes empresas produtoras de matérias-primas

Chegamos ao nosso primeiro encontro do segundo semestre e nada mais justo do que revisar uma de minhas principais teses dos últimos 12 meses, o posicionamento em commodities.
Mas não se enganem, o ano ainda é 2021 e seguimos contando com a continuidade da recuperação da economia global, em paralelo à normalização pós-pandemia diante da reabertura dos países.
Em outras palavras, o que aconteceu com os Estados Unidos, acontecerá com a Europa e, em um segundo momento, com as mais diversas localidades, como o Brasil – apesar de estarmos com restrições já mais relaxadas, as medidas de distanciamento social ainda estão de pé.
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Porém, há um natural processo de saturação depois de um grande repique de crescimento como o verificado. Isto é, há um arrefecimento dos indicadores econômicos depois da retomada.
Logo, apesar de a temática inflacionária ainda ser algo quente, o mercado parece crente na tese do Banco Central americano de que ela é mais transitória do que estrutural.
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Neste sentido, o segundo semestre deverá guardar mais debate sobre o início do “tapering” dos EUA, ou o processo de redução de compra de ativos, do que de temor inflacionário.
Em sendo o caso, se houver uma acomodação da atividade e uma queda da inflação implícita nas taxas, podemos começar a ter uma desaceleração nos preços das commodities. Este movimento, inclusive, já pôde ser verificado nas últimas semanas, com congestão e parcial correção do patamar de preços.

Note que, de alguns meses para cá, houve um considerável frenesi nos preços das commodities. Não é para menos; afinal, desde a crise da Zona do Euro, o mercado global de matérias-primas enfrentou um grande bear market.
Em 2020, com as revisões de expectativas de demanda no pós-pandemia, os preços ganharam grande tração, alcançando patamares elevadíssimos em um curto espaço de tempo.
Dessa forma, a mudança de 2021 em direção a ativos inflacionários permaneceu viva e bem. Crucialmente, as commodities, uma das classes de ativos mais sensível à inflação, teve o melhor desempenho.
No acumulado do ano, as commodities estão subindo algo como 29%, principalmente devido à escassez física e aos carregamentos estatísticos positivos resultantes dos setores relacionados à energia e agricultura.

Hoje, porém, com a correção recente, os mercados de commodities industriais, como petróleo e metais básicos, em particular, estão entrando em uma fase volátil, que será caracterizada por movimentos bruscos de preços à medida que os estoques são reduzidos para acomodar a demanda que está ultrapassando a oferta.
No curto prazo, os desequilíbrios nos mercados de petróleo podem ser resolvidos em um horizonte relativamente curto, principalmente com a Opep+ liberando capacidade ociosa em um intervalo de 3 a 4 meses para acomodar a demanda mais alta, de modo que os preços altos não destruam a demanda.
Os produtores de metais básicos, por sua vez, terão mais dificuldade em encontrar o suprimento necessário para acompanhar a demanda, mas isso pode ser feito no próximo ano, sem que os preços cheguem ao ponto em que ocorra a destruição da demanda.

Meu parecer é de que o equilíbrio dos riscos é decididamente positivo quando falamos de fluxos de caixa derivado da venda de commodities.
A maior volatilidade apresentará oportunidades para investir no mercado de commodities para os próximos 6 a 12 meses, considerando que o investimento será feito nas melhores empresas do setor, nas quais mesmo havendo uma correção de preços, poderemos ter ainda assim uma alta das ações – preços acima da curva de custos.
Por isso, ainda entendemos que no segundo semestre cabe a exposição às commodities, mas agora de maneira mais seletiva do que antes. Na Empiricus, trabalho com Felipe Miranda, estrategista-chefe da casa, e pesquisamos diariamente os melhores nomes, no Brasil e no mundo, para criarmos uma posição responsável neste mercado.
Convido a todos os que leram até aqui e se interessaram a conferir nossa série best-seller, "Palavra do Estrategista", na qual tratamos dos melhores tipos de investimentos para os mais variados perfis de investidor.
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