‘A gente deve se preocupar mais com o governo Bolsonaro do que com o coronavírus’, diz economista
Segundo ele, a divulgação, pelo presidente, de vídeos apoiando o protesto contra o Congresso pode atrapalhar a agenda de reformas

O avanço do coronavírus deve reduzir o crescimento do PIB brasileiro neste ano e abrir espaço para o Banco Central voltar a cortar a taxa básica de juros, a Selic, segundo José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados. A questão, porém, não é a maior preocupação para o economista no momento.
Segundo ele, a divulgação, pelo presidente Jair Bolsonaro, de vídeos apoiando o protesto contra o Congresso pode atrapalhar a agenda de reformas e, portanto, prejudicar mais a retomada econômica do que o vírus. "Se a pauta reformista tiver um problema adicional, acho que a expectativa limitada de crescimento vai se tornar mais aguda e o resultado será postergação de investimento", disse em entrevista.
Qual impacto a chegada do conoravírus ao Brasil pode causar na economia?
Ontem (na quarta-feira, 26) teve um movimento forte na Bolsa, porque houve uma coincidência. Durante o carnaval, os mercados globais sentiram as notícias de o coronavírus ter se espalhado e isso fez com que, na segunda e na terça-feira, houvesse uma baixa generalizada nas Bolsas. Ao mesmo tempo, se confirmou um caso no Brasil. Então, na reabertura dos mercados, após o carnaval, o ajuste no Brasil foi realmente parrudo.
Deve haver impacto no PIB?
Ainda é cedo para estimar. Certamente vai cortar um pouco do crescimento. A China, nosso parceiro preferencial, vai crescer menos. A equipe do BNP Paribas já estimou para este ano que o crescimento chinês, que antes era visto como algo na ordem de 6%, vai se reduzir a 4,5%. Isso terá um efeito grande lá e, a partir daí, no mundo todo. Vai haver menos comércio, o que já apareceu um pouco na balança comercial do Brasil de janeiro. Os preços de exportação, especialmente de petróleo e minério de ferro, são os maiores candidatos a sofrer. No Brasil, tem também um efeito positivo: por causa da queda das commodities, aquela inflação das carnes no fim do ano passado (consequente do aumento das importações chinesas) acabou. Mas também tem um efeito sobre crescimento. Nós, na MB, sempre estivemos menos otimistas que o mercado. Temos projetado um PIB de 2% e viés de baixa, mas está muito cedo para avaliar (o impacto da doença). O que é certo é que vamos depender mais da demanda interna para ter uma retomada um pouco mais segura.
Este será, então, o quarto ano consecutivo de revisões de estimativa de PIB para baixo, agora por causa do coronavírus?
Infelizmente, o coronavírus foi aquele fator adicional. Por razões variadas, o PIB está de novo queimando a largada. Uma expressão adequada é que um pouco do encantamento com a política econômica que tínhamos em 2019 se quebrou. E o coronavírus está sendo até algo brutal para acabar com esse encantamento.
Leia Também
Com esse cenário, o BC pode voltar a cortar juros?
Acho que sim. Não na próxima reunião, porque o BC será cauteloso. Mas a gente pode imaginar que a taxa Selic irá para 4%. A redução dos juros é boa para o crescimento, mas não vai evitar que este ano tenha um crescimento, mais uma vez, relativamente modesto.
[captacao]
A indústria brasileira deve sofrer com falta de matéria-prima chinesa?
Com a produção parada na China, vai começar a faltar coisas no mundo inteiro. Aqui, mais o pessoal do setor automotivo e de produtos ópticos mencionam um certo desconforto com estoques baixos. Mas esse efeito é de curto prazo. O efeito mais relevante é que nossas exportações vão sofrer mais, e elas já vinham sofrendo com a Argentina.
Como o sr. analisa a notícia de que Bolsonaro enviou vídeos apoiando o protesto contra o Congresso? O que atrapalha mais a economia: o coronavírus ou as crises políticas internas?
Considerando esses eventos recentes, talvez seja provável que a política esteja atrapalhando mais, porque a incerteza tende a se elevar e porque o pique reformista do Congresso provavelmente vai sentir. Precisamos aprovar várias coisas no Congresso. Um exemplo: a reforma do saneamento básico é fundamental para a gente voltar a ter investimento nessa área. Por conta desses eventos (divulgação de vídeos pelo presidente), a pauta do Congresso pode ficar mais parada. Então estou mais preocupado com isso do que com o efeito da crise internacional (decorrente do coronavírus). Se a pauta reformista, que já não está fácil de ser carregada, tiver um problema adicional, acho que a expectativa limitada de crescimento vai se tornar mais aguda e o resultado será postergação de investimento. Sem investimento, ninguém cresce.
O real deve continuar se desvalorizando?
Vimos na abertura dos mercados (ontem, quarta-feira) que a pressão é para mais desvalorização. Essa desvalorização tem dois componentes. Um é internacional: a fuga de capital para a qualidade está se traduzindo em um dólar valorizado em relação às principais moedas. Agora tem um fator interno, que tem a ver com essa incerteza política e com o crescimento. A única vantagem que temos agora é que, como quase todos estão de acordo de que essa desvalorização é temporária, ela tem sido pouca transmitida para preços.
*Com informações sdo jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA
Lotofácil 3814 faz 2 novos milionários; Mega-Sena acumula e prêmio sobe para R$ 305 milhões
27 de outubro de 2026 - 5:58DANÇA DAS CADEIRAS
Fiscal na mira do mercado: BTG avalia cenário político e possíveis nomes para a Fazenda no Lula 4; confira
26 de outubro de 2026 - 19:43EXIGÊNCIAS MAIS RIGOROSAS
Banco Central aprova novas regras para ofertas de crédito e cria proteção contra o endividamento excessivo
24 de outubro de 2026 - 8:59CENÁRIO ELEITORAL