Em Brasília, Bolsonaro vai a manifestação contra STF; São Paulo tem ato pró-democracia
Supremo tem sido alvo de ataques por parte do presidente após a Corte autorizar o cumprimento de mandados de busca e apreensão de aliados

As cidades de Brasília e São Paulo registraram manifestações neste domingo (31). Na primeira, prevaleceram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto na segunda o tom foi defesa da democracia, mas também com grupos pró-governo. Rio de Janeiro também teve atos, com a pauta antirracista.
Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada a bordo de um helicóptero e sobrevoou a Esplanada por cerca de 15 minutos. Depois, o helicóptero pousou próximo ao Palácio do Planalto, e o presidente seguiu a pé até o ato. Alguns manifestantes empunharam uma faixa pedindo "intervenção militar". Há ainda uma bandeira que pede "intervenção no STF".
Após cumprimentar os apoiadores que se aglomeravam ao longo da grade, Bolsonaro montou em um cavalo da cavalaria da Polícia Militar e percorreu novamente o local antes de retornar à residência oficial.
O STF tem sido alvo de ataques por parte de Bolsonaro e seus apoiadores após a Corte ter autorizado o cumprimento de mandados de busca e apreensão tendo como alvo bolsonaristas. Eles são investigados no inquérito das fake news.
Na última quarta-feira (27), a Polícia Federal cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão contra bolsonaristas por divulgação de fake news. A ordem foi dada pelo STF no âmbito do inquérito que investiga a divulgação dessas notícias falsas.
São Paulo
Um grupo de manifestantes pró-democracia, vestidos de pretos e usando máscaras, realiza um ato na tarde deste domingo na Avenida Paulista, em São Paulo.
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Eles ocupam a faixa sentido Consolação da via, na frente do Masp, e o vão livre do museu. Antes, fizeram uma caminhada, entoando gritos em defesa da democracia. A manifestação chegou à região da Avenida Paulista por volta das 12h. A Policia Militar acompanha o movimento.
A organização envolve grupos antifascistas ligados a torcidas organizadas de futebol, de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, em conjunto com movimentos sociais. A maioria dos manifestantes usa máscaras, mas há alguns sem proteção.
Pouco depois das 14h, uma confusão entre o grupo pró-democracia e apoiadores do governo Bolsonaro fez com que a PM usasse bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. Imagens da Globonews mostraram a tropa de choque avançando contra os manifestantes antifascistas, que revidaram com pedras.
A PM informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que alguns manifestantes foram detidos com artefatos químicos, fogos de artifício e canivetes. Os detidos estão sendo encaminhados ao 78º Distrito Policial, nos Jardins, zona sul da capital paulista.
O governador de São Paulo, João Doria, disse que a ação da PM visou a garantir a integridade "dos dois lados". "A presença da PM evitou o confronto e as prováveis vítimas deste embate. Todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito de agredir".
"No processo democrático, manifestações devem ser respeitadas. Mas posições contrárias não podem ser expressadas com violência nas ruas. O Brasil precisa de paz, diálogo e respeito às instituições, para preservar sua democracia", disse.
Rio de Janeiro
Manifestantes se reuniram para um ato antirracista na porta do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio. A manifestação, com distanciamento entre as pessoas, ocorre em meio à onda de protestos nos Estados Unidos por causa da morte de George Floyd, homem negro sufocado por um policial em Minneapolis, no Estado de Minnesota.
Nos Rio, manifestantes pediram o fim da morte de jovens negros nas favelas - como a do menino João Pedro, de 14 anos, morto neste mês durante operação policial no Complexo do Salgueiro, no município de São Gonçalo. Ele estava dentro de casa quando foi atingido.
No ano passado, a polícia do Rio matou 1.810 pessoas. O número, recorde, representou um aumento de 18% em comparação com 2018.
Distanciamento social
Autoridades sanitárias recomendam o distanciamento social como forma de conter o avanço do novo coronavírus no País. Isso inclui evitar abraços, apertos de mão e aglomerações.
O Brasil superou ontem a França em número de mortes pelo novo coronavírus e agora é o quarto país no mundo com a maior quantidade de óbitos pela doença.
Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os franceses registram 28.774 mortes. Já o Brasil acumula o saldo total de 28.834, já incluídos os 956 óbitos registrados nas últimas 24 horas. A taxa de letalidade é de 5,8%, ou 13,7 mortes a cada 100 mil habitantes.
*Com Estadão Conteúdo
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