Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Precisamos falar de Eletrobras: metendo a mão (invisível) no setor elétrico

24 de fevereiro de 2021
10:28 - atualizado às 13:20
Privatização Eletrobras dividendos
Sede da Eletrobras no Rio de Janeiro - Imagem: Divulgação

Em alguma medida, este Day One é uma continuação daquele de segunda-feira, de título: “Precisamos falar de Petrobras”. Críticas aos erros, elogios aos acertos, tal como deve ser. Simples assim. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Naquela oportunidade, comentando a troca intempestiva de presidente da petroleira, escrevi: 

“Vejo dois caminhos possíveis. 

No primeiro, convivemos com intervencionismos pontuais, medidas populistas sucessivas, mas razoavelmente brandas, acompanhadas de pequenas aprovações de medidas de controle fiscal. Reformas microeconômicas e, quem sabe, a administrativa e uma ou outra privatização isolada.

No outro, encampamos de vez o populismo e intervenções supostamente keynesianas, talvez aqui até com a eventual saída do ministro Guedes, que, por mais ciente da responsabilidade e dos desdobramentos de sua demissão, não compactuaria com a completa estupidez da gestão da política econômica. Todos têm seus limites.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entendia que a definição entre um e outro estava sujeita aos desdobramentos dos dias e semanas seguintes. Estávamos — e ainda estamos — “data dependent”. Como o próprio ministro Guedes tem dito, “os próximos dias serão decisivos”. 

Leia Também

Condicionado às informações disponíveis, resumi minha visão da coisa:

“Ainda não há na mesa todas as informações disponíveis para decidirmos entre um e outro cenário. O futuro insiste em ficar no futuro, impermeável. Por ora, parece-me que algo mais perto do primeiro panorama, com algumas pinceladas do segundo, é o caminho mais provável.”

Com efeito, tivemos na noite desta terça-feira um passo material no sentido da confirmação do primeiro cenário. Ainda bem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O presidente Jair Bolsonaro editou Medida Provisória para tratar do processo de capitalização e privatização da Eletrobras. O texto permite o início dos estudos de modelagem da privatização pelo BNDES e contém detalhes importantes do percurso, como a inclusão da prorrogação por 30 anos da usina hidrelétrica de Tucuruí (da Eletronorte), que sempre foi considerada um milestone relevante para a desestatização de Eletrobras. 

Não mantenho expectativas ingênuas. Trata-se apenas de um primeiro movimento, ainda sem materialidade. Há muito a se fazer até a real privatização da companhia, numa construção complexa no Congresso e riscos de concessões excessivas a atores políticos. Contudo, toda longa caminhada começa pelo primeiro passo. Sintetizaria meu sentimento neste momento como um otimismo cético. 

Existe um simbolismo importante na decisão, em seu momento e em sua forma.

A medida vem como uma resposta célere às dúvidas quanto a uma total guinada intervencionista do governo Bolsonaro. Ela demonstra que, ao menos em alguma medida, ainda corre entre as veias certo teor liberal, ainda que possamos questionar se não está cada vez mais diluído pelo caráter etílico do populismo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Reitero meu antagonismo combativo às visões maniqueístas, que estabelecem uma luta entre o bem (liberalismo) e o mal (intervencionismo), como se o governo fosse só uma coisa ou outra. Existem cinquenta tons de cinza entre eles. Haverá momentos em que o pêndulo virá mais à esquerda, com o típico populismo intervencionista; e outro em que ele retornará à direita liberal e fiscalista. O governo é ambivalente e alterna momentos. Bolsonaro estica a corda, testa limites. Com nosso típico hábito de dançarmos à beira do precipício, o histórico aponta que tendemos a nos afastar dele depois de cada escorregão. O capitão corajoso que morre de medo da greve dos caminhoneiros e da alta do dólar ao mesmo tempo. Morde e assopra, acenando para um e depois para o outro. E assim vamos caminhando, aos trancos e barrancos, sem estourar nosso cercadinho. Evitamos a Argentina, mas também o Chile e o Peru, ficando na velha complacência macunaímica e antropofágica de sempre. Entraremos em 2022 com exatos cem anos de atraso, ainda sob os mesmos lemas daquela Semana de Arte Moderna de 1922… fazer o quê? 

A MP é obviamente muito positiva para a Eletrobras, que ganharia eficiência, recuperaria sua capacidade de investimentos e estaria blindada de interesses não republicanos típicos de gestões estatais — ela sempre foi um reduto do (P)MDB, mais especificamente do Sarney; e podemos imaginar as motivações altamente técnica$ desse clã em acumular diretorias numa estatal. 

Também é positiva para o setor como um todo, que ganha em eficiência e oferece múltiplas possibilidades de crescimento. Ativos ineficientes em gestões estatais podem virar pequenos tesouros em boas administrações privadas. Cemar e Equatorial representam talvez o exemplo mais emblemático. Equatorial, inclusive, pode ser uma das grandes compradoras de ativos da Eletrobras. Não me surpreenderia também se Eneva (aqui já pensando meio fora da caixa) pudesse morder uma coisa ou outra. E Coelce pode ser também alvo de evento societário — a tentativa anterior de a Enel fechar o capital da companhia esbarrou justamente na posição da Eletrobras. A privatização da empresa abriria espaço de novo para uma tentativa nesse sentido, pagando algo como 2 vezes EV/RAB; e então teríamos a ação valendo R$ 90, com cerca de 90% de potencial de valorização, sob baixo downside, posto que negocia hoje perto de 1 vez EV/RAB.

E é positiva para o Brasil como um todo. Voltamos a afastar o risco de cauda, de um completo abandono da agenda liberal, fiscalista e privatizante. Movimento importante de sinalização para o mercado e para investidores internacionais do lado real da economia. Cai o dólar, derruba o juro longo, volta a confiança (ao menos na margem). Todos ganham.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além da materialidade do movimento, há uma representação importante. A primeira no fato de o próprio presidente ter ido pessoalmente ao Congresso levar a MP. Isso demonstra o apoio pessoal à temática. Para privatizar a Eletrobras, precisa haver empenho e priorização, tanto do Executivo quanto do Congresso. Nesse contexto, não poderia haver gesto melhor até aqui (de novo: embora seja um gesto preliminar). 

Outro símbolo foi o fato de ter vindo via MP, não via PEC ou Projeto de Lei. Assim temos um horizonte temporal de 120 dias para tratar do tema. Ou seja, é rápido e focado. Para o mercado, dá previsibilidade e tangibilidade.

Se Bolsonaro pretendia meter a mão no setor elétrico, ao menos até aqui ele optou pelo caminho correto nesse escopo ao permitir a atuação da mão invisível de Adam Smith. Entre o passado estatista e a autoproclamada conversão liberal de campanha, registramos um passo na segunda direção. O Brasil respira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia