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Recebíveis de tecnologia, obras de arte, criptomoedas… o mundo dos investimentos está mudando numa velocidade avassaladora. E pela primeira vez na história os investidores individuais estão fazendo parte dessa mudança
Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre tecnologia e investimentos.
Conversei nesta semana com um dos melhores alocadores de recursos da indústria. Estávamos falando sobre como fomos ensinados a pensar nossas alocações.
Primeiro, somos enquadrados em perfis de conservador, moderado e arrojado.
Depois, instruídos a ponderar nossa alocação em renda variável (geralmente ações), renda fixa, imóveis e investimentos alternativos, de acordo com a caixinha na qual fomos enquadrados.
Hoje, estou menos interessado na tosca caracterização de 7 bilhões de pessoas em três variantes possíveis, e mais interessado em como essas quatro grandes classes ativos que mencionei evoluíram.
Graças à tecnologia, a maneira como investimos em ações, renda fixa e imóveis mudou bastante.
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Contudo, essa evolução não chega aos pés do que é uma verdadeira revolução, que está acontecendo neste momento, nos investimentos alternativos.
Na primeira coluna que escrevi em 2021, comentei sobre a revolução que a Pipe está causando no mercado de renda fixa.
Os caras estão securitizando recebíveis futuros de fluxos de caixa de empresas de tecnologia e os negociando num mercado secundário.
Na prática, os instrumentos servem como um títulos de renda fixa, com rendimento esperado e um risco de contraparte que, em vez de estarmos falando da solvência de uma empresa, estamos analisando a probabilidade de que seu fluxo de caixa futuro (e contratado) seja efetivamente pago.
Em breve, seu book de renda fixa poderá contar com as atuais debêntures de infraestrutura, ao lado de recebíveis do Microsoft Office.
Incrível, não?
A tecnologia está trazendo liquidez a ativos (e passivos) que sempre foram difíceis de trocar de mãos.
No Tela Azul, recebemos o Fabricio Tota, do Mercado Bitcoin, que está fazendo para os precatórios (obrigações judiciais) o mesmo que a Pipe está fazendo pelos recebíveis nos EUA.
E recentemente fui apresentado a uma empresa ainda pequena, chamada Masterworks.
A Masterworks pretende ser a primeira Bolsa do mundo focada em obras de arte.
Como assim?
Da mesma maneira que eu posso comprar 100 ações da Apple negociadas na NYSE, a Masterworks me permite, num arranjo um pouco diferente, comprar 100 cotas (ou tokens) de um Monet, um Banksy ou Basquiat.
O time dos caras trabalhou anos na construção de um banco de dados envolvendo transações de obras de arte.
Sim, aquelas transações em leilões que você vê nos filmes.
A Masterworks estima que o mercado anual de obras de arte transcione um volume financeiro similar ao mercado residencial americano: mais de 1,5 trilhão de dólares.
A Masterworks compra uma obra de arte baseada nos inputs e decisões de seus algoritmos.
Depois de comprada, a obra é “listada” em sua plataforma, segmentada em diversas cotas (frações do valor original) que são vendidas para investidores.
Em 2020, eles concluíram sua primeira transação: a Mona Lisa.
Mas calma, não é AQUELA Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. É a Mona Lisa de Banksy.
A obra permaneceu por um ano na plataforma da Masterworks, comprada em outubro de 2019 por 1,039 milhão de dólares, e vendida em outubro de 2020 por 1,5 milhão de dólares.
Um belíssimo retorno anualizado, numa Mona Lisa acessível a investidores comuns, que poderiam comprar cotas por alguns poucos dólares.
Recebíveis de tecnologia, obras de arte, criptomoedas… o mundo dos investimentos está mudando numa velocidade avassaladora.
E o mais impressionante é que, pela primeira vez na história, os investidores individuais estão fazendo parte dessa mudança.
Assim como eu falei da Masterworks, conheço empresas trabalhando na liquidez de colecionáveis, cardgames, stock options em empresas de capital fechado e várias outras coisas.
Estou vendo o dia em que chegarei para trabalhar na Empiricus, analisando ações e empresas, e terei ao meu lado um companheiro de análise especialista em história da arte.
Hoje, essa é uma das mudanças que mais me anima no mercado financeiro:
Pensar em como será essa mesma conversa que terei com o Bruno Mérola, um dos maiores alocadores do Brasil, em 2030: “Brunão, rebalanceio com mais Tesouro Direto ou Dali?”
Se você gostou dessa coluna, pode entrar em contato comigo através do e-mail telaazul@empiricus.com.br, com ideias, críticas e sugestões.
Também pode seguir acompanhando meu trabalho através do Podcast Tela Azul, em que, todas as segundas-feiras, eu e meus amigos André Franco e Vinicius Bazan, falamos sobre tecnologia e investimentos.
Aproveite para se inscrever no nosso Telegram; todos os dias, postamos comentários sobre o impacto da tecnologia no mercado financeiro (e no seu bolso).
Um abraço!
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