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Existe um elemento em comum entre as big tech que as fizeram crescer tanto nas últimas duas décadas. Será que você acerta qual é?
O que o site IMDb, um dos principais bancos de dados sobre filmes no mundo, a Siri e o sistema operacional Android possuem em comum?
A princípio, não muito, além do fato de serem todos ligados à internet. A resposta, porém, vai muito além disso - e aposto que seja algo que você nunca tenha reparado.
Após minha estreia aqui na Estrada do Futuro, em que te contei um pouco sobre o quanto as gigantes da internet sabem sobre você, decidi explorar um novo tema, que é o elemento de ligação entre IMDb, Siri e Android: aquisições.
Isso mesmo. As três empresas e ferramentas foram algumas das centenas de aquisições que as big techs fizeram ao longo das últimas duas décadas, a fim de compor seus negócios.
O IMDb foi comprado pela Amazon em 1998.
A Siri, sistema de reconhecimento de voz desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA, foi comprada pela Apple em 2010.
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Já a Android, em 2005, foi adquirida pela Google no ano de seu IPO e hoje divide com o iOS o posto de sistema operacional mais usado em dispositivos móveis.
Esses são apenas alguns dos exemplos que você provavelmente conhece do dia a dia e, ao longo dos anos, foram incorporados aos maiores nomes de tecnologia do mundo.
De fato, aquisições sempre fizeram parte da essência de empresas de tecnologia, tendo ganhado ainda mais tração nos últimos dez anos.
"No mundo de tecnologia, ou você vai às compras, ou você definha", foi o que me disse Fernando Cirne, CEO da Locaweb (LWSA3), no episódio #27 do Tela Azul.
Com isso em mente, quero me aprofundar aqui com você nas abordagens que empresas tech vêm tendo em relação a aquisições e destrinchar as duas (e mais duas) formas de ganhar dinheiro nesse setor.
Há uma grande liquidez hoje no mercado financeiro, o que faz com que muitas empresas, tech ou não, tenham acelerado seus processos de investimento em outras frentes.
Em tecnologia, em especial, temos visto cada vez mais aquisições interessantes, que não são apenas ligadas ao negócio principal da companhia mãe, mas pequenas incursões em negócios adjacentes. Como um polvo que vai criando pequenos, e múltiplos, tentáculos.
Um caso bem interessante em terras brasileiras é a bem conhecida Magalu, que vem criando um verdadeiro ecossistema em torno do e-commerce que vai de pagamentos a canais especializados em conteúdo.
Na minha opinião, uma das aquisições mais interessantes do Magalu em termos de temática, feita em agosto de 2020, foi a do Canaltech.
Uma empresa de ecommerce comprando um blog de tecnologia? Se isso significa um poderoso canal de crescimento de sua base de clientes, a partir da união entre conteúdo e anúncios, por que não?
O paralelo internacional da Magazine Luiza, a Amazon, não é chamada de "a loja de tudo à toa".
A empresa de Jeff Bezos nasceu como uma plataforma de venda online de livros e hoje tem uma das fatias mais relevantes da sua receita vinda do segmento de cloud, com a AWS.
Os exemplos não param por aí. Mais abaixo, trago algumas das principais aquisições de Amazon, Apple, Facebook e Alphabet ao longo da história.
O fato é claro: empresas tech crescem de duas formas:
Enquanto pesquisava alguns dados para esta edição, algo em particular me chamou a atenção. Algo em comum entre as aquisições que Apple, Amazon, Google e Facebook fizeram desde a década de 90, principalmente, é que a maior parte foi de empresas fora da linha original de negócios.
Veja o placar:
Os bichos-papão do mercado claramente têm um foco de adicionar novos negócios aos seus guarda-chuvas. Na maioria das vezes, são pequenas startups com ou que contam com patentes interessantes e/ou uma equipe fora da curva.
O nome disso: opcionalidade.
Como boas investidoras, essas gigantes sabem que, ao pulverizar o capital entre uma grande quantidade de apostas de alto potencial é o suficiente para que, mesmo sabendo que nem todas darão certo, seus negócios capturem ganhos acima da média.
Caso você esteja curioso para saber quais foram algumas das principais aquisições de cada empresa que citei acima, aqui está uma lista das que mais me interessaram:
Além da compra do site IMDb, em 1998, também adquiriu a Audible, que se tornou um produto de mídia da frente de livros, assim como o Kindle, só que do lado de audiobooks.
Chama a atenção, ainda, a Twitch, plataforma de streaming utilizada, majoritariamente, por gamers.
Após a compra da Siri em 2010, no período entre 2013 e 2020, a Apple fez a aquisição de nada menos que 14 empresas de inteligência artificial focadas em reconhecimento facial e de voz, assistentes virtuais e machine learning.
Em 2014, comprou a famosa Beats, empresa de equipamentos de áudio fundada pelo rapper Dr. Dre.
Você já sabe sobre a compra do Android em 2005 e do Youtube em 2006 que, inclusive, foi uma das maiores aquisições da Alphabet, por US$ 1,6 bilhão.
Porém, talvez não conheça a Writerly e a Tonic Systems, que ajudaram a companhia a concorrer com o pacote Office da Microsoft, gerando, respectivamente, o Google Docs e o Google Slides.
Por último, a empresa de Mark Zuckerberg é conhecida por menos aquisições, só que mais caras.
A compra do Whatsapp chegou à cifra de US$ 19 bihões, em 2014. Já o Instagram foi adquirido por US$ 1 bilhão em 2012 (depois disso, e da porta na cara que Zuckerberg levou do Snapchat, você passou a ver stories em absolutamente todos os lugares).
Neste ponto, já deve ter ficado claro para você que, no mercado de tecnologia, pode-se ganhar dinheiro investindo tanto nas grandes empresas quanto nas pequenas. Caçador e caça.
Ao comprar uma big tech, você está comprando também todos os negócios adjacentes que ela vier a gerar e todas as opcionalidades embutidas.
Por outro lado, é possível também buscar "na fonte" essas opcionalidades, investindo em empresas menores, ainda fora dos holofotes, que venham a ter sinergias com esses negócios enormes e incorporados por eles.
Um exemplo muito bom é o caso da plataforma de comunicação Slack, muito conhecida no meio de desenvolvimento de software e startups, mas que entrou no radar do mercado após o anúncio da possível aquisição pela SalesForce, uma empresa bastante consolidada.
Além dessas duas formas mais claras de alocar seu capital como investidor em torno de bons retornos, existem outras duas facetas das techs que vale a pena explorar.
Me refiro às duas estratégias macro de alocação de capital das big techs, bem representadas pelas abordagens da Amazon e da Alphabet.
A empresa de Jeff Bezos aposta em uma exploração de novos negócios alinhados à visão de ser uma loja (e empresa) de tudo.
Ela é conhecida por fazer várias apostas em empresas que tenham alto potencial de crescimento por tempo indeterminado.
Ou seja, compra um bando de empresas com crescimento acima da média ao longo do tempo, de forma que quando olhamos para a companhia como um todo, não há previsibilidade de quanto ela parará de crescer.
Sempre haverá negócios de alto crescimento em ciclos distintos. Logo, se as partes estão constantemente crescendo, a Amazon também está.
Isso ajuda a explicar as altas taxas de crescimento da empresa ao longo do tempo, em frentes diversas.
Agora, se olharmos com atenção a abordagem da Alphabet, veremos algo diferente. A dona do Google tende a ser mais cautelosa, mirando em novos negócios que têm alto potencial desde o início e não só no futuro.
A Alphabet olha para empresas que podem virar negócios relevantes como o Google, o Youtube, o Maps e o Android.
Alinhando esses negócios ao seu ecossistema central, de plataformas e anúncios, ela consegue lançar, de cara, produtos que alcançam o nível de um bilhão de usuários. Se a funcionalidade tiver potencial para o efeito de rede, ganhará tração naturalmente.
Dessa forma, a estratégia da Alphabet está mais ligada a fortalecer suas linhas principais de negócio do que ampliar o escopo para "N" vertentes possíveis.
Seja pela abordagem da Amazon ou da Alphabet, você há de concordar comigo que as big techs criaram duas formas matadoras de crescer e dar lucro.
Um convite, se você procura empresas fora do radar
Antes de me despedir, se você, assim como eu, tem um interesse particular por empresas que não estão ainda no consenso e, por isso, podem ser as grandes "porradas" do futuro, tenho um convite a fazer.
Entre os dias 16 e 21 de junho eu, o Richard Camargo e o André Franco faremos uma imersão nos investimentos em tecnologia, totalmente online, em busca dos próximos SuperLucros desse mercado.
O Deep Dive Tech, como batizamos o evento, está com inscrições abertas, gratuitamente.
Basta se inscrever aqui para participar conosco e descobrir quais serão as próximas empresas fora do radar capazes de entregar lucros impressionantes.
Posso contar com a sua participação? Sei que sim. Te vejo lá.
E, com isso, fico por aqui. Espero que tenha curtido o texto deste domingão.
Escreva para mim no telaazul@empiricus.com.br com seu feedback. Ele nos ajuda sempre a melhorar.
Aquele abraço. Fique bem!
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