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Apesar do aumento no volume de pessoas de países com isenção de visto que vieram ao Brasil, isso não se refletiu no montante total de gastos dos turistas de fora
Apesar do real barato e das isenções de vistos para diversos países, os gastos dos turistas internacionais no Brasil ficaram estagnados por mais um ano em 2019. Longe do recorde de US$ 6,84 bilhões de 2014 - impulsionado pela Copa do Mundo no País - os estrangeiros desembolsaram US$ 5,9 bilhões no Brasil no ano passado. Mais uma vez o valor não chegou aos US$ 6 bilhões, marca não alcançada desde 2016.
No ano passado, o governo fez um esforço para tentar aumentar o número de turistas estrangeiros no País, com a isenção unilateral da exigência de visto para australianos, canadenses, americanos e japoneses. Apesar do aumento no volume de pessoas desses países que vieram ao Brasil, isso não se refletiu no montante total de gastos dos turistas estrangeiros.
A desvalorização do real também deveria incentivar o aumento dos gastos desses turistas no Brasil, já que torna o consumo mais barato para quem chega com dólares ao País. Na comparação com o ano anterior houve uma depreciação média de 7,9% no câmbio no ano passado - com o valor do dólar passando de R$ 3,66 na média de 2018, para R$ 3,95 na média de 2019. Ainda assim, a diferença nos gastos dos turistas de fora nos dois anos foi de apenas US$ 8 milhões, e para baixo.
O Ministério do Turismo ainda não consolidou dados sobre a entrada de turistas estrangeiros no Brasil em 2019. Esse número deve estar disponível apenas nos próximos meses. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirma que não é possível saber, olhando apenas pelos dados sobre o gasto, se o número de visitantes de outros países subiu ou caiu no ano passado.
"Com a alta do dólar ante o real, ficou mais barato ao estrangeiro fazer sua viagem. Se a mesma quantidade de estrangeiros fizessem os mesmos passeios, em tese a conta (na moeda americana) seria menor", explicou.
O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, afirma que o fato de o gasto não ter se alterado de 2018 para 2019, ainda que o dólar esteja mais forte, tem outras razões. "Em condições normais, esperaríamos mais turistas com o dólar mais forte. A questão é que outros fatores podem pesar, como a questão da violência", citou.
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Na prática, a decisão de viagem por parte dos estrangeiros não depende apenas do custo mais favorável, mas também da infraestrutura disponível nos possíveis destinos. O vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional), Marcos Teixeira, alerta principalmente para as dificuldades de conectividade interna entre os diversos destinos que poderiam fazer os estrangeiros passarem mais tempo no País.
"Desde a recessão, passamos a ter uma menor oferta de voos internacionais em diversos destinos. A malha aérea interna precisa de mais opções, e por isso torcemos para a entrada de mais companhias low cost no setor de aviação. Resolver essa questão é seguir o caminho que já deu certo em muitos países", avaliou Teixeira.
Em nota, o Ministério do Turismo destacou que vem trabalhando em diversas ações para atrair a vinda de mais estrangeiros para o País.
Entre elas, está a isenção de vistos para países como Canadá, Japão, Estados Unidos e Austrália.
Já os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 17,593 bilhões em todo o ano de 2019. Com isso, foi registrada uma queda de 3,7% na comparação com 2018, quando as despesas lá fora somaram US$ 18,265 bilhões. Esse também foi o menor valor para um ano fechado desde 2016.
A queda de despesas de brasileiros no exterior no ano passado aconteceu em um momento de valorização do dólar - quando a moeda americana bateu sucessivos recordes de alta, chegando ao pico de R$ 4,25.
Com o dólar alto, as viagens de brasileiros ao exterior ficaram mais caras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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